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Baixar áudioO custo para manter a moradia tem levado famílias brasileiras a cortar outras despesas para conseguir pagar aluguel ou financiamento. Uma pesquisa da Habitat para a Humanidade Brasil, realizada com 1.400 brasileiros entre abril e junho de 2026, mostra que 74% dos entrevistados reduziram pelo menos um gasto no último ano para arcar com os custos de habitação.
A dificuldade em arcar com os custos do aluguel levou quase metade dos respondentes a reduzir despesas com alimentação. Esse tipo de corte de gastos foi apontado por 48% dos entrevistados.
O levantamento também aponta que 34% precisaram cortar gastos considerados essenciais, como alimentação, medicamentos e vestuário. Além disso, 56% disseram temer que algum imprevisto comprometa a capacidade de continuar vivendo onde estão.
O cenário acende um alerta para o risco de inadimplência. Segundo o especialista em Direito Imobiliário Stefano Ribeiro Ferri, um dos principais sinais de que a família precisa buscar ajuda é quando a moradia passa a consumir uma parcela elevada da renda.
“O ponto central é fazer um diagnóstico das dívidas e da renda antes de assumir novos compromissos. A moradia é uma despesa essencial, mas justamente por isso o planejamento precisa acontecer antes de a família chegar ao ponto de escolher entre pagar o aluguel ou colocar comida na mesa”, destaca Ferri.
Outro sinal que requer atenção dos moradores é quando o pagamento do aluguel depende, de forma constante, de cartão de crédito, empréstimos ou do corte de despesas essenciais.
O especialista indica que o morador procure alternativas para pagamento do aluguel ou financiamento antes mesmo do primeiro atraso.
Veja o que pode ser feito preventivamente em caso do aluguel:
A principal indicação é de que o consumidor não tente apenas adiar o problema por meio de novas dívidas.
A inadimplência pode trazer consequências diferentes conforme o tipo de contrato. No aluguel, a falta de pagamento pode resultar em cobrança dos valores devidos e ação de despejo. Não existe uma regra geral que garanta ao inquilino um período fixo de tolerância antes que o proprietário possa tomar providências.
Já nos financiamentos imobiliários submetidos à alienação fiduciária, o imóvel pode chegar à consolidação da propriedade em nome do credor após o cumprimento do procedimento previsto em lei.
O especialista alerta que deixar de pagar e esperar que a situação se resolva com o tempo pode aumentar os riscos para o consumidor. Segundo ele, quanto mais cedo o consumidor busca informação e tenta negociar, maiores podem ser as chances de resolver a situação habitacional sem gravidade.
“O ideal é não esperar o primeiro atraso para procurar uma solução. A renegociação antecipada costuma oferecer mais alternativas do que uma negociação feita depois que a dívida já se acumulou”, ressalta Ferri.
Outro caminho que pode ser avaliado em determinadas situações é a revisão judicial de cláusulas ou cobranças que sejam efetivamente abusivas ou ilegais. No entanto, a simples redução da capacidade financeira da família não significa, por si só, que o contrato poderá ser alterado pela Justiça. É necessário analisar as condições específicas da contratação.
Stefano Ribeiro Ferri aponta que a revisão judicial não deve ser tratada como solução automática para qualquer dificuldade financeira.
Ele destaca, ainda, que as famílias que enfrentam dificuldades com a moradia também podem avaliar mecanismos previstos nas regras de prevenção e tratamento do superendividamento, principalmente quando o problema do aluguel ou financiamento faz parte de um conjunto maior de dívidas.
A recomendação é fazer um diagnóstico da renda e de todas as dívidas antes de assumir novos compromissos, além de analisar o contrato antes de aceitar uma renegociação. Também é importante não ignorar notificações ou comunicações feitas pelo proprietário ou pela instituição financeira.
Dicas do especialista para evitar que a inadimplência imobiliária se agrave:
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Baixar áudioAcre, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Tocantins ainda não instauraram as instâncias de governança regional do saneamento básico, segundo o Tabuleiro do Saneamento Básico 2026, publicado em setembro pelo Instituto Água e Saneamento (IAS). Somados, os sete estados reúnem cerca de 20,3 milhões de domicílios, o equivalente a 25,6% dos 79,3 milhões de domicílios do país, conforme a PNAD Contínua 2025, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Minas Gerais concentra o maior contingente (8,1 milhões), seguido por Rio Grande do Sul (4,5 milhões), Santa Catarina (3,1 milhões), Maranhão (2,3 milhões), Mato Grosso (1,4 milhão), Tocantins (572 mil) e Acre (290 mil).
O prazo para sanar a situação é 31 de dezembro de 2027, conforme o Decreto nº 12.805/2025, que prorrogou a data estabelecida anteriormente pelo Decreto nº 11.599/2023. Passado esse limite, estados e municípios que não tiverem instaurado as governanças regionais não poderão acessar recursos federais destinados ao saneamento. O levantamento também aponta que estão parcialmente nessa condição os municípios que não aderiram às respectivas unidades regionais em São Paulo, Alagoas e Minas Gerais, além dos municípios do Rio de Janeiro que ficaram fora do projeto de concessão.
As instâncias de governança regional são responsáveis por organizar aspectos centrais da política de saneamento, como planejamento, regulação, fiscalização, controle social e definição das formas de prestação dos serviços. Segundo o documento, para deliberar sobre a prestação regionalizada ou sobre uma nova concessão, é necessário antes constituir as estruturas de governança entre os entes federados, fazer o planejamento e delegar a regulação. Entre as atribuições dessas instâncias estão elaborar o plano regional de saneamento, definir a agência reguladora e os arranjos de prestação e garantir o controle social. Cabe ao estado elaborar e aprovar a lei de regionalização, regulamentar a estrutura da governança e mantê-la em funcionamento.
Entre os sete estados, o quadro varia. Acre e Maranhão aprovaram leis de microrregião, mas não as regulamentaram. Santa Catarina, que adota um modelo de 11 regiões metropolitanas, tem projetos de lei em tramitação na Assembleia Legislativa para alterar o arranjo, e apenas a região metropolitana de Florianópolis possui instância de governança metropolitana. Rio Grande do Sul, Tocantins e Mato Grosso aprovaram leis de unidades regionais, mas não criaram governanças; em Mato Grosso e Tocantins, o processo de adesão dos municípios não estava concluído em agosto de 2026. Em Minas Gerais, a lei foi aprovada em dezembro de 2025 e divide o estado em três unidades regionais, sendo a primeira o conjunto de municípios atendidos pela Copasa, privatizada em junho de 2026; a adesão municipal começou em abril de 2026 e está em curso.
Os outros 17 estados já instalaram suas governanças regionais: Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima, Sergipe e São Paulo. No conjunto, 24 estados aprovaram leis de regionalização, que resultaram na criação de 79 regiões de saneamento: 61 microrregiões, em 18 estados, e 18 unidades regionais, em seis estados. Nove estados adotaram uma única microrregião englobando todos os municípios.
Três unidades da federação ficam fora desse quadro. Amapá e Rio de Janeiro optaram por concessões, tratadas no levantamento como exceção ao Marco Legal, enquanto no Distrito Federal a regionalização não se aplica.
Os prazos e as exigências decorrem da Lei nº 14.026/2020, sancionada em 15 de julho de 2020, que atualizou, sem revogar, a Lei nº 11.445/2007, conhecida como Marco Legal do Saneamento. O texto estabelece metas de atendimento de 99% da população com água potável e de 90% com coleta e tratamento de esgoto até 31 de dezembro de 2033, com possibilidade de ampliação até 2040. A revisão também criou o Comitê Interministerial de Saneamento Básico (CISB), articulado pelo Ministério das Cidades, e atribuiu à Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) a edição de normas de referência para a regulação, cuja adoção passou a ser condição para o financiamento federal.
Um dos eixos centrais da revisão é a prestação regionalizada, que incorporou o conceito de titularidade compartilhada entre estado e municípios. A lei prevê as microrregiões e regiões metropolitanas, instituídas por lei complementar estadual e de adesão compulsória dos municípios, e as unidades regionais, criadas por lei ordinária e de adesão voluntária. Caso o estado não defina sua regionalização, a União pode criar blocos de referência. A legislação também proíbe novos contratos de programa entre companhias estaduais e municípios e abre o mercado de prestação dos serviços ao setor privado.
Segundo o Tabuleiro, desde 2020, 15 estados concluíram projetos de concessão, privatização ou parcerias público-privadas, que envolvem 2.445 municípios e 30 contratos. Contando os projetos previstos, empresas privadas deverão atuar em 3.242 municípios, em 19 estados. Atualmente, a iniciativa privada atende à metade da população que tem serviços públicos de água e esgoto.
O levantamento destaca ainda que, seis anos após a revisão do Marco Legal, o setor segue em fase de consolidação. O Tabuleiro, que ganhou em 2026 uma versão online e interativa com os dados de todos os estados, é monitorado pelo IAS desde a aprovação da lei e organiza as informações em quatro eixos: acesso, regionalização, participação privada e perfil da prestação.
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Baixar áudioO Nordeste registrou 319 municípios com decretos de situação de emergência e cerca de 1,4 milhão de pessoas afetadas pela seca e pela estiagem entre julho e setembro de 2026. No período, os prejuízos provocados por desastres na região foram estimados em R$ 5,7 bilhões. Os dados são da Confederação Nacional de Municípios (CNM).
As informações fazem parte da segunda edição do Boletim El Niño 2026/2027, que abrange o período de 1º de julho a 30 de setembro. Segundo a CNM, os decretos de emergência foram registrados em municípios dos nove estados nordestinos.
A agricultura concentrou a maior parte das perdas regionais, com R$ 3,4 bilhões em prejuízos.
Entre as cinco regiões brasileiras, o Nordeste apresentou o maior volume de prejuízos. Os R$ 5,7 bilhões estimados representam cerca de 45% dos R$ 12,6 bilhões registrados em todo o país. O Sudeste aparece em seguida, com R$ 4 bilhões, enquanto o Sul contabilizou R$ 1,8 bilhão.
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A CNM relaciona o cenário regional à intensificação da seca e da estiagem no contexto do El Niño. O resumo do levantamento, porém, não detalha quais são os 319 municípios em situação de emergência, como as perdas se distribuem entre os estados nem quantos produtores rurais foram afetados.
Em todo o Brasil, os desastres registrados no trimestre afetaram 6,9 milhões de pessoas em 1.035 municípios. O balanço também contabiliza 25 mortes e 87,7 mil pessoas que tiveram de deixar suas casas. Esses números abrangem diferentes tipos de ocorrência e, portanto, não correspondem exclusivamente aos efeitos da seca e da estiagem no Nordeste.
Para preparar os municípios para possíveis impactos do El Niño, a CNM recomenda revisar os planos de contingência, mapear áreas de risco e organizar a comunicação com a população. As orientações constam da Nota Técnica nº 12, publicada em maio de 2026, sobre os possíveis efeitos do fenômeno nos anos de 2026 e 2027.
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Baixar áudioCerca de 6,9 milhões de pessoas foram afetadas por desastres em 1.035 municípios brasileiros entre julho e setembro de 2026. No período, 25 pessoas morreram e 87,7 mil tiveram que deixar suas casas. Os prejuízos estimados ultrapassam R$ 12,6 bilhões. Os dados constam em levantamento divulgado pela Confederação Nacional de Municípios (CNM).
O balanço faz parte do Boletim El Niño 2026/2027. O levantamento reúne informações sobre decretos de situação de emergência e de estado de calamidade pública. Entre as fontes de referência está o Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2iD).
O Nordeste registrou o maior volume de prejuízos entre as regiões, com R$ 5,7 bilhões. Em seguida, aparecem o Sudeste, com cerca de R$ 4 bilhões; o Sul, com R$ 1,8 bilhão; o Norte, com R$ 822,7 milhões; e o Centro-Oeste, com R$ 281,9 milhões.
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Em relação ao tipo de perda, a CNM contabiliza R$ 8,8 bilhões em prejuízos privados, R$ 3,6 bilhões em prejuízos públicos e R$ 283,4 milhões em perdas relacionadas a unidades habitacionais. Ao todo, foram registradas 47.888 moradias danificadas e 808 destruídas.
Quanto aos serviços públicos, o abastecimento de água potável concentra perdas de R$ 1,8 bilhão. Já os prejuízos relacionados à assistência médica, à saúde pública e ao atendimento de emergências somam R$ 562,8 milhões. As obras de infraestrutura pública, por sua vez, registram perdas de R$ 557,8 milhões.
O boletim relata ocorrências de seca e estiagem, incêndios florestais, vendavais, granizo, inundações e deslizamentos em diferentes regiões do país. Os números correspondem ao balanço divulgado pela entidade para o trimestre, mas o documento não apresenta uma contagem nacional de ocorrências individuais.
A CNM recomenda que as prefeituras atualizem os planos de contingência, mapeiem áreas de risco e organizem abrigos, rotas de evacuação e canais de comunicação com a população. As orientações constam da Nota Técnica nº 12, publicada em maio de 2026.
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Baixar áudioDos 412 municípios da Região Sul que participaram de levantamento da Confederação Nacional de Municípios (CNM), 309 informaram não possuir Plano Municipal de Políticas sobre Drogas. O número representa 75% dos municípios sulistas consultados. Outros 32 disseram ter plano vigente e atualizado, enquanto 5 possuem documento vigente, mas desatualizado. Já 7 cidades têm planos que não estão mais em vigor. Em 32 municípios, o plano está em elaboração.
O levantamento faz parte do estudo técnico “Entre responsabilidades e escassez de recursos: a implementação da política sobre drogas nos Municípios brasileiros”.
A pesquisa foi realizada por meio de entrevistas telefônicas com gestores municipais entre outubro de 2025 e fevereiro de 2026. Ao todo, foram obtidas 1.567 respostas em todo o país. Na Região Sul, participaram 412 municípios.
A pesquisa mostra, ainda, uma baixa presença de estruturas específicas para a política sobre drogas nas localidades consultadas. Entre os 412 municípios sulistas respondentes do estudo, 333 declararam não possuir Conselho Municipal de Políticas sobre Drogas (Comad) – o equivalente a 81% dos participantes. Apenas 35 informaram ter o conselho ativo e outros 35 disseram que o órgão está inativo.
Por estado, o Rio Grande do Sul apresentou o maior número absoluto de municípios sem conselho, com 148 dos 174 participantes. No Paraná, foram 111 dos 137 consultados, enquanto Santa Catarina registrou 74 dos 101 municípios participantes que disseram não dispor do órgão.
A ausência de fundo específico também é predominante no Sul do país. Segundo a pesquisa, 364 dos 412 municípios da Região Sul não possuem Fundo Municipal de Políticas sobre Drogas. O número corresponde a 88% dos respondentes. Apenas 13 informaram ter um fundo ativo e 7 disseram possuir o mecanismo, mas sem atividade.
Entre as fontes de financiamento utilizadas pelos municípios para ações relacionadas à política sobre drogas, os recursos próprios aparecem como principal alternativa. Dos 412 participantes, 311 citaram recursos municipais, o equivalente a 75%. Transferências estaduais foram mencionadas por 70 municípios, enquanto 43 citaram emendas parlamentares.
O Fundo Nacional Antidrogas (Funad) foi apontado por 11 municípios, ou 3% dos participantes. Como a questão permitia múltiplas respostas, um mesmo município poderia indicar mais de uma fonte de financiamento.
Apesar das lacunas na estrutura institucional, os municípios relatam desenvolver ações relacionadas à política sobre drogas na Região Sul. Confira quantos municípios mencionaram as respectivas ações:
A pesquisa aponta ainda que 333 dos 412 municípios consultados no Sul, o equivalente a 81%, afirmaram enfrentar problemas relacionados à circulação de drogas. O estado com o maior número de municípios que afirmaram enfrentar a problemática é o Rio Grande do Sul, com 137.
Já 30 municípios disseram não enfrentar esse tipo de problema, com o menor número registrado no Paraná, sendo apenas 3. Outros 49 não responderam.
Considerando o estudo completo, com todas as regiões brasileiras, 88,1% dos municípios – o equivalente a 4.906 entes na amostra extrapolada – disseram não ter um fundo específico. Em contrapartida, apenas 2,5% dos municípios têm um fundo ativo, sendo o equivalente a 139 entes da amostra.
Além disso, apenas 10,9% do total de municípios consultados dispõem de Conselho Municipal de Políticas sobre Drogas ativo e apenas cerca de 11% dispõem de Plano Municipal vigente na área. Outros 72,2% dos entes pesquisados afirmam não dispor de Plano Municipal de Políticas sobre Drogas em nenhuma de suas formas – seja vigente, desatualizado ou em elaboração.
Conforme a CNM, embora os municípios demonstrem estar exercendo autonomia em relação ao tema, com protagonismo na implementação das ações, as ações autônomas têm sido acompanhadas de grande responsabilização financeira local, “pela omissão da União no financiamento das ações”, afirma a entidade em um trecho do levantamento.
No estudo, a Confederação destacou que os resultados reforçam a necessidade de fortalecer a cooperação entre os diferentes níveis de governo e ampliar o apoio técnico e financeiro aos municípios para a implementação da política sobre drogas.
O estudo completo pode ser acessado em cnm.org.br.
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Baixar áudioChuvas intensas e temporais afetaram 2,2 milhões de pessoas na Região Sul do Brasil entre julho e setembro de 2026. No mesmo período, 419 municípios decretaram situação de anormalidade. Os prejuízos chegaram a R$ 1,8 bilhão. As informações foram divulgadas pela Confederação Nacional de Municípios (CNM).
Os dados constam da segunda edição do Boletim El Niño 2026/2027, referente ao período de 1º de julho a 30 de setembro. O levantamento registra ocorrências de deslizamentos, alagamentos, inundações, vendavais e granizo, além de um tornado na região.
No Paraná, o documento aponta impactos em áreas do norte e do noroeste do estado. O Vale do Ribeira também registra ocorrências. Em Santa Catarina, houve danos no Planalto Norte e o Meio-Oeste. Já no Rio Grande do Sul, o boletim menciona registros em diferentes áreas do território estadual, sem especificar os municípios.
O Sul apresentou o terceiro maior volume de prejuízos entre as regiões brasileiras, atrás do Nordeste, com R$ 5,7 bilhões, e do Sudeste, com R$ 4 bilhões.
Considerando os valores arredondados divulgados pela CNM, o R$ 1,8 bilhão estimado para o Sul representa aproximadamente 14% do total nacional, de R$ 12,6 bilhões.
As 2,2 milhões de pessoas afetadas na região correspondem a cerca de 32% do total de 6,9 milhões registrado em todo o país. Esse indicador não deve ser confundido com o número de pessoas que precisaram deixar suas casas, estimado em 87,7 mil no balanço nacional.
O resumo regional não detalha a distribuição dos prejuízos entre Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, nem informa quantas moradias foram atingidas exclusivamente na Região Sul.
Para melhorar a preparação diante de novos desastres, a CNM recomenda revisar os planos municipais de contingência, organizar abrigos e definir rotas de evacuação.
A Nota Técnica nº 12, publicada em maio de 2026, também orienta os gestores a mapear áreas de risco e aprimorar a comunicação com a população.
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Baixar áudioVinte empresas brasileiras de tecnologia vão participar do Gartner IT Symposium/Xpo, de 19 a 22 de outubro, em Orlando, nos Estados Unidos. A missão é organizada pelo Brasil IT+, projeto setorial executado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) em parceria com a Softex. A iniciativa busca ampliar o acesso das companhias nacionais ao mercado norte-americano.
Esta será a 21ª participação consecutiva da delegação no encontro, voltado a diretores de informação (CIOs) e outros executivos de tecnologia da informação. A programação inclui atividades para aproximar as empresas brasileiras de potenciais compradores e parceiros comerciais.
“Nossa presença contínua amplia a visibilidade das nossas organizações e facilita o acesso a decisores e potenciais compradores. Ao longo dos anos, essa participação também tem contribuído para reduzir assimetrias de informação e construir relações de confiança com o mercado norte-americano”, afirma Gabriela Silva, líder da célula de Internacionalização da Softex.
A organização prevê reunir mais de 8,8 mil CIOs e líderes seniores nesta edição. Ao longo dos quatro dias, mais de 140 especialistas do Gartner e representantes de 180 provedores de soluções participarão de mais de 350 sessões.
Os debates abordarão temas como inteligência artificial (IA), transformação e valor dos negócios, cibersegurança, experiência do cliente, análise de dados, liderança executiva e estratégia.
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Com o tema “Impulsionar a inteligência” (Ignite Intelligence), o evento deste ano terá como foco o avanço da inteligência artificial e seus impactos nas organizações. A programação leva em conta a avaliação de que a tecnologia deixou de ser apenas um diferencial competitivo e passou a integrar a infraestrutura das empresas.
Nesse cenário, os líderes precisam combinar capacidades humanas e artificiais para gerar valor, aumentar a agilidade e responder às mudanças do mercado.
A delegação brasileira é composta por Apura, Argotechno, ART IT, CI&T, ConquestOne, CWS Platform, Digibee, Exata, Fenix DFA, Insi, Levva, Nexforce, Numen, Orange Testing, Pappsales, Pulsus, R/Pulse, Grupo Stefanini, VTX365 e Zamak.
A programação do Brasil IT+ também prevê apresentações de executivos da Insi, do Grupo Stefanini, da Digibee e da CI&T. As sessões vão discutir os fatores que diferenciam organizações líderes em inteligência artificial, a influência da cultura empresarial na geração de valor com a tecnologia, o uso da IA para reduzir dificuldades de integração entre sistemas e as mudanças nos modelos de trabalho.
As apresentações buscam ampliar o contato das empresas brasileiras com CIOs, executivos e parceiros que participarão do evento.
Segundo o fundador e CEO global do Grupo Stefanini, Marco Stefanini, participar do Gartner é estratégico, tanto pela capacidade do evento de antecipar tendências quanto pelo acesso ao mercado norte-americano.
“Em nossa sessão, mostraremos por que, com a crescente comoditização dos grandes modelos de linguagem, a arquitetura técnica e de negócios se torna o diferencial para transformar a IA em valor. A presença contínua da Softex, por meio do Brasil IT+, também ajuda a construir posicionamento e confiança para as empresas brasileiras”, enfatiza.
Já Rodrigo Bernardinelli, CEO da Digibee, comenta que a IA agêntica amplia o que é possível fazer, mas seu avanço ainda esbarra em limitações operacionais e nos desafios da gestão da mudança. “No Gartner, discutiremos como desenvolver integrações confiáveis por agentes e preparar as equipes para trabalhar com essa tecnologia”, diz.
A participação no encontro faz parte da estratégia do Brasil IT+ de aproximar empresas brasileiras de tecnologia do mercado dos Estados Unidos. Na edição de 2025, a delegação contabilizou mais de 740 contatos comerciais, envolvendo potenciais clientes, parceiros e oportunidades de negócios.
O Gartner IT Symposium/Xpo reúne CIOs e outros executivos de tecnologia da informação para discutir tendências e estratégias que contribuam para a transformação digital das organizações. As conferências também abordam maneiras de aproveitar o potencial da inteligência artificial e de conduzir mudanças nos negócios.
A ApexBrasil trabalha para promover produtos e serviços brasileiros no exterior e atrair investimentos estrangeiros para setores estratégicos da economia nacional.
Entre as iniciativas da entidade estão missões comerciais e prospectivas, rodadas de negócios, apoio à participação de empresas brasileiras em feiras internacionais e visitas de compradores estrangeiros e formadores de opinião para conhecer a estrutura produtiva do país. Essas ações buscam ampliar as exportações, fortalecer a marca Brasil e valorizar a oferta nacional no mercado internacional.
A agência também atua em parceria com instituições públicas e privadas para atrair investimentos estrangeiros diretos (IED), com foco no desenvolvimento da competitividade das empresas brasileiras e da economia do país.
Sediada em Brasília, a Softex atua há mais de duas décadas na criação e gestão de programas com alcance internacional. A entidade coordena o Sistema Softex, formado por 21 agentes regionais distribuídos por 13 estados e o Distrito Federal. Também conta com 22 instituições de ciência e tecnologia (ICTs) credenciadas e 19 aceleradoras parceiras, além de beneficiar cerca de 4 mil startups e mais de 6 mil empresas.
A organização trabalha com empresas privadas, governos federal, estaduais e municipais, centros acadêmicos e instituições de fomento. Sua atuação busca conectar governo, academia e setor privado para promover o desenvolvimento por meio da inovação e da transformação digital.
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Baixar áudioOito setores produtivos brasileiros vão discutir estratégias para ampliar a atuação no mercado europeu durante uma agenda de trabalho em Bruxelas, na Bélgica, entre 12 e 16 de outubro. A iniciativa Conexões Produtivas Bruxelas, da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), prevê a elaboração de planos de ação para identificar oportunidades comerciais e ampliar a presença de produtos brasileiros na região.
O setor de rochas naturais participará das discussões por meio do projeto It’s Natural – Brazilian Natural Stone, desenvolvido pela Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas) em parceria com a ApexBrasil. Representarão a entidade Fabio Cruz, vice-presidente, e Thiago Fukuda, gerente do projeto.
A agenda terá como ponto de partida um diagnóstico dos setores participantes. No caso das rochas naturais, o objetivo é mapear oportunidades, identificar obstáculos e avaliar quais mercados europeus apresentam maior potencial para os produtos brasileiros. A partir desse levantamento, serão definidas prioridades e ações para estimular a demanda e ampliar as oportunidades de negócios para as empresas do segmento.
“A diversificação de mercados é uma estratégia permanente para ampliar a competitividade e a presença internacional do setor. A Europa tem um papel importante nesse movimento e reúne países com perfis, demandas e oportunidades distintas. Precisamos entender essas particularidades, identificar onde as rochas brasileiras têm maior potencial e definir prioridades. É esse conhecimento que nos permite transformar inteligência de mercado em ações concretas, capazes de gerar demanda e novas oportunidades de negócios para as empresas brasileiras”, destaca Fabio Cruz.
A diversidade de rochas naturais brasileiras é um dos fatores que podem favorecer a expansão das exportações do setor. Para a diretora de Negócios da ApexBrasil, Maria Paula Velloso, as características geológicas do país ajudam a diferenciar os produtos brasileiros no mercado internacional.
“Sabendo da importância desse mercado, uma vez que o Brasil possui a maior diversidade geológica do mundo. São mais de 1.200 tipos de pedras que nos tornam únicos. Isso mostra que estamos no caminho certo”, afirma.
A participação na agenda de Bruxelas integra uma estratégia de expansão internacional do setor. Recentemente, a ApexBrasil aprovou um aditivo de R$ 1,9 milhão ao ciclo atual do It’s Natural – Brazilian Natural Stone. O recurso adicional permitirá ampliar as iniciativas de promoção comercial e inteligência de mercado na Europa, na Ásia e no Oriente Médio.
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Entre as ações previstas estão um estudo relacionado aos efeitos do Acordo Mercosul-União Europeia para o setor brasileiro de rochas naturais e a realização de uma Rodada Internacional de Negócios na Polônia.
O reforço também abrange iniciativas em mercados da Ásia e no Oriente Médio. A estratégia combina estudos de mercado e atividades de promoção comercial para orientar a atuação do setor e identificar novas possibilidades de negócios.
O It’s Natural – Brazilian Natural Stone é um programa de incentivo às exportações desenvolvido pela Centrorochas em parceria com a ApexBrasil. A iniciativa busca estimular as vendas externas de rochas naturais brasileiras por meio de ações de internacionalização, promoção comercial, fortalecimento da imagem do setor e desenvolvimento de sua atuação no mercado internacional.
Empresas interessadas em participar podem realizar o cadastro gratuito pelo formulário de inscrição, clicando aqui.
A Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas) foi fundada em 2004 e representa nacionalmente o setor de rochas naturais. Com atuação em 17 estados, reúne uma rede de mais de 470 empresas associadas e apoiadas.
A entidade trabalha na defesa dos interesses do setor e no fortalecimento da competitividade da cadeia produtiva, mantendo interlocução com o poder público, instituições e parceiros estratégicos.
As iniciativas da entidade incluem desenvolvimento setorial, sustentabilidade, inovação, inteligência de mercado, qualificação, promoção comercial e internacionalização, com foco na competitividade e na presença das rochas naturais brasileiras nos mercados nacional e internacional.
ApexBrasil
A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) atua na promoção de produtos e serviços brasileiros no exterior e na atração de investimentos estrangeiros para setores estratégicos da economia nacional.
Para apoiar as exportações, a agência organiza missões prospectivas e comerciais, rodadas de negócios, participação de empresas brasileiras em feiras internacionais e visitas de compradores estrangeiros e formadores de opinião à estrutura produtiva do país. Essas iniciativas também buscam fortalecer a marca Brasil no exterior.
A ApexBrasil trabalha ainda com instituições públicas e privadas para atrair investimentos estrangeiros diretos (IED), com foco em setores estratégicos para o desenvolvimento da competitividade das empresas brasileiras e da economia nacional.
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Baixar áudioAs exportações brasileiras de vinhos e espumantes somaram US$ 6,79 milhões no primeiro semestre de 2026, uma alta de 23,73% em relação ao mesmo período de 2025. Os produtos chegaram a 79 países, e a ampliação das oportunidades no mercado internacional estará em pauta na ProWine São Paulo 2026, que será realizada entre os dias 6 e 8 de outubro, no Expo Center Norte.
A ação faz parte do Exporta Mais Brasil, iniciativa da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) em parceria com o Conselho Superior do Vinho (Consevitis-RS), por meio do projeto Wines of Brazil. A atividade também integra o Plano de Diversificações de Exportações + Caminhos + Negócios.
Cerca de 20 empresas brasileiras participarão de reuniões com oito compradores internacionais. Os representantes vêm da China, Reino Unido, Suécia, Países Baixos, Angola, Rússia, México e Paraguai.
As empresas brasileiras selecionadas incluem produtores, cooperativas e exportadoras de diferentes portes e regiões do país. A proposta é aproximar os negócios brasileiros de potenciais parceiros comerciais e ampliar as oportunidades de venda em outros mercados.
O número de vinícolas registradas no Brasil cresceu 41,5% entre 2020 e 2025. De acordo com o Anuário do Vinho 2026, publicado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), o país passou de 682 para 965 estabelecimentos no período. As vinícolas estão distribuídas por 327 municípios.
O Rio Grande do Sul concentra a maior parte dos estabelecimentos, com 600 vinícolas. Na sequência aparecem Santa Catarina, com 102, e São Paulo, com 86.
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O crescimento do número de vinícolas acompanha a expansão das exportações brasileiras. No primeiro semestre de 2026, as exportações de vinhos somaram US$ 5,61 milhões, alta de 24,66% em relação ao mesmo período de 2025. Já os espumantes alcançaram US$ 1,18 milhão, crescimento de 19,50%.
Segundo o Wines of Brazil, 19 vinícolas exportadoras apoiadas pelo projeto responderam por 60,81% das empresas brasileiras que exportaram produtos do setor no primeiro semestre de 2026. Entre as empresas exportadoras de espumantes, essa participação foi de 65,83%.
O levantamento também aponta que a produção declarada de vinho ultrapassou 300 milhões de litros em 2025. No mesmo ano, o setor registrou 7.361 empregos diretos.
06/10 | Terça-feira
07/10 | Quarta-feira
08/10 | Quinta-feira
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Baixar áudioFlávio Bolsonaro (PL) tem 52,8% dos votos válidos na disputa presidencial contra 47,2% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo a pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta sexta-feira (9). A diferença é de 5,6 pontos percentuais no cenário de segundo turno. Considerando o total das intenções de voto, incluindo brancos, nulos e indecisos, o senador registra 51,1%, enquanto o petista aparece com 45,7%. Esses eleitores somam 3,2% da amostra.
A diferença de 5,6 pontos percentuais nos votos válidos é superior à margem de erro da pesquisa, de um ponto percentual para mais ou para menos.
Diferenças regionais
Os recortes regionais mostram Flávio Bolsonaro à frente no Centro-Oeste, com 65,7% contra 33,6% de Lula, no Sul, com 64,5% contra 34,3%, e no Sudeste, com 54,4% contra 42,9% do atual presidente. Já Lula lidera no Nordeste, onde registra 57,6% das intenções de voto, contra 36,2% de Flávio Bolsonaro, e no Norte, com 51,1% contra 48,5% do senador.
Homens e evangélicos concentram as maiores diferenças
Entre os homens, Flávio Bolsonaro registra 57,7% das intenções de voto, ante 36,9% de Lula. Lula, por sua vez, aparece à frente entre as mulheres, com 53,6%, contra 45,2% de Flávio.
Já entre os eleitores evangélicos, o senador alcança 72,7%, enquanto o presidente tem 23,5%. Entre os católicos, há um empate técnico: Lula tem 49% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro, 48,7%.
Renda familiar também com diferenças
Entre os eleitores com renda familiar mensal de até R$ 2 mil, Lula aparece na frente, segmento no qual obtém 55% das intenções de voto. Já Flávio Bolsonaro aparece com 39,9%. Na faixa dos eleitores com renda familiar entre R$ 2 mil e R$ 3 mil, Lula também aparece na frente de Flávio Bolsonaro, com 52,8% frente a 45,3%. Nos segmentos de R$ 3 mil a R$ 5 mil, R$ 5 mil a R$ 10 mil e acima, Flávio Bolsonaro aparece na frente, com 57% a 40,6%, 56,5% contra 39,9% e 50,3% contra 47,1%, respectivamente.
Transferência de votos favorece candidato do PL
A pesquisa também avaliou como os eleitores de candidatos que não avançaram ao segundo turno se posicionam na disputa entre Flávio Bolsonaro e Lula.
Entre os que votaram em Ronaldo Caiado (PSD) no primeiro turno, 54,9% declaram preferência por Flávio, enquanto 26,9% optaram por Lula. O senador também reúne 40,3% dos eleitores de Renan Santos (Missão). Lula recebe 28,1% deste eleitorado.
Lula tem vantagem entre os eleitores de Augusto Cury (Avante): 50,4% desse grupo optam pelo presidente, contra 38,9% que preferem Flávio. Entre os entrevistados que não votaram no primeiro turno, o petista registra 63,1%.
Flávio lidera em 11 das 13 áreas de governo avaliadas
O levantamento investigou ainda em qual dos dois candidatos os eleitores confiam mais para administrar 13 áreas de governo. Flávio Bolsonaro aparece à frente em 11 delas (educação, política externa, promoção da democracia, saúde, geração de empregos, infraestrutura, economia e inflação, impostos e carga tributária, combate à corrupção, criminalidade e tráfico de drogas, equilíbrio fiscal e controle de gastos).
As maiores vantagens do senador, de dez pontos percentuais, são registradas nos temas de criminalidade, tráfico de drogas e equilíbrio fiscal. Em economia e inflação, a diferença a seu favor é de sete pontos.
Nos temas pobreza e desigualdade social e meio ambiente, os dois candidatos aparecem empatados, segundo os dados divulgados.
Como foi feita a pesquisa
A AtlasIntel/Bloomberg entrevistou 5.026 eleitores pela internet entre 3 e 8 de outubro. O levantamento tem margem de erro de um ponto percentual, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%.
A pesquisa foi custeada pelo próprio instituto e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-03663/2026.
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Baixar áudioLuiz Inácio Lula da Silva perdeu 3,4 milhões de votos entre o primeiro turno das eleições presidenciais de 2022 e o de 2026, segundo levantamento da Opinião Inteligência Política. A redução ocorreu em diferentes grupos de municípios, independentemente da renda, mas foi mais acentuada no interior e nos locais de votação com menor escolaridade dos eleitores.
Nas capitais, a participação de Lula nos votos válidos passou de 45,5% em 2022 para 44,9% em 2026, uma queda de 0,6 ponto percentual, equivalente a 500 mil votos. Nos demais 5.543 municípios brasileiros, o percentual recuou de 49,3% para 45,2%, uma redução de 4,1 pontos, correspondente a 2,9 milhões de votos.
Os dados fazem parte de um estudo que reúne informações eleitorais de 5.570 municípios e cerca de 46 mil locais de votação, cruzadas com dados de renda do Censo 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e de escolaridade dos eleitores.
Queda na votação ocorreu em municípios de diferentes faixas de renda
A comparação entre dez grupos de municípios, organizados conforme a renda domiciliar por pessoa, mostra que Lula perdeu participação nos votos válidos em todas as faixas analisadas. Entre os municípios mais pobres, a votação passou de 73,4% em 2022 para 69,5% em 2026, uma queda de 4 pontos percentuais.
No terceiro grupo de renda, com valores por pessoa entre R$ 924 e R$ 1.181, o percentual caiu de 54,3% para 50,2%, recuo de 4,1 pontos. Já no grupo intermediário, com renda entre R$ 1.380 e R$ 1.560, a votação passou de 41,5% para 36,3%, uma redução de 5,2 pontos.
Entre os municípios com renda por pessoa entre R$ 1.940 e R$ 2.284, Lula registrou queda de 36,8% para 33,1%, equivalente a 3,7 pontos percentuais.
Nos municípios mais ricos, cuja renda por pessoa varia de R$ 2.713 a R$ 4.300, a votação recuou de 43,3% para 42,4%, uma diferença de 0,8 ponto percentual.
O levantamento também registra que, nos dois grupos de municípios de maior renda, as quedas foram menores: 1,8 e 0,8 ponto percentual. Apesar da redução percentual entre os eleitores dos municípios mais pobres, Lula teve cerca de 31 mil votos a mais nessa faixa em 2026 do que em 2022, em razão do aumento do número de eleitores que compareceram às urnas.
Escolaridade dos locais de votação acompanha diferenças na votação
A análise de 955 cidades com pelo menos 20 locais de votação identificou diferenças entre os resultados eleitorais conforme a escolaridade dos eleitores em cada local.
Nos 20% dos locais com menor escolaridade, em que 3,4% dos eleitores tinham ensino superior, Lula obteve 51,5% dos votos válidos em 2022 e 47,5% em 2026. A queda foi de 4 pontos percentuais.
No segundo grupo, com 6% dos eleitores com faculdade, a votação passou de 48,4% para 45,2%, recuo de 3,3 pontos. No grupo intermediário, em que 9,2% dos eleitores tinham ensino superior, o percentual caiu de 46,5% para 43,9%, uma redução de 2,7 pontos.
Entre os locais que compõem o quarto grupo, com 14,5% de eleitores com faculdade, Lula passou de 44,9% para 42,9%, queda de 2 pontos percentuais.
Já nos 20% dos locais com maior escolaridade, nos quais 26,7% dos eleitores tinham ensino superior, a votação recuou de 42,3% para 41,2%, uma diferença de 1 ponto percentual.
Os números mostram, portanto, uma redução maior nos locais com menor escolaridade e menor nos locais com maior presença de eleitores com ensino superior.
Interior e locais de menor escolaridade concentram perdas de votos
A distribuição estimada dos 3,4 milhões de votos perdidos por Lula considera o tamanho dos municípios e os grupos de locais de votação classificados pela escolaridade.
Nas cidades com menos de 20 locais de votação, que somam 4.615 municípios e 48,4 milhões de eleitores, a perda foi estimada em 1,3 milhão de votos.
Nas cidades com 20 ou mais locais de votação, os 40% de locais com menor escolaridade concentraram uma perda estimada de 1 milhão de votos. Nos 20% intermediários, a redução foi de 400 mil votos.
Nos 40% dos locais com maior escolaridade, a estimativa foi de 600 mil votos perdidos.
Fontes e metodologia
O estudo foi elaborado pela Opinião Inteligência Política com dados abertos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), incluindo votação por seção no primeiro turno de 2018, 2022 e 2026 e perfil dos eleitores por escolaridade em 2026. Também foram utilizados dados do Censo 2022 e PIB dos municípios, do IBGE, Bolsa Família, do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome e pesquisas do Datafolha.
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Baixar áudioAs eleições para o Legislativo deram ao Partido Liberal (PL) a maior bancada da Câmara dos Deputados, com 121 parlamentares na legislatura que começa em 1º de fevereiro de 2027. São 24 deputados a mais do que em 2022, segundo levantamento da Agência Câmara com base nos dados do TSE. A federação PT-PCdoB-PV terá a segunda maior bancada, com 88 deputados (seis a mais), seguida pela federação União-PP, com 87, queda de 18 em relação à eleição anterior.
A distribuição das 513 cadeiras ficou assim:
| Bancada | 2026 | 2022 |
| PL | 121 | 97 |
|
PT/PCdoB/PV |
88 | 82 |
| União/PP | 87 | 105 |
| PSD | 43 | 42 |
| Republicanos | 41 | 40 |
| MDB | 36 | 41 |
| Podemos | 27 | 20 |
| PSB | 15 | 15 |
| Psol/Rede | 15 | 15 |
| PSDB/Cidadania | 11 | 18 |
| Novo | 10 | 3 |
| PRD/Solidariedade | 7 | 12 |
| PDT | 6 | 16 |
| Avante | 5 | 7 |
| Missão | 1 | 0 |
Cenário parecido no Senado: o PL elegeu 19 dos 54 senadores em disputa (35,2%), com "dobradinhas" em Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Rondônia, Santa Catarina e no Distrito Federal. Somados aos que seguem em mandato, a bancada deve chegar a 28 integrantes, a maior do início de uma legislatura desde a Constituição de 1988, superando os 27 do então PMDB em 1999. PT (nove senadores) e MDB (oito) vêm em seguida. A projeção pode mudar com troca de partido ou ida de parlamentares a ministérios, e considera que Cleitinho (Republicanos-MG) e Sérgio Moro (PL-PR), eleitos governadores, serão substituídos pelos suplentes Alex Diniz (PL) e Luís Felipe Cunha (União).
Os senadores eleitos em 2026 foram:
| Bancada | Senadores |
| PL | 19 |
| MDB | 7 |
| PT | 6 |
| Novo, PP, PSB e União | 3 cada |
| Podemos, PSDB, PSD e Republicanos | 2 cada |
| PDT e Rede | 1 cada |
O resultado coloca os candidatos à presidência da República com panoramas distintos em caso de vitória. Se reeleito, o presidente Lula deve ter muita dificuldade para aprovar matérias de interesse de seu projeto, já Flávio Bolsonaro não deve ter grandes desafios para formar maiorias em votações no Congresso.
Em Goiânia, na terça-feira (6), Flávio disse que pretende usar a nova bancada do PL para mudar a Constituição e "redemocratizar o país". Após ruídos devido à falta de clareza quanto ao alcance da medida, o senador detalhou que pretende apresentar PECs para reformar o Judiciário, reduzir a maioridade penal e acabar com a reeleição. As declarações provocaram mal-estar até entre aliados, que alertam para os riscos desse discurso e de um clima de "já ganhou".
O cientista político André César, sócio da Hold Assessoria Legislativa, avalia que o caminho não passa por uma nova Constituinte: "Ele está jogando assim: vou mexer com a questão do Judiciário, vou mexer com alguns pontos da reforma tributária e talvez com a segurança pública. Então não precisa fazer uma constituinte. Constituinte é contraproducente. Chamarmos constituinte para isso, separa o país. Nós precisamos acertar outras coisas, nós temos que resolver já. E uma constituinte tem outro tempo", alertou.
Sobre o cenário para o presidente Lula a partir de 2027, César entende que a estratégia deve passar por esperar menos do Legislativo. "Eu vejo um eventual quarto mandato do Lula como algo mais brando, mais moderado nesse sentido. Mesmo porque vai ser uma continuidade do que está aí, claro, com muitos ajustes de rota. Tentar avançar, por exemplo, na PEC da Segurança Pública que ele apresentou e que está aí, parada. Mas o Flávio, aí sim, seria mais radical. O Flávio quer mexer na estrutura mesmo", pondera.
Para aprovar uma PEC são necessários três quintos dos votos em cada Casa, o equivalente a 308 deputados e 49 senadores. Na Câmara, PL e Novo somam 131 deputados. Com as legendas que já declararam apoio a Flávio no segundo turno — o que não significa alinhamento automático nas votações —, União-PP (87), Republicanos (41) e Podemos (27), o bloco chega a 286, ainda 22 abaixo do mínimo.
No Senado, a campanha de Flávio estima em 49 os parlamentares alinhados ao campo bolsonarista, número igual ao exigido, mas sem garantia de apoio uniforme a todas as propostas.
Para César, em caso de vitória, Flávio deve se aproveitar do período de “lua-de-mel” com o Congresso e apresentar o quanto antes as matérias mais impopulares. "O Centrão está caminhando: Podemos, Republicanos, o MDB, dos 27 diretórios, 16 fecharam com o Flávio. Quer dizer, ele está ganhando musculatura. Isso tudo deságua no Congresso e deságua no governo. Só que ele tem que ser rápido para aproveitar esse capital político. Esse é o pulo do gato. A famosa lua de mel dura três, quatro meses. Aí começam os desgastes. Vamos avançar até o final do ano com alguma coisa igual à PEC da Transição do governo Lula em 22."
Já Lula mantém as legendas de sua aliança do primeiro turno, PT, PCdoB, PV, PSB, PDT, PSOL e Rede, que somam 124 deputados. O UP, de Samara Martins, e o PSTU, de Hertz Dias, que declarou apoio "crítico", também se posicionaram ao lado do presidente. O PSD, de Gilberto Kassab, mantém neutralidade, apesar da adesão individual de Caiado a Flávio, e o PSDB tem diretórios divididos. O governo promete fazer uma “limpa” como retaliação e demitir pessoas indicadas por partidos que declararam apoio à chapa adversária.
Apesar do Congresso ter aprovado 139 emendas constitucionais desde 1988, o professor de Direito Constitucional Gustavo Sampaio, da Universidade Federal Fluminense (UFF), define o rito exigido para alterar o texto como rígido. "O que não significa dizer que ela não possa ser alterada. A apresentação da proposta de emenda à Carta da República só pode ser feita ou pelo Presidente da República, ou por um terço dos Deputados Federais, o que significa dizer que um Deputado Federal, isoladamente, não pode alterar o texto constitucional, nem na propositura, ou por um terço dos Senadores, ou por mais da metade das Assembleias Legislativas das Unidades da Federação", explica.
Além dessas exigências formais e das limitações circunstanciais, que impedem emendas durante intervenção federal, estado de defesa ou estado de sítio, há trechos da Constituição que nem mesmo PECs podem remover ou sequer alterar: são as cláusulas pétreas, definidas no parágrafo 4º do artigo 60. Não podem sofrer modificações a forma federativa de Estado, o voto direto, secreto, universal e periódico, a separação dos Poderes e os direitos e garantias individuais. Fora desse núcleo, o texto pode ser modificado por PEC. Para Sampaio, as regras valem para qualquer governo:
"Se se confirmar a vitória do candidato Flávio Bolsonaro à presidência da República, e se ele pretender promover alterações ao texto da Constituição, essas limitações todas precisarão ser obedecidas, ao menos, para que se preserve o Estado Constitucional Democrático de Direito, e a essência do que foi trazido pela Assembleia Nacional Constituinte de 87 e 88", conclui o professor.
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Baixar áudioCerca de 6,9 milhões de pessoas foram afetadas por desastres em 1.035 municípios brasileiros entre julho e setembro de 2026. No período, 25 pessoas morreram e 87,7 mil tiveram que deixar suas casas. Os prejuízos estimados ultrapassam R$ 12,6 bilhões. Os dados constam em levantamento divulgado pela Confederação Nacional de Municípios (CNM).
O balanço faz parte do Boletim El Niño 2026/2027. O levantamento reúne informações sobre decretos de situação de emergência e de estado de calamidade pública. Entre as fontes de referência está o Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2iD).
O Nordeste registrou o maior volume de prejuízos entre as regiões, com R$ 5,7 bilhões. Em seguida, aparecem o Sudeste, com cerca de R$ 4 bilhões; o Sul, com R$ 1,8 bilhão; o Norte, com R$ 822,7 milhões; e o Centro-Oeste, com R$ 281,9 milhões.
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Em relação ao tipo de perda, a CNM contabiliza R$ 8,8 bilhões em prejuízos privados, R$ 3,6 bilhões em prejuízos públicos e R$ 283,4 milhões em perdas relacionadas a unidades habitacionais. Ao todo, foram registradas 47.888 moradias danificadas e 808 destruídas.
Quanto aos serviços públicos, o abastecimento de água potável concentra perdas de R$ 1,8 bilhão. Já os prejuízos relacionados à assistência médica, à saúde pública e ao atendimento de emergências somam R$ 562,8 milhões. As obras de infraestrutura pública, por sua vez, registram perdas de R$ 557,8 milhões.
O boletim relata ocorrências de seca e estiagem, incêndios florestais, vendavais, granizo, inundações e deslizamentos em diferentes regiões do país. Os números correspondem ao balanço divulgado pela entidade para o trimestre, mas o documento não apresenta uma contagem nacional de ocorrências individuais.
A CNM recomenda que as prefeituras atualizem os planos de contingência, mapeiem áreas de risco e organizem abrigos, rotas de evacuação e canais de comunicação com a população. As orientações constam da Nota Técnica nº 12, publicada em maio de 2026.
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Baixar áudioDos 558 municípios da Região Sudeste considerados em estudo da Confederação Nacional de Municípios (CNM), 480 não têm Fundo Municipal de Políticas sobre Drogas, o equivalente a 86% dos participantes da pesquisa. Apenas 17 municípios informaram ter um fundo ativo e 20 disseram possuir o instrumento, mas sem funcionamento. O levantamento foi organizado em cinco categorias: ambiente institucional, planejamento e gestão, financiamento, implementação da política e realidade local.
O estudo identificou que o financiamento das ações políticas antidrogas nos municípios depende principalmente de recursos próprios. Das 558 prefeituras participantes do Sudeste, 441 ou 79%, citaram recursos municipais próprios como fonte de financiamento das políticas sobre drogas.
Já as transferências estaduais foram mencionadas por 66 municípios, enquanto 63 citaram parcerias com organizações da sociedade civil e 50 indicaram emendas parlamentares. Apenas 17 municípios, 3% dos participantes, apontaram recursos do Fundo Nacional Antidrogas (Funad).
O levantamento também aponta fragilidades em outros instrumentos de gestão. Entre os municípios consultados na região, 378 não possuem Conselho Municipal de Políticas sobre Drogas (Comad).
Outros 73 têm conselho, mas ele está inativo. Apenas 92 municípios, ou 16% dos participantes, informaram possuir um conselho ativo.
A pesquisa também identificou um número baixo de municípios respondentes que dispõem de Plano Municipal de Políticas sobre Drogas. Das 558 cidades consultadas, apenas 59, que equivale a 11%, disseram ter um plano municipal específico vigente e atualizado.
Outros 18 têm plano vigente, mas desatualizado; 13 possuem um plano que não está vigente; e 48 estão elaborando o documento. A maior parte, 380 municípios, não possui plano municipal específico.
O estudo mostra ainda diferenças entre os estados da região. Minas Gerais apresentou o maior percentual de municípios sem conselho, com 75% dos participantes da pesquisa. Em São Paulo, o percentual foi de 62%.
Apesar da falta de estruturas específicas, os municípios relatam desenvolver ações relacionadas à política sobre drogas.
Confira o tipo de ação preventiva e quantos municípios relataram promover as atividades:
Outros 26 municípios assinalaram que não enfrentam problemas com drogas em suas localidades.
Na amostra total, 88,1% dos municípios – o equivalente a 4.906 entes – indicaram que não tem um fundo específico. No entanto, apenas 2,5% dos municípios têm um fundo ativo, sendo o equivalente a 139 entes na amostra.
Considerando a ausência de conselhos municipais específicos, apenas 10,9% dos municípios dispõem de Conselho Municipal de Políticas sobre Drogas ativo e apenas cerca de 11% dispõem de Plano Municipal vigente na área. Além disso, 72,2% dos entes pesquisados afirmam não possuir Plano Municipal de Políticas sobre Drogas em nenhuma de suas formas – seja vigente, desatualizado ou em elaboração.
Para a CNM, embora os municípios demonstrem estar exercendo autonomia em relação ao tema, com protagonismo na implementação das ações, as ações autônomas têm sido acompanhadas de grande responsabilização financeira local, “pela omissão da União no financiamento das ações”, diz a entidade em um trecho do estudo.
No estudo, a Confederação ressaltou que os resultados reforçam a necessidade de fortalecer a cooperação entre os diferentes níveis de governo e ampliar o apoio técnico e financeiro aos municípios para a implementação da política sobre drogas.
O estudo completo pode ser acessado em cnm.org.br.
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Baixar áudioDos 120 municípios da Região Centro-Oeste que participaram de levantamento da Confederação Nacional de Municípios (CNM), 91 não possuem Conselho Municipal de Políticas sobre Drogas (Comad). O número corresponde a 76% das cidades consultadas na região, segundo o estudo Entre responsabilidades e escassez de recursos: a implementação da política sobre drogas nos Municípios brasileiros, divulgado pela entidade.
A pesquisa também identificou que 15 municípios (13%) possuem conselho ativo, enquanto dez (8%) contam com a estrutura, mas ela está inativa. Outros quatro municípios não responderam à pergunta.
O levantamento também identificou dificuldades no planejamento e no financiamento dessas políticas. Na Região Centro-Oeste, 83 municípios não possuem Plano Municipal de Políticas sobre Drogas, enquanto 10 informaram que o documento está em elaboração.
Em relação ao financiamento, 103 dos 120 municípios consultados não possuem Fundo Municipal de Políticas sobre Drogas, o equivalente a 86% dos respondentes. Apenas duas cidades afirmaram que o tem o fundo ativo.
Considerando as fontes de financiamento utilizadas para a política de drogas no município, os entrevistados responderam um questionário com múltipla escolha. 76 municípios mencionaram que utilizam recursos próprios (63%), outros 17 mencionaram transferências estaduais e 19 apontaram que os recursos são provenientes de parcerias com organizações da sociedade civil.
Apenas dois municípios, localizados em Mato Grosso e em Mato Grosso do Sul, informaram utilizar recursos do Fundo Nacional Antidrogas (Funad).
No cenário total, 88,1% dos municípios considerados no estudo – o equivalente a 4.906 entes na amostra extrapolada – indicaram não possuir um fundo específico. Apenas 2,5% dos municípios do país possuem um fundo ativo, sendo o equivalente a 139 entes na amostra.
Em relação à ausência de conselhos municipais específicos, apenas 10,9% dos municípios possuem Conselho Municipal de Políticas sobre Drogas ativo e somente cerca de 11% dispõem de Plano Municipal vigente na área. Além disso, 72,2% dos entes pesquisados afirmam não possuir Plano Municipal de Políticas sobre Drogas em nenhuma de suas formas – seja vigente, desatualizado ou em elaboração.
Para a CNM, embora os municípios aparentem estar exercendo autonomia em relação ao tema, com protagonismo na implementação de ações, as ações autônomas têm sido acompanhadas de grande responsabilização financeira local, “pela omissão da União no financiamento das ações”, diz a entidade em um trecho do estudo.
No estudo, a Confederação destacou que os resultados reforçam a necessidade de fortalecer a cooperação entre os diferentes níveis de governo e ampliar o apoio técnico e financeiro aos municípios para a implementação da política sobre drogas.
O estudo completo pode ser acessado em cnm.org.br.
O levantamento foi realizado por meio de entrevistas telefônicas com gestores municipais entre 29 de outubro de 2025 e 18 de fevereiro de 2026. Ao todo, a pesquisa reuniu respostas de 1.567 municípios brasileiros.
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Baixar áudioO Ministério da Saúde divulgou o resultado do 2º ciclo do Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa). Dos 3.732 municípios que informaram os dados epidemiológicos à pasta, 49,2% estão em situação de alerta ou de risco para a presença do mosquito transmissor da dengue, da chikungunya e da zika.
Realizado entre maio e agosto de 2026, o levantamento aponta que a maior parte dos criadouros está em recipientes presentes no cotidiano da população. Vasos e pratos de plantas, garrafas e outros recipientes que podem acumular água representam 42,3% dos focos identificados.
Na sequência, aparecem os reservatórios de água, como caixas-d’água e tonéis, com 26,1%, e pneus e resíduos sólidos, como garrafas PET, latas e entulho, que correspondem a 23% dos criadouros.
O tipo de criadouro encontrado varia de acordo com a região do país.
Segundo o Ministério da Saúde, os Agentes de Combate às Endemias (ACE) atuam na prevenção e no controle das arboviroses, com a identificação e o tratamento de criadouros, além da orientação da população sobre medidas de prevenção. Até o fim deste ano, está prevista a formação de mais de 300 mil profissionais.
Entre as estratégias de controle do Aedes aegypti estão a Borrifação Residual Intradomiciliar em imóveis especiais — como escolas, unidades de saúde e locais de grande circulação —, as Estações Disseminadoras de Larvicida e o método Wolbachia.
Também são utilizadas as ovitrampas, dispositivos que permitem monitorar a presença do Aedes aegypti por meio da coleta de ovos do mosquito. A estratégia pode ajudar a identificar áreas com maior presença do vetor e está presente em aproximadamente 2 mil municípios, fornecendo informações complementares aos indicadores obtidos pelo LIRAa.
Com a aproximação do verão e as condições climáticas associadas ao El Niño, o Ministério da Saúde alerta para a necessidade de reforçar as medidas de prevenção durante o período de maior risco de proliferação do Aedes aegypti.
A pasta destaca que a participação da população é fundamental para evitar a formação de criadouros. A recomendação é realizar vistorias regulares dentro de casa e nas áreas externas para identificar e eliminar locais que possam acumular água.
Entre as principais orientações estão:
Mais informações estão disponíveis no Portal do Ministério da Saúde.
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Baixar áudioO Ministério da Saúde publicou a Portaria GM/MS nº 12.252, de 29 de setembro, que define regras para emendas parlamentares que destinarem recursos ao Sistema Único de Saúde (SUS) em 2027. A norma prevê limites de custeio e uso do dinheiro nos municípios brasileiros em relação às emendas individuais, de bancada estadual e de comissão permanente do Senado Federal, da Câmara dos Deputados e da Comissão Mista Permanente do Congresso Nacional.
Em nota, a Confederação Nacional de Municípios (CNM) alerta para a importância de os entes identificarem as novidades trazidas pelo instrumento infralegal. A entidade ressaltou, ainda, que os recursos oriundos das emendas parlamentares são temporários e, na avaliação da CNM, isso pode colocar em risco, principalmente, a manutenção de despesas regulares e permanentes.
A CNM também lamentou que a portaria preveja apenas a destinação de montantes de emendas parlamentares de incremento à Atenção Primária à Saúde (APS), o que limita a participação dos consórcios públicos na operacionalização de ações e serviços do SUS, segundo a confederação.
A entidade orientou que, embora os consórcios de Saúde não possam ser beneficiários diretos dos valores de incremento, o parlamentar pode indicar o município-sede para receber as emendas e, assim, beneficiar também o consórcio. A CNM ressalta, porém, que é preciso observar que o município-sede pode ter seu limite de transferências comprometido.
A orientação da CNM é de que os gestores estejam atentos aos critérios e regramentos da operacionalização, execução e prestação de contas dos recursos oriundos de emendas parlamentares.
A portaria fixa o teto máximo de transferências de recursos financeiros de emendas parlamentares para custeio nos três segmentos importantes do SUS: Atenção Primária à Saúde (APS), Atenção Especializada e Vigilância em Saúde.
Para a Atenção Primária à Saúde, o limite de incremento temporário para os municípios é de até 100% do somatório dos incentivos repassados em 2026 nas ações do Piso da Atenção Primária (PAP), somado ao incentivo do piso dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS). Já para os municípios com Indicador de Vulnerabilidade Social (IVS), o limite é de 20% sobre esse valor.
No caso da Atenção Especializada, os estados e municípios têm como limite de incremento o valor total estabelecido pelo teto do Financiamento da Média e Alta Complexidade (MAC) em 2026.
A esse montante, soma-se o incentivo anual destinado ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). Sobre esse limite, incidem acréscimos cumulativos, como o valor total da produção no Fundo de Ações Estratégicas e Compensação (FAEC), além de 30% para entes da Amazônia Legal e de 20% para entes com Índice de Vulnerabilidade Social (IVS) acima de 0,3 que possuam capacidade instalada.
Já as entidades privadas sem fins lucrativos e da administração indireta cadastradas no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) seguem com o limite correspondente a até 100% da produção aprovada no Sistema de Informações Ambulatoriais (SIA) e no Sistema de Informações Hospitalares (SIH) em 2026. Em nota, a CNM destacou que as propostas vinculadas ao Programa Agora Tem Especialistas garantem limite adicional de até 100% do teto do ente contratante.
No caso da Vigilância em Saúde, o incremento temporário do custeio das ações nos municípios para o cumprimento de metas operacionais e epidemiológicas adotará como parâmetro o valor vigente do Piso Fixo de Vigilância em Saúde (PFVS), seguindo alguns critérios. Confira quais:
Entre as novidades, a portaria prevê a aquisição de medicamentos do Componente Básico da Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (Rename), usados exclusivamente em ações e procedimentos assistenciais promovidos na APS. Os montantes para aquisição serão oriundos de emenda de incremento PAP. Já para medicamentos especializados, os recursos serão provenientes de emendas de incremento MAC.
Em nota, a CNM alertou que a compra de medicamentos de distribuição, dispensação ou entrega direta à população permanece proibida, sendo compreendida como despesa própria do financiamento da Assistência Farmacêutica.
A portaria também estabelece que os recursos de emendas parlamentares poderão ser utilizados para complementação dos valores de remuneração de procedimentos, ações e serviços de saúde executados no SUS e em montante superior aos saldos que constam na Tabela de Procedimentos, Medicamentos, Órteses, Próteses e Materiais Especiais do Sistema, conforme o estabelecido na Portaria de Consolidação GM/MS 6/2017.
A Portaria também autoriza a utilização de saldos remanescentes e rendimentos provenientes de emendas parlamentares, inclusive de exercícios anteriores. Esses valores deverão ser mantidos em contas específicas e aplicados em ações e serviços públicos de saúde, respeitando a finalidade que fundamentou a transferência e as ações previstas na Programação Anual de Saúde (PAS) e no programa de trabalho inicialmente pactuado.
A normativa ratifica, ainda, a proibição de saques em espécie de valores das contas bancárias específicas para as emendas parlamentares. Os recursos transferidos para contas de empresas beneficiárias finais também só poderão ser movimentados por meios eletrônicos autorizados pelos bancos. A CNM destacou que, na prática, os municípios não usam esse tipo de movimentação financeira desde 2011, quando foi publicado o Decreto Federal 7.507.
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Baixar áudioUm levantamento da Confederação Nacional de Municípios (CNM) mostra que a seca e a estiagem provocaram 35 decretações de anormalidade em 33 municípios da Região Norte entre 1º de julho e 15 de setembro de 2026, afetando mais de 426,3 mil pessoas.
O Acre é o estado que mais concentra ocorrências: foram 24 dos 35 registros de anormalidade na região no período, o equivalente a cerca de 69% do total. Na comparação com o mesmo intervalo de 2025, quando o estado teve 20 casos, o número de decretações no Acre cresceu 20%. O Amazonas aparece em segundo lugar, com seis registros, seguido do Pará, com três. Roraima e Rondônia tiveram um registro cada.
Segundo a CNM, os prejuízos econômicos provocados pela estiagem na Região Norte somam R$ 632 milhões no período. O levantamento detalha perdas de R$ 46,8 milhões na agricultura, R$ 32,6 milhões na pecuária e R$ 17 milhões relacionados ao abastecimento de água potável - setores diretamente afetados pela redução das chuvas e pela queda no nível de rios e reservatórios.
O quadro no Norte integra um alerta mais amplo feito pela CNM sobre os efeitos do El Niño 2026/2027 no país. Segundo boletim da entidade, a previsão sazonal para o trimestre de setembro a novembro deste ano aponta maior probabilidade de chuvas abaixo da média em grande parte do território nacional, incluindo a própria Região Norte, além de temperaturas acima da média em todo o Brasil.
De acordo com a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), há cerca de 69% de probabilidade de o El Niño atingir intensidade histórica entre outubro e dezembro deste ano, podendo superar eventos já registrados desde 1950.
Diante desse cenário, a CNM orienta os municípios a fortalecerem a prevenção e a preparação para os próximos meses, com medidas como atualização dos planos de contingência, mapeamento de áreas de risco, reforço das equipes locais de Defesa Civil, realização de vistorias em áreas vulneráveis e manutenção de sistemas de monitoramento e alerta.
A entidade também recomenda maior articulação entre municípios, estados e União para a resposta a situações de emergência.
Copiar o textoCom a onça do ouro negociada em torno de US$ 4.300, depois de ter superado US$ 5.000 no pico recente, o setor mineral brasileiro vive um momento raro de margens amplas, captações bem-sucedidas em bolsa e investidores à procura de ativos. Porém, o recado mais repetido no seminário "Além das Onças: presente e futuro dos projetos de ouro no Brasil", realizado pela Brasil Mineral no dia 22 de setembro de 2026, no Auditório Mattos Filho, na Avenida Faria Lima, em São Paulo, foi outro: preço alto, por si só, não resolve os gargalos que separam um bom depósito de uma mina lucrativa.
A programação foi dividida em cinco blocos. Uma palestra de abertura tratou do mercado de ouro, globalmente e no Brasil. Os três painéis seguintes discutiram, nesta ordem, a passagem da prospecção à mina, os novos players do ouro no país e a produção responsável. Um bate-bola de encerramento foi dedicado aos caminhos para financiar projetos. O evento tratou de lead time, falta de profissionais, engenharia imatura, juros, insegurança regulatória, garimpo, rastreabilidade, descarbonização e acesso ao mercado de capitais.
O evento contou com o patrocínio das seguintes empresas: MID Infraestrutura, SBF Engenharia, Core Case (Categoria Master); AngloGold Ashanti, PA Gold, Ero Brasil Xavantina, Geosol, Mining Ventures, Kinross e CMOC (Categoria Ouro); Brinks, Tracbel, Metso, Fagundes (Categoria Prata), além do apoio da Mattos Filho, AP consultoria e Frederico Bedran Advogados. O encontro deu sequência à edição de 2025, também dedicada ao metal.
Anfitrião do encontro, Adriano Trindade, sócio e head de mineração do Mattos Filho e conselheiro da Brasil Mineral, contou que o escritório começou há três anos a promover eventos com o objetivo de "trazer a mineração para a Faria Lima", aproximando o setor do mercado financeiro paulista. Segundo ele, naquela época talvez ninguém imaginasse que a mineração se tornaria tema de campanha eleitoral e do discurso do presidente da República na Assembleia Geral das Nações Unidas. "Isso mostra o tanto que a mineração tem se tornado mais dinâmica e talvez até mais desafiadora para pensar o futuro", afirmou.
O advogado Frederico Bedran, do escritório Frederico Bedran Advogados e também conselheiro da revista, brincou que no evento anterior "o valor da onça subiu só por conta do nosso evento", mas foi ao ponto ao descrever o descompasso entre a demanda de investidores e a oferta de ativos. Segundo ele, toda semana algum investidor nacional ou estreante no setor pergunta se ele tem um projeto de ouro licenciado e em produção. "A minha resposta é: se você tiver, também tenho interesse." Para Bedran, o papel de encontros como esse é mostrar a dinâmica real do setor, que não é fácil e tem desafios, mas que justamente por isso exige reunir as melhores cabeças.
"A relação reserva/ produção é de 20 anos, muito próximo desse lead time de 16 anos. Então a gente tem essa pressão por tempo para a reposição das reservas."— Gilberto Azevedo
A palestra de abertura coube a Gilberto Azevedo, engenheiro de minas pela Universidade Federal de Ouro Preto, com MBA empresarial e mestrado em administração pela Fundação Dom Cabral. Ex-presidente da Kinross Brasil Mineração, maior produtora de ouro do país, ele hoje ocupa a vice-presidência sênior de Novos Negócios da empresa. Azevedo abriu sua apresentação com uma foto de aves no Parque Estadual de Paracatu, que apresentou como um dos legados da companhia, e com um mapa de palavras gerado por inteligência artificial para medir, de forma qualitativa, os temas que mobilizam a conversa sobre o setor. Ele chamou atenção para a predominância de verbos como ampliar, pesquisar, investir, desenvolver e explorar, que, em sua opinião, denotam uma dinâmica intensa.
Na visão do executivo, mais importante do que o crescimento de cerca de 17% na demanda global nos últimos 15 anos é a mudança de perfil dessa demanda. A participação de bancos centrais e do investimento saltou de cerca de 40%, em 2010, para aproximadamente 60% em 2025. É um dos vetores que impulsionam a procura por novos projetos e por ativos de ouro.
O outro vetor, que segundo ele "nem sempre aparece tanto", é a necessidade de reposição de reservas. As reservas globais somam cerca de 2 bilhões de onças, para uma produção anual de aproximadamente 104 milhões de onças, o que resulta numa relação reserva/produção média de cerca de 20 anos. A reposição, lembrou, só pode vir de duas fontes: a conversão de recursos em reservas ou a descoberta de novos depósitos. Quando ela ocorre pela conversão de recursos, viabilizada justamente pela alta de preço, carrega implícita uma elevação do custo de produção.
Uma dificuldade é o tempo, já que o lead time médio entre descoberta e início de operação é de 16 anos no mundo e de cerca de 17,3 anos no Brasil, sem levar em conta a taxa de insucesso da exploração. Se a conta começar no início da pesquisa, o prazo fica ainda maior. "A relação reserva/produção é de 20 anos, muito próximo desse lead time de 16 anos. Então, temos a pressão por tempo para a reposição das reservas", disse o executivo.
Azevedo organizou os desafios em quatro frentes. A primeira é o licenciamento, que responde por boa parte do lead time e cuja principal fragilidade é a falta de previsibilidade dos prazos. A segunda é o conhecimento geológico: apenas 28% do território brasileiro está mapeado na escala de 1:100.000 e 53% na de 1:250.000, o que traz incerteza, encarece a pesquisa e reduz, num primeiro momento, a atratividade para investimento. A terceira é a necessidade de capital. Com um intervalo tão longo entre a descoberta e a entrada em operação, o projeto precisa ser financiado por muitos anos com fluxo de caixa negativo, o que exige cooperação dentro do setor.
A quarta frente é a sustentabilidade, que ele definiu como equilíbrio entre ambiente, benefício social e resultado econômico. Nesse campo, Gilberto destacou a pressão crescente pelo consentimento prévio e informado das comunidades e três temas de gestão ambiental: biodiversidade, água e rejeitos. Somam-se a eles a previsibilidade do licenciamento, a descarbonização e a eficiência energética, tanto pela questão climática quanto pelo custo da energia, e a sustentabilidade econômica de longo prazo. "A sustentabilidade é o fiel dessa balança", afirmou. Ele encerrou sua apresentação deixando uma pergunta: como maximizar a eficiência da mineração de ouro nesse contexto?
O primeiro painel foi moderado por Hélcio Guerra, sócio da BIS Invest Fusões e Aquisições, engenheiro metalurgista pela UFMG, com passagens pela Vale, pela AngloGold Ashanti Brasil Mineração e pela Mineração Serra Grande, e ex-vice-presidente sênior Américas da AngloGold Ashanti. Guerra foi escolhido personalidade do ano do setor mineral pelos leitores de Brasil Mineral em 2014 e 2016.
O moderador propôs um debate menos conceitual e mais apoiado na experiência de quem atua em cada elo da cadeia, da exploração à operação, passando pelo desenvolvimento e pela implantação. Ele lembrou que se trata de um processo multidisciplinar, complexo e longo, cujos prazos muitas vezes superam o ciclo de preços das commodities. O risco, disse, é o "efeito manada": investir quando o preço está no topo, como o investidor que compra ações quando a bolsa está em alta, e ser surpreendido no meio do caminho. "O projeto de mineração é igual a videogame: você passa de fase, passa outra fase, está sempre numa fase na frente, e nunca chega no final", disse Guerra.
João Luiz Nogueira de Carvalho, engenheiro geólogo formado em Ouro Preto, com 35 anos no setor, presidente da Geosol e da Geopar, diretor executivo da Associação Brasileira de Pesquisa Mineral (ABPM) e conselheiro da Adimb, começou pelo início da cadeia: a seleção de área e a obtenção de licença ambiental para sondagem e coleta de amostras. Tudo, disse, depende de legislação e licenças, da licença de instalação à de operação, e acima de todas elas está a licença social.
"Todo mundo só fala em terras raras. Mas a commodity que desponta em pesquisa e análise química mineral é o ouro."— João Luiz Nogueira de Carvalho, Geosol e ABPM
Carvalho destacou três necessidades em que empresas, associações e institutos vêm trabalhando: a liberação de áreas pela agência reguladora que, segundo ele, deveria estar disponibilizando vários prospectos e não está; uma regulação clara e transparente; e celeridade. Ele comparou o projeto de exploração a um empreendimento imobiliário, que também exige selecionar a área, fazer o projeto, obter licenças e construir a relação com o entorno. A diferença é que a mineração ainda precisa pesquisar para encontrar aquilo que vai se tornar um ativo. "Nós estamos na Faria Lima, então aqui é um bom ambiente para falar sobre mineração e investimentos", observou. Enquanto o Brasil leva cerca de 17 anos para pôr uma mina em operação, outros países fazem isso em 12 a 14 anos. Nesse intervalo, disse, o país pode perder o "bonde" de um momento que classificou como ímpar para o ouro.
O geólogo apontou vantagens brasileiras num mundo marcado por guerras e instabilidade econômica e política: relativa tranquilidade institucional e um vasto potencial geológico ainda desconhecido, com apenas 53% do território mapeado na escala de 1:250.000 e pouco investimento em sondagem e geofísica terrestre e aérea. Esse potencial, porém, só atrai capital com legislação clara, e o capital precisa entender que mineração é investimento de médio e longo prazo, com retorno maior que o de certificados como CRIs e CRAs. Carvalho sugeriu a criação de um certificado de recebíveis de mineração, ou de commodities minerais, começando pelo ouro.
Com base no que a Geosol acompanha, ele trouxe um dado que surpreendeu parte da plateia: o ouro responde por 52% das análises químicas feitas para pesquisa mineral no Brasil. Em seguida vêm metais-base, ferro, lítio e terras raras. Em sexto lugar, com 3%, aparecem as rochas usadas no intemperismo acelerado (ERW, na sigla em inglês), tema que, segundo ele, quase ninguém discute. "Todo mundo só fala em terras raras, né? Mas a commodity que desponta em pesquisa e análise química mineral é o ouro."
Instado pelo moderador a dizer o que o investidor estrangeiro olha primeiro no Brasil, Carvalho respondeu que, depois de entender a geologia, cujas informações hoje estão disponíveis à distância, ele quer saber se existe uma indústria de serviços capaz de sustentar a exploração e a implantação. Os estrangeiros se surpreendem, contou, ao visitar laboratórios que processam 1,3 milhão de amostras e empresas de sondagem com 1,5 milhão de metros perfurados. Ele lembrou a montagem da mina S11D, em Carajás, com 116 módulos do tamanho de prédios de quatro ou cinco andares montados com mão de obra treinada no país, e citou a Embraer como prova de capacidade industrial.
Os problemas que o investidor percebe, segundo Carvalho, são outros. O primeiro é a mão de obra: "Hoje em dia não são as pessoas que procuram emprego, mas o emprego que procura as pessoas." O segundo é o custo de capital, que faz o dinheiro vir de fora, porque ninguém quer investir com juros de 12%, quando lá fora eles estão entre 2% e 4%. O terceiro é o licenciamento. O quarto é a instabilidade institucional. Ele citou a criação do Conselho Nacional de Mineração na semana anterior ao evento, no qual o Ibram tem representação, e ideias anteriores de criar uma estatal do setor. "Essas questões que o governo vai criando assustam, afugentam todo e qualquer investidor que venha para cá."
Hélcio Guerra acrescentou que o subsolo pouco explorado tem um lado negativo (a falta de conhecimento) e um positivo (a oportunidade). Ele observou, porém, que o país ainda não encontrou outra mina como Paracatu. Os depósitos caracterizados até aqui são de porte médio-grande a médio-pequeno, o que pode ser uma característica geológica ou reflexo da própria imaturidade da exploração.
Walace Monteiro, da MID Infraestrutura, engenheiro mecânico pela Universidade Federal de Juiz de Fora, pós-graduado em gestão de projetos pela FGV e com 25 anos de experiência em projetos no regime EPC, apontou um desperdício recorrente. Os projetos levam em média 15 ou 16 anos para sair do papel, mas esse tempo raramente é usado para investir numa engenharia de qualidade. A contratação de uma empresa capaz de detalhar o projeto costuma ficar para o fim da linha, com prazos quase inexequíveis, e o projeto acaba sendo tocado em fast track.
A alternativa que ele vem defendendo nos últimos três anos, junto a clientes e empresas de engenharia, é o envolvimento antecipado do construtor (early contractor involvement). A ideia é trabalhar ao máximo a modularização, a customização das especificações e a padronização, para que, no momento da decisão de implantação, o que chega ao canteiro seja cada vez mais engenheirado e pré-montado. Isso responde a uma restrição cada vez mais séria: a falta de mão de obra disponível. Os projetos de ouro costumam estar em locais pouco privilegiados, que exigem levar junto a infraestrutura para acomodar os trabalhadores. Guerra comentou que o conceito exige pensar o projeto de forma matricial, e não sequencial, até porque muitas vezes quem projeta não é quem constrói nem quem vai operar.
Mais adiante, perguntado sobre como uma empresa de serviços de engenharia, intensiva em mão de obra e em capital, mantém a competitividade num setor de altas e baixas, Monteiro disse que "a sabedoria está nas pessoas" e em retê-las para levar a cultura e as lições aprendidas de um projeto ao seguinte. O que vem funcionando, contou, é a meritocracia. No início de cada projeto são definidos cinco indicadores, medidos trimestralmente, e a remuneração variável, do chão de fábrica à coordenação, fica atrelada a cronograma, qualidade, segurança e custo. O modelo funciona como uma aliança que envolve toda a força de trabalho e tem mantido a rotatividade num patamar baixo. Monteiro lembrou projetos em que a rotatividade passou de 10%, com custo dobrado: o de repor o trabalhador e o do atraso no cronograma. "O custo que você tem precisa ser encarado como investimento na meritocracia, e ele é menor do que essas perdas."
Ediney Drummond, country manager da Hochschild Mining no Brasil, responsável pela operação de Mara Rosa (GO) e pelo projeto Monte do Carmo (TO), concordou com a importância da maturidade da engenharia, mas disse que, superadas a engenharia e a questão do capital, o foco precisa ir para a capacidade de execução, que passa sobretudo por pessoas: primeiro para implantar e, depois, para operar.
Drummond descreveu uma rotatividade de pessoal "nunca vista" no setor, pelo menos nos anos em que ele atua, e que não é exclusividade de uma empresa. Pessoas que lideram processos importantes muitas vezes não tiveram tempo suficiente para se preparar. "Nós estamos queimando etapas por necessidade. Não é porque esse grupo aqui faz uma gestão ruim de pessoas." Segundo ele, isso coloca em xeque a continuidade plena de funcionamento de um projeto.
O segundo ponto crítico, disse, são os parceiros de serviço de longo prazo. Há alguns anos, prestadores de serviço ficavam dez ou 12 anos numa operação. Hoje, manter um contrato de três anos é difícil, e cada troca interrompe ciclos naturais de melhoria contínua e estabilidade. "Começa do zero."
Por fim, ele lembrou que um bom recurso geológico não é necessariamente um bom negócio. Ele só vira negócio quando as onças que estão na terra se transformam em "fluxo de caixa previsível, sustentável e seguro". Com uma operação em curso, um projeto greenfield prestes a sair e atenção ao mercado de aquisições, a Hochschild considera decisivo, na hora de avaliar um ativo no Brasil, saber em que estado ele está. "O Brasil é muito grande, existem muitos Brasis. Nós temos clareza na nossa visão, onde queremos estar e onde temos reticências de estar."
"O preço alto do ouro não deve ser confundido com licença para investir mal."— Ediney Drummond, Hochschild Mining
O relato mais franco do painel veio quando Hélcio Guerra perguntou como conciliar crescimento, preservação de caixa e ciclo de mercado, num momento em que o preço desperta a vontade de crescer em acionistas e mercado ao mesmo tempo em que os custos sobem. "É o sanduíche, pressão de todo lado", respondeu Drummond. Ele contou que o projeto Monte do Carmo tem licença de instalação, capital, acesso à terra e boa relação com todos os órgãos públicos, mas ainda não tem um grau de maturidade de engenharia suficiente, e por isso a empresa decidiu não avançar. A pressão vem de analistas e grandes investidores, que perguntam em todas as conversas por que o projeto não andou. "Nós estamos sendo firmes e segurando para não avançar. Mas confesso a todos aqui que é difícil."
A cautela, explicou, vem da experiência de Mara Rosa, iniciada num contexto muito diferente e com um nível de maturidade de engenharia menos satisfatório. O projeto foi entregue no prazo e no orçamento, mas o ramp-up está levando muito mais tempo do que o normal, e a empresa teve de fazer, depois da entrada em operação, investimentos de capital que deveriam ter sido feitos na fase de projeto. Ediney lembrou que os projetos da empresa, ao contrário de Paracatu, são de pequena e média escala. "Um projeto de pequena escala não aceita desaforos. O grande também não, mas tem uma flexibilidade um pouco maior." Se fosse pelo preço do ouro, concluiu, a construção de Monte do Carmo já estaria a todo vapor.
Lucas Laghi, sócio e diretor de equity research da XP, onde lidera há mais de seis anos a análise dos setores de mineração, siderurgia, papel e celulose e bens de capital, respondeu à pergunta sobre se existe dinheiro para financiar projetos de ouro com uma leitura do cenário global. De um lado, guerras, conflitos, energia cara e tarifas americanas tornam o mundo cada vez mais inflacionário. De outro, investimentos trilionários em infraestrutura de inteligência artificial e data centers puxam capital, e os bancos centrais relutam em elevar demais os juros.
Em sua visão, o ouro é menos uma proteção contra a inflação do que uma proteção contra juros reais baixos ou negativos. "Juro real negativo é um demonstrativo de que aquela moeda não é capaz de reter valor", explicou, lembrando que essa característica sustentou o dólar como moeda de referência no último século. O simples fato de o mercado cotar o ouro em dólares por onça, observou, já mostra um dos motivos da alta: o dólar vem perdendo valor. Somam-se a isso a demanda de bancos centrais, a tendência de desdolarização e os fluxos para ETFs, vindos sobretudo da Ásia, mas também da Europa e dos Estados Unidos. Estes últimos são mais sensíveis a preço e mais voláteis: entram quando se espera alta e saem ao primeiro sinal de queda.
O principal risco, na avaliação de Laghi, está no petróleo. A alta da energia pressiona a inflação e pode forçar os bancos centrais a subir juros. Isso ainda não está acontecendo: nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump pressiona o presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, a baixar os juros, e ele tem resistido. O cenário de juros reais americanos continua favorável ao ouro.
No Brasil, o obstáculo é a Selic de 13,75%, que eleva o custo de oportunidade do investidor local, já tradicionalmente receoso com projetos pré-operacionais. No Canadá, os juros estão em 2,25%, e na Austrália, em 4,35%, o que explica o maior apetite por risco nesses mercados. Ainda assim, Laghi se disse otimista: mesmo com custos em alta, o preço atual garante "um baita retorno" para os projetos em implantação, e a XP vê crescimento de produção e de fluxo de caixa em várias empresas que acompanha. "O que falta fechar a equação são os juros."
Preço recorde põe à prova a capacidade do Brasil de transformar recurso em mina
Hélcio Guerra pediu ao analista que explicasse como o mercado precifica um projeto à medida que seus riscos vão sendo mitigados. Laghi descreveu a lógica. O ponto de partida é o fluxo de caixa potencial do projeto, considerando apenas as reservas e excluindo os recursos, trazido a valor presente com uma taxa de desconto proporcional ao estágio de risco. Empresas pré-operacionais listadas costumam valer de 20% a 30% desse valor presente, ou seja, negociam a um price to NAV de 0,2 a 0,3. À medida que o projeto obtém licenças, corrobora a engenharia e começa a produzir, o múltiplo se aproxima de 1.
Com um histórico de exploração que compense a exaustão natural do ativo convertendo recursos em reservas, o mercado passa a incluir os recursos na conta. As grandes produtoras, acima de um "número mágico" de cerca de 1 milhão de onças anuais, que permite modelar perpetuidade, costumam negociar acima do NAV, a 1,2 ou 1,3 vez, porque o mercado passa a pagar por crescimento, por fusões e aquisições e por novos projetos.
Hélcio Guerra complementou com o conceito de opcionalidade, que considera fundamental a partir da própria carreira. Ter recursos geológicos trabalhados, plantas modulares que permitam ganhar escala e projetos brownfield, e não apenas greenfield, permite responder rapidamente a uma alta de preços. "Em vez de estar consumindo capex, você está gerando resultado com o próprio negócio."
No encerramento do painel, foi perguntado a Laghi qual seria o impacto de um movimento de países para retirar suas reservas de ouro custodiadas nos Estados Unidos. O analista disse não ter uma visão clara, mas observou que, no ouro, a oferta tende a pesar menos na formação de preço que a demanda de investimento e de bancos centrais. A questão central, disse, é quem substituirá o dólar como reserva de valor. Entre o ouro, o yuan e as criptomoedas, ele se disse mais propenso ao ouro, por sua característica intrínseca de escassez, mas ponderou que é difícil apostar contra o dólar e que muito do cenário atual está ligado ao governo Trump, cujo futuro será testado nas eleições de meio de mandato, em novembro. Ele lembrou ainda que a China tem acelerado as compras de ouro por seu banco central.
O segundo painel foi moderado por Camilo Farace, administrador com especialização no Brasil, na África do Sul, na França e nos Estados Unidos, 40 anos de setor mineral, ex-membro do Ibram e da Fiemg, ex-presidente da Fundação Renova e conselheiro de Brasil Mineral. Farace trabalhou 32 anos na AngloGold Ashanti, de quem foi presidente no Brasil.
Ele abriu o painel com uma coletânea de manchetes publicadas pela Brasil Mineral nos últimos 12 meses, entre elas a meta da G Mining de chegar a 500 mil onças em três anos, a produção trimestral recorde da Serabi em cinco anos, a revelação de Nova Xavantina, da Ero, como a mina de maior teor do país, a venda de minas da Equinox Gold à CMOC por US$ 1 bilhão, o plano da Hochschild de investir até US$ 225 milhões em 2026, a aquisição de um novo projeto pela PA Gold, a produção recorde de Jacobina, o avanço da Australian Mines em Boa Vista, o IPO da Amapá Minerals e, na véspera do evento, uma nova captação da Aura. Pelos cálculos de Farace, as cerca de 600 mil onças produzidas por Paracatu equivalem hoje a uma receita da ordem de US$ 2,5 bilhões.
Em seguida, Farace mostrou a curva de produção da AngloGold Ashanti, que opera de forma contínua no Brasil desde 1834, primeiro como Saint John d'el Rey Mining Company, depois como Mineração Morro Velho e, por fim, sob a marca atual. A empresa já produziu cerca de 30 milhões de onças no país. O moderador pediu que levantassem a mão os presentes que contribuíram, direta ou indiretamente, para esse número, e boa parte da sala se manifestou. Farace disse se incomodar sempre que ouve que "mineração só dá uma safra". "Atenção: essa é a primeira da AngloGold. O que vem pela frente, com certeza, são grandes outras oportunidades."
Ao apresentar a produção das empresas que operaram no país desde 2000, o moderador contestou a ideia de que o Brasil é necessariamente lento. Ele perguntou à platéia quanto tempo a G Mining levou entre a obtenção da licença de instalação e a primeira onça em Tocantinzinho, e a resposta veio de representantes da empresa: 23 meses. Leonardo Guimarães Oliveira contou que a PA Gold entrou no projeto em 2011, fez 45 mil metros de sondagem, obteve a licença de instalação em 2021 e produziu a primeira barra em março de 2023, depois de três anos de implantação. "A despeito da informação do Gilberto não estar inadequada para o cenário global, podem ter certeza de que nesse país é possível produzir com velocidade e agilidade também", disse Farace.
O moderador lembrou ainda a trajetória de Jacobina, na Bahia. A operação foi implantada pela Morro Velho, fechada anos depois por conta do contexto da época e vendida pela Anglo American. Ficou paralisada por alguns anos, foi retomada pela Yamana e, desde 2005, cresce continuamente, produzindo hoje quase 200 mil onças, pela Pan American Silver. "Se em determinado período ela foi considerada inviável, hoje produz quase 200 mil onças e ainda tem um futuro grande pela frente. A conjuntura é altamente determinante daquilo que a gente pode produzir." Ele destacou também o papel da Yamana, que chegou a produzir em média mais de 400 mil onças por ano, incluindo o ouro de Chapada.
O moderador apontou um paradoxo na curva agregada. A produção brasileira cresceu de forma expressiva entre 2007 e 2016, período em que o preço não era tão atrativo e em que o setor "penou" com a queda de 2011 e 2012. Os projetos feitos naquela época sustentaram o crescimento seguinte. Agora, no momento de preços mais favoráveis, os dados oficiais, baseados na arrecadação da CFEM (Contribuição Financeira pela Exploração Mineral), mostram queda. Farace preferiu não opinar sobre se esse recuo é real, deixando a avaliação a cada um.
Com dados do World Gold Council publicados pela Brasil Mineral, ele mostrou que, no primeiro trimestre de 2025, o custo médio de produção foi de cerca de US$ 1.539 por onça, contra preço médio de US$ 2.854. No primeiro trimestre de 2026, mesmo com custos maiores, a margem chegou à ordem de US$ 3.000 por onça. "É um ambiente de alta favorabilidade. Porém, se não tivermos juízo para tomar a decisão de implantar um projeto de ouro, podemos cair numa situação difícil."
Leonardo Guimarães Oliveira, da PA Gold, informou que iniciou sua carreira há 13 anos como auxiliar de mecânico no pátio de manutenção da PH Intralogística, empresa da família, tornou-se gerente-geral de operações da PA Gold aos 21 anos e hoje é acionista e presidente do conselho de administração da empresa. Ele descreveu a mina Paraíba, em Peixoto de Azevedo, no norte de Mato Grosso, uma mina subterrânea mecanizada em veios estreitos, com planta própria e produção de 35 mil onças por ano. Cerca de 60% da produção sai em bullion, pela rota de gravimetria, 40% em concentrado de ouro e cobre. A empresa implanta um circuito CIL que deve elevar a recuperação global de 90% para 95% ou 96%. A reserva atual é de 550 mil onças.
"Todo mundo está brigando com todo mundo de foice, um tomando o funcionário do outro. No final, vai ter muita empresa e pouca mão de obra."— Leonardo Guimarães Oliveira, PA Gold
No fim do ano passado, a PA Gold fez sua primeira aquisição: o projeto Sertão, em Faina (GO), antiga mina operada pela Troy. A meta, que Oliveira classificou como "um pouco ambiciosa", é chegar a 150 mil onças anuais até 2032, com três ativos de 50 mil onças cada: Paraíba ampliada, a mina Sertão e um terceiro projeto que ainda está sendo buscado. "Acreditamos que o Brasil tem uma geologia excelente, pouco explorada, e queremos fazer parte dessa mudança, colocando novos projetos em operação."
Perguntado sobre o perfil dos ativos que procura, ele disse que a PA Gold não se vê como desenvolvedora de projetos greenfield, que exigem mais tempo e risco. "Fazer uma sondagem para descobrir é diferente de fazer uma sondagem de adensamento." Como a empresa já opera, precisa aproveitar o preço alto pelo maior tempo possível. Busca projetos semelhantes ao que já tem, com reserva comprovada entre 150 mil e 200 mil onças e potencial de 600 mil a 700 mil onças. "Não queremos dar um passo maior que a perna neste momento."
Eduardo De Come, vice-presidente executivo da Ero Brasil, que foi CFO da companhia de 2013 a 2022, tem mais de 30 anos de experiência em gestão financeira, 17 deles em empresas de commodities como agronegócio, biocombustíveis e mineração. É economista e mestre em finanças pela USP, com MBA pela Universidade de Manchester.
De Come apresentou a operação de Nova Xavantina (MT), que pertencia à antiga Mineração Caraíba. Comparada aos grandes players presentes, disse, é "uma adolescente", com 13 anos de operação e produção de 60 mil onças por ano. O teor alto garante boa lucratividade, e as reservas asseguram mais dez a 12 anos de operação. No ano passado, por razões de modernização e segurança, a mina trocou a lavra manual (adequada aos veios estreitos mas que expunha as pessoas a maior risco), por lavra mecanizada, graças à evolução dos equipamentos. A planta tem capacidade ociosa, e o foco agora é geologia, para ampliar reservas e produção.
Sobre a atratividade do Brasil, De Come dividiu a resposta em duas partes. A primeira é o próprio ouro: a incerteza global, o papel de reserva de valor e a recomposição de reservas pelos bancos centrais sustentam o preço, e ele não vê uma volta ao patamar anterior no curto prazo. A segunda é o país. A geologia pouco explorada é um trunfo, com jurisdições tradicionais como Minas Gerais, Bahia e Pará e áreas novas ganhando expressão, como Mato Grosso e Amapá. Há uma cadeia de valor estabelecida, de fornecedores de geologia a empresas de engenharia, e universidades como Ouro Preto, a UFMG e a Poli-USP, que são referências mundiais. E há estabilidade: apesar de taxas estaduais pontuais e da demora no licenciamento, a democracia estável e as relações diplomáticas colocam o país em boa posição. "Quem está aqui dentro pode falar mal, mas para quem está de fora temos que equilibrar. Se o preço alto atrai o investidor para o ouro, a estabilidade atrai para o ouro no Brasil."
Farace endossou a avaliação, dizendo-se "mineiro três vezes": brasileiro, mineiro e atleticano. Contou já ter ouvido de investidores estrangeiros certa aversão a vir para o Brasil e defendeu que o setor precisa se comunicar melhor lá fora, já que boa parte do capital de risco ainda vem do exterior. Ele considerou um incômodo o país ocupar hoje a 14ª posição entre os produtores mundiais de ouro, depois de já ter sido o quinto.
Edvaldo Amaral, engenheiro de minas, country manager da Pan American Silver Brasil desde 2023, com 33 anos de experiência nas indústrias química e de mineração, presidente do Sindicato da Indústria Mineral da Bahia (Sindimiba) e diretor suplente da Fieb, contou que Jacobina passou para a Pan American em 2023, com a compra de parte dos ativos da Yamana. A Pan American é uma mineradora de prata, mas, como a prata está muito associada ao ouro, as aquisições costumam trazer minas de ouro junto. "Até hoje o pessoal ainda fala Morro Velho, é difícil tirar da cabeça da turma", brincou. A mineração na região vem do século XVII, e Jacobina abrigou a primeira casa da moeda do país, embora, lamentou, o Brasil não tenha cultura de preservar esse patrimônio.
Dos cerca de 6 milhões de onças de ouro nos recursos da Pan American, divulgados no mês do evento, Jacobina responde por metade. O inventário mineral da operação é de 8 milhões de onças, com 3 milhões em reservas. O depósito mergulha e é cortado por uma intrusiva, e em algumas minas, como Morro do Vento e Canavieiras, a empresa já encontrou continuidade do outro lado. "Dá para a gente se aposentar aqui, filhos, netos." A operação, porém, é difícil: teor de 1,7 grama por tonelada, baixo para uma mina subterrânea, minério altamente abrasivo, a ponto de a broca precisar ser trocada a cada 20 metros perfurados e o revestimento do moinho a cada 15 dias, e cinco minas em operação ao longo de quase 14 quilômetros de strike. A barragem de rejeitos tem vida útil de mais oito anos. A empresa já pediu licença para empilhamento a seco e começa a estudar o uso de pasta no enchimento, o que permitirá aproveitar mais as reservas.
Sobre segurança jurídica e licenciamento, Amaral lembrou que em muitas cidades as mineradoras estão praticamente dentro da área urbana: em Jacobina, a comunidade é "porta a porta" com a operação. Cabe às empresas fazer o dever de casa para conviver de forma harmônica com a sociedade. Para ele, o agronegócio faz um bom trabalho de comunicação, e a mineração "precisa mostrar mais a cara", papel que tenta cumprir no Sindimiba (sindicato que congrega as empresas de mineração do estado da Bahia). Ele disse que as dificuldades regulatórias não são exclusivas do Brasil, mas previu que a discussão sobre minerais críticos pode ser um divisor de águas. "O cavalo está passando e a gente tem que montar nele. Se perdermos essa oportunidade, não só no ouro, mas também em terras raras, vai ser ruim." Na avaliação dele, o próximo ano deve ser muito favorável à mineração no país, desde que governo, empresas e investidores trabalhem por segurança jurídica e licenciamento mais ágil.
Farace concordou e lembrou que, até há pouco tempo, era um incômodo para o setor procurar o Ministério de Minas e Energia e encontrar no primeiro escalão pessoas que não conheciam a mineração. Hoje, disse, o setor ocupa um espaço de relevância que não tinha.
Perguntado sobre os desafios de infraestrutura e logística, Oliveira disse que o maior problema da PA Gold são as pessoas. Uma empresa nova, de 35 mil onças, compete por profissionais com operações próximas a grandes centros, onde há shopping e lazer no fim de semana. No nível operacional, a concorrência é o garimpo: um operador de caminhão no garimpo da região pode ganhar R$ 15 mil por mês. A empresa aposta na capacitação de mão de obra local, num plano de remuneração variável acima do mercado e em alternativas como o trabalho remoto para algumas funções.
Na operação, o gargalo são as peças. Oliveira admitiu que a empresa, como estreante, errou ao não formar estoques robustos e "passou muito aperto" nos dois primeiros anos. O prazo entre a requisição e a chegada de uma peça é de 32 dias. Ele acrescentou um dado que agrava a disputa: seis minas subterrâneas estão sendo abertas no país neste ano, e operadores de equipamentos como jumbo e Simba levam mais tempo para serem formados. "Do jeito que o mercado está, todo mundo está brigando com todo mundo de foice, um tomando o funcionário do outro. No final, vai ter muita empresa e pouca mão de obra." Ele propôs que as empresas do setor se unam para criar escolas, o que, sem sua visão, beneficiaria também a sociedade.
De Come contou que a Ero enfrenta as mesmas dificuldades em suas três minas, no interior do Pará, no sertão da Bahia e no interior de Mato Grosso. Antigamente, disse, quem se formava em engenharia de minas ou geologia sabia que trabalharia em área remota, e um bom salário resolvia. Hoje, o profissional quer saber como vai se desenvolver, que tipo de liderança terá, se haverá escola e lazer para a família e se conseguirá ficar conectado. "Se você vai para um lugar que não tem Wi-Fi nem sinal de celular, o cara fica louco." A mineração, que historicamente tem a imagem de uma indústria mais bruta, precisa de lideranças mais preparadas. E disputa talentos com a engenharia de computação, impulsionada pelos investimentos em inteligência artificial, e com o próprio mercado financeiro da Faria Lima. Para ele, a saída passa por parcerias com universidades e com o Senai e pela formação de mão de obra local, que já aceita o ambiente em que vai trabalhar. "Não é porque a região é remota que a carreira tem que ser remota. Se ficarmos focados só em salário, os poucos que existem vão ganhar cada vez mais, mas não vai resolver o problema da indústria."
"Não é porque a região é remota que a carreira tem que ser remota."— Eduardo De Come, Ero Brasil
Farace trouxe dados do MEC segundo os quais o número de ingressantes em Engenharia de Minas e Geologia caiu de 32 mil em 2013 para 7 mil em 2024. "Nós vamos ter que usar bastante inteligência artificial no planejamento de mina, onde antes você usava dez ou 15 engenheiros, para ter um fazendo a revisão, porque no estoque dificilmente vamos encontrar esse profissional disponível."
Amaral acrescentou que a situação de Jacobina é ainda mais crítica. Um levantamento interno indica que cerca de 400 operadores devem se aposentar até 2030, o que obriga a empresa a prever 150 contratações extras já no orçamento do próximo ano. O programa Dissemina, de formação de mão de obra, capacita 160 mulheres da comunidade, e a empresa já tem operadoras de fandrill e jumbo e supervisoras.
No encerramento do painel, De Come apontou um problema estrutural: a legislação trabalhista da mineração, que Farace lembrou ser de 1936. Segundo De Come, o Brasil é o único entre as dez maiores economias em que não se pode trabalhar em turnos de 12 horas no subsolo. Enquanto outros países usam dois operadores por jumbo, o Brasil precisa de quatro, porque a jornada termina em seis horas. O trabalhador também é obrigado a se aposentar cedo, mesmo estando saudável. Ele defendeu que a atualização dessa legislação, combinada com automação, operação remota e equipamentos semi autônomos, tornaria o país ainda mais competitivo, e lembrou que o potencial brasileiro vai além do nióbio, do lítio e das terras raras.
Farace fez um alerta sobre a disputa salarial sem coordenação: "Já vimos esse filme antes. O preço do ouro já bateu em US$ 1.900 e voltou a US$ 1.050. Quando vivenciamos esse ciclo, doeu profundamente na carne de todos nós. Competir por mão de obra é salutar, mas tem limite." Ele defendeu uma ação coordenada do setor para formação de profissionais.
Farace também pediu a Amaral que falasse sobre rastreabilidade e compliance. Segundo o executivo, as estatísticas indicam que quase 40% do ouro produzido no país é ilegal. "A gente, que é legalista, demora um certo prazo para ter o licenciamento, e a pessoa abre um garimpo, mete o trator, derruba tudo e começa a produzir e vender, com custo baixo." Empresas listadas em bolsa cumprem todas as exigências e, mesmo assim, às vezes caem no canal vermelho da Receita Federal e esperam um mês pela liberação de uma venda. Por isso, Jacobina buscou a certificação de Operador Econômico Autorizado (OEA). A empresa também abriu as portas à Polícia Federal, que mapeou todo o seu minério, da mina ao bullion, para compor o banco de dados do "DNA do ouro", que permite identificar a origem do metal apreendido em operações. Amaral recomendou que outras mineradoras façam o mesmo.
Nas mensagens finais, Oliveira alertou os investidores contra a fixação no preço da commodity. "Recurso não é reserva, e reserva também não é dinheiro. A verdadeira reserva é aquilo que você consegue extrair da terra com resultado. Não adianta ter um projeto de 2 ou 3 milhões de onças se o custo operacional dele é de US$ 3.000 a onça." O preço atual, disse, é passageiro. A PA Gold avalia seus projetos com o ouro a US$ 3.000: se o projeto se sustentar nesse patamar, o que vier acima é lucro.
"Recurso não é reserva, e reserva também não é dinheiro. A verdadeira reserva é aquilo que você consegue extrair da terra com resultado."— Leonardo Guimarães Oliveira, PA Gold
Amaral foi na mesma linha. "A gente não controla dólar nem preço da onça de ouro. Controlamos custo." Ele defendeu custos abaixo de US$ 2.000 a onça e disse que "custo é igual a unha: tem que estar cortando todo dia". E lembrou que o presidente global da Pan American já se preocupava, dois ou três anos atrás, com a escalada de gastos que o preço alto estimula, e que, na primeira pequena queda, "todo mundo entra no desespero". Ainda assim, ponderou, o gestor não pode deixar de investir. A Pan American, disse, combina pagamento de dividendos com crescimento orgânico.
O terceiro painel foi moderado por Adriano Trindade, advogado e mestre em Direito e Política dos Recursos Naturais, especialista em regulação e ESG no setor mineral. Participaram Othon de Villefort Maia, vice-presidente de Sustentabilidade e Assuntos Corporativos da AngloGold Ashanti, jornalista pela UFMG com MBA executivo pela Fundação Dom Cabral e formação em comunicação corporativa pela Syracuse University; Isadora Machado e Castro, engenheira ambiental e coordenadora de projetos da Integratio, com quase dez anos de experiência em gestão socioambiental, desenvolvimento territorial e licenciamento; Eduardo Leão, geólogo, mestre em geologia com MBA pela Fundação Dom Cabral, ex-diretor da Agência Nacional de Mineração, ex-secretário de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia do Pará e atual dirigente da G Mining no Brasil; e Filipe Coelho, pós-graduado em comércio exterior pela Faap, com mais de 15 anos em logística e comércio exterior, diretor da Brink's.
Adriano Trindade pediu a Isadora Castro que trouxesse a perspectiva social para um debate que costuma girar em torno de tecnologia, eficiência, meio ambiente físico e rastreabilidade, ainda mais porque muitos projetos de ouro estão em regiões de garimpo. A engenheira partiu de uma premissa: o território onde um projeto chega nunca é vazio: tem pessoas e uma dinâmica própria.
"A população entende como benefício aquilo que o empreendedor faz além da obrigação legal dele."— Isadora Machado e Castro, Integratio
No setor mineral, disse, é muito comum encontrar o garimpo informal. A reação habitual do empreendedor é enxergá-lo apenas como ilegalidade e tentar retirá-lo, com a ideia de estar fazendo um bem ambiental. Mas, em muitos desses territórios, o garimpo é a principal atividade econômica, a base do emprego e do comércio local. "A ideia não é simplesmente tirar aquele garimpo dali, porque isso vai causar um novo problema social, se é que vai conseguir. E, se não conseguir, isso muitas vezes vai travar o licenciamento." O caminho, defendeu, é reduzir a informalidade: conhecer o território, entender suas dinâmicas e negociar como a empresa pode contribuir, com estudos ou investimento, para que a população continue na atividade de forma regular.
O exemplo citado foi o projeto Gurupi, no Maranhão, onde a Integratio elabora o estudo socioeconômico do EIA-Rima para a G Mining. O proprietário anterior optou pelo embate com os garimpeiros num território cuja economia gira em torno da atividade, que ali "já virou cultura". O resultado foi o licenciamento travado por anos. A G Mining chegou com outra abordagem, buscando conhecer o território e tratar o garimpo como potencial parceiro, e, segundo Isadora, já colhe frutos. "Não é um caminho fácil, mas é um caminho possível."
Mais adiante, perguntada sobre como administrar as expectativas das comunidades, Isadora apontou três pilares. O primeiro é conhecer a população: seu grau de instrução, escolaridade e qualificação. O segundo é ser transparente sobre as limitações e desafios do empreendimento. O terceiro é construir harmonia. Ela alertou contra o hábito de superestimar benefícios, como a geração de empregos. "Você sabe se o pessoal ali quer ser empregado na mineração? Se tem escolaridade para isso?" O garimpeiro, lembrou, ganha em uma semana o que não ganharia em um mês numa mineradora formal. Promessas que não podem ser cumpridas geram frustração, e reverter uma frustração é muito mais difícil do que construir confiança desde o início. Ela lembrou ainda que muito do que as empresas divulgam como benefício é apenas obrigação legal. "A população entende como benefício aquilo que o empreendedor faz além da obrigação legal dele."
Adriano Trindade perguntou a Eduardo Leão como uma empresa de menor porte concilia a necessidade de avançar rápido com o tempo exigido pela interlocução social e pelo licenciamento. Leão disse que a G Mining está deixando de ser uma júnior para se tornar uma mid-tier. Tocantinzinho, no Pará, deve chegar perto de 200 mil onças neste ano, e a operação na Guiana deve começar no segundo semestre do próximo ano com capacidade de 350 mil onças anuais. Tendo trabalhado em grandes empresas, ele disse que a estrutura matricial e o peso organizacional das majors muitas vezes não acompanham o ritmo de um relacionamento com garimpeiros.
Leão contou que já trabalhou em dois setores marginalizados, o madeireiro e o do ouro. "Tenho amigos em Belém que, quando falo que trabalho com ouro, pensam que sou garimpeiro." No Gurupi, lembrou, há vestígios de garimpo desde o século XVII, com empresas do Brasil colônia enviando ouro para Portugal, e nunca houve uma iniciativa de legalização. "Nunca ensinaram eles a se legalizar." Como ex-dirigente da ANM, disse conhecer os custos e os caminhos que esses grupos não sabem percorrer.
A G Mining concedeu anuência a uma cooperativa de cerca de 200 garimpeiros que trabalha no saprólito, dentro da área da futura cava. A empresa fará todo o monitoramento ambiental e o doará à cooperativa e assumirá o plano de recuperação da área, já que o local será incorporado à cava. O material tratado pelos garimpeiros também será beneficiado na planta da mineradora. Com a anuência, a cooperativa obteve em dois meses a licença ambiental na Secretaria de Meio Ambiente do Maranhão, e agora o pedido de permissão de lavra garimpeira (PLG) está em análise na ANM. "Pasmem: estão lá há décadas e nunca fizeram um pedido de PLG." Para ele, não há concorrência: o saprólito que os garimpeiros exploram não faz parte da reserva da empresa. A estrutura enxuta, disse, fez diferença. Entre a conversa com os garimpeiros, o aval do CEO global e a aprovação do conselho, passaram-se cinco dias.
"Boicotar a Amazônia só traz problema. Se eu não comprar de lá, não vou ter dinheiro legal circulando, e aí eu garanto que a madeira não vai ficar em pé"— Eduardo Leão, G Mining
Mais adiante, Trindade perguntou a Leão, nascido e criado em Belém, como é operar no bioma amazônico. Ele disse que fazer uma mina no meio da floresta, cercada por mais de 2 mil pontos de garimpo, é complexo, e que muita gente enxerga nisso um risco em si. Mas lembrou que Tocantinzinho, comprado da Eldorado, passou mais de 12 anos em pesquisa e está há dois em operação sem que nenhum tiro tenha sido disparado. Ele reconheceu que há garimpos e garimpos: alguns ligados ao narcotráfico, outros que nunca se regularizaram por não conhecer o caminho, como no Gurupi, e outros já legalizados, com PLG e licenças ambientais.
O maior desafio, disse, é a infraestrutura escassa: sem estrada, linha de transmissão, energia ou hospital. A G Mining construiu 200 quilômetros de linha de transmissão com capacidade três vezes superior à sua carga e a doou à Equatorial, que a incorporou ao sistema nacional. Outras operações podem se conectar a ela, como a da Cabral Gold, que começou a operar no Cuiú-Cuiú semanas antes do evento. A linha ainda tem problemas de suprimento, mas a empresa aprendeu a operar com eles: depois de uma queda de energia, hoje consegue religar a planta em 40 minutos, contra três ou quatro horas no início.
Leão fez uma crítica direta ao Estado. A reserva garimpeira do Tapajós foi instituída na década de 1980, mas, na década de 2000, um mosaico de unidades de conservação criado sem estudo preliminar sobrepôs cerca de 90% da reserva com áreas de uso restrito. Assim, garimpeiros passaram "do legal para o ilegal do dia para a noite". Por isso, disse, iniciativas de anuência fazem parte de uma responsabilidade maior. "Sou amazônida, moro e provavelmente vou morrer lá. A gente tem que fazer o desenvolvimento econômico da região." Ele lembrou que a mineração um dia vai acabar e que Itaituba tem 150 mil habitantes, enquanto a mina empregará cerca de 2 mil pessoas. O ouro legal, portanto, precisa alcançar a economia regional.
Leão contou ainda que a comunidade de Moraes de Almeida, onde há também manejo florestal sustentável, pressiona a empresa por uma subestação de energia. A G Mining já levou o pleito à Aneel e ao secretário nacional de energia, mas ele deixou claro o limite. "Eu não sou o Estado. Não posso botar uma linha lá e pagar essa conta." Sua mensagem final foi: "Boicotar a Amazônia só traz problemas. Se eu não comprar de lá, não vou ter dinheiro legal circulando ali, e aí eu garanto para vocês que a madeira não vai ficar em pé."
Trindade pediu a Othon Maia que falasse sobre a adoção de padrões internacionais no Brasil. Maia disse que, mais do que como major, a AngloGold se vê como uma empresa que atravessou todas as mudanças do país em 192 anos: sete constituições, o Segundo Reinado, a República Velha e a Era Vargas. "Se a gente chegou até aqui, foi por um processo de adaptação e de entendimento de para onde esse mercado caminhou."
A empresa, explicou, acredita que a autorregulação é mais benéfica e precisa do que "andar a reboque da regulação". Com operações em 11 países, depender de 11 legislações seria um risco para o negócio. E, quando a regulação vem depois de um problema, costuma chegar em dose inexata ou desalinhada com o que gera melhor resultado. A AngloGold segue os princípios do World Gold Council e o guia de ouro responsável da LBMA, que certifica suas barras, entre dezenas de certificações. O mais difícil, disse, não é adaptá-las ao Brasil, já que todas olham para os mesmos temas: práticas trabalhistas, práticas socioambientais, direitos humanos e respeito às comunidades anfitriãs. O desafio é a proliferação de padrões. Por isso, ele vê com bons olhos a Consolidated Mining Standard Initiative, lançada pelo ICMM na última Exposibram, que reúne os padrões do ICMM, do World Gold Council, da Copper Mark e o TSM da associação canadense de mineração, simplificando a mensagem para acionistas, investidores e sociedade.
Sobre o papel das majors na formalização de pequenas operações, Maia explicou que, no Brasil, a empresa está 100% concentrada no Quadrilátero Ferrífero, em Minas Gerais, região com 300 anos de mineração, onde fica sua principal mina, em Sabará, a mais profunda do país, no local onde Borba Gato descobriu ouro. A relação com a mineração artesanal, portanto, não é um tema material para as operações brasileiras. O papel da empresa como âncora de desenvolvimento local, porém, é central. A AngloGold nacionaliza mais de 90% das compras no Brasil, índice que, segundo ele, demonstra a capacidade industrial do país. Além disso, avalia 100% dos fornecedores, a montante e a jusante, por meio de um questionário de sustentabilidade, com o objetivo de elevar a régua socioambiental de toda a cadeia. A empresa protege uma área de vegetação nativa dez vezes maior que sua área operacional, majoritariamente de Mata Atlântica, mas também de Cerrado.
Trindade perguntou a Filipe Coelho como a Brink's "blinda" sua logística contra a contaminação por ouro ilegal. Coelho disse que, embora a logística tenha menos certificações que a mineração, a Brink's é membro da LBMA e tem um de seus seis cofres autorizados. Os três principais são de instituições financeiras, o Bank of England, o HSBC e o JPMorgan, e o maior cofre com custódia da LBMA fora do sistema financeiro é da Brink's. Isso obriga a empresa a replicar as boas práticas da associação em todas as suas unidades no mundo.
Na prática, a Brink's não inicia nenhuma operação sem visita presencial de uma equipe multidisciplinar. Coelho contou que a empresa recebe contatos de supostas mineradoras que alegam teores de 30 gramas por tonelada, pedem que o ouro seja coletado e oferecem como garantia "um laudo de um geólogo". "Isso não existe, porque certamente alguém já teria comprado ou já estaria produzindo. A gente não pode aceitar essas informações como verdade."
No Brasil, a Brink's é classificada como empresa de segurança privada e regulada pela Polícia Federal. Por instrução normativa, comunica automaticamente ao Coaf toda operação acima de R$ 100 mil, o que, no caso das mineradoras, significa praticamente todas as operações. Com isso, o órgão pode cruzar essas informações com notas fiscais e documentos de exportação. Por lidar com armamento, blindagem e veículos controlados, que não pode vender nem doar e precisa destruir ao fim da vida útil, a empresa é auditada com frequência em suas 71 filiais no país.
A Brink's também tem a certificação OEA. Coelho explicou que a Receita Federal não se limita a verificar documentos: passou dias na unidade da empresa entrevistando funcionários escolhidos aleatoriamente para verificar se entendiam sua responsabilidade em evitar a contaminação do processo. O foco da Receita, ressaltou, é principalmente a exportação de drogas e ilícitos, e não o ouro ilegal, mas a certificação garante que nada entre na cadeia sem declaração. Um caminhão passa por 17 pontos de checagem. Coelho fez questão de distinguir: a OEA garante a integridade logística, mas não a conformidade da origem do ouro, que continua sendo um desafio.
Perguntado sobre como a empresa se adapta a realidades tão diferentes, Coelho disse que a Brink's transporta, em algum ponto da cadeia, cerca de 80% do ouro que entra no sistema da LBMA, das minas às refinarias e, depois, aos cofres. Mas não existe uma operação padrão. Há locais que o carro-forte não alcança, estradas intransitáveis na chuva e veículos fora de estrada das mineradoras que a Brink's não pode operar. Por isso, a logística é desenhada em conjunto com a equipe da mina, buscando o ponto mais próximo da sala do ouro, porque o objetivo é ficar o menor tempo possível na operação. Há coletas feitas em menos de 60 segundos. A saída também precisa ser rápida, já que as regiões de mineração têm muitas zonas de sombra no caminho, "ao contrário de uma Bandeirantes (rodovia), com fluxo contínuo e força policial". Conforme o caso, a empresa usa aviões, helicópteros ou carros-fortes, e vigilantes acompanham a carga em todas as etapas, até o embarque no avião de exportação. A única etapa que não pode ser rápida é a aduaneira: o desembaraço leva cerca de oito horas no Brasil, contra três horas em outros países.
Na rodada final, Trindade pediu a cada participante uma síntese de um minuto sobre o futuro do ouro responsável. Maia afirmou que a garantia de origem, já consolidada em setores como hortifrútis e vestuário, "veio para ficar" no ouro. A AngloGold, disse, é a única grande empresa com refinaria cativa no país, o que lhe permite ter toda a cadeia certificada, da pesquisa à barra, antes de o ouro seguir pela Brink's. Mas o conceito de ouro responsável precisa abranger todo o ciclo de vida da mina, incluindo o fechamento. Maia citou a mina originária de 1834, em Nova Lima, cuja área, com cerca de 250 mil metros quadrados, no centro da cidade, está sendo transformada num bairro doado à sociedade, com corredor cultural, núcleos residenciais, mais de 25% de área de Mata Atlântica preservada e 19 galpões históricos restaurados.
Isadora aproveitou o tema do fechamento para falar do meio socioeconômico. Os benefícios de uma mina em operação, como emprego, movimentação da economia e arrecadação, podem se tornar um problema no fim, se o território ficar dependente do empreendimento e sofrer retrocesso econômico. Esse trabalho, disse, precisa começar desde já, identificando vocações do território, como turismo, garimpo artesanal, comércio ou indústria, para permitir uma transição sem grandes perdas. "Não é pensar lá no final, é pensar no hoje."
Leão levantou um tema que ainda não havia sido discutido: o projeto de lei de rastreabilidade do ouro em tramitação, que classificou como confuso, complexo e caro, com exigências impraticáveis, como a marcação física do ouro por região. Para ele, o texto aumenta o custo de quem já opera legalmente e arca com uma carga tributária próxima de 20% na exportação, mesmo sem ICMS, por força da Lei Kandir. Lembrou que o universo de novas minas nos próximos cinco a dez anos é limitado, enquanto cerca de 35 toneladas de ouro ainda deixam o país de forma ilegal todos os anos. "Como trazer essas 35 toneladas para a legalidade, para gerar riqueza, imposto e trabalho formal? Essa seria a minha contribuição."
Coelho concordou. Segundo ele, a instabilidade jurídica e operacional leva empresas como a Brink's a tomar decisões conservadoras e a trabalhar apenas com mineradoras de origem comprovada. Com isso, cooperativas bem organizadas acabam prejudicadas, por perder parceiros, e muitos grupos que poderiam se formalizar não o fazem. "A PL traz burocracia, mas não resolve o principal, que é a origem. O foco não é diminuir a quantidade de ouro e sim resolver a questão da origem." Ele contou que, num evento da operação Ouro Alvo, da Polícia Federal, no ano passado, foi dito que o ouro ilegal não deixou de existir, apenas migrou para a Venezuela e, depois da saída de Maduro, para outros países da América do Sul. Mesmo com a queda nas exportações brasileiras, disse, a extração continua como estava dois ou três anos atrás.
Na rodada de perguntas, Gilson Camboim, coordenador nacional do cooperativismo mineral, apresentou-se como representante do garimpo legalizado, com permissão de lavra garimpeira, licença ambiental e recuperação de áreas degradadas. Se é difícil para a mineração industrial, disse, imagine para quem trabalha com PLG. Ele lembrou que muitas grandes minas nasceram de antigos garimpos e que as comunidades ainda têm orgulho de se dizer garimpeiras, embora o termo esteja hoje associado à ilegalidade e ao crime. Ele perguntou o que a atividade garimpeira precisaria fazer para melhorar sua imagem e ampliar o relacionamento com as mineradoras, observando que muitas empresas têm vergonha de admitir parcerias com o garimpo. E lembrou que a PLG se destina a minério secundário e que, por isso, o garimpo não concorre diretamente com a lavra industrial, já que extrair o minério primário exige mudança de regime.
O consultor Adriano Espeschit, da J. Mendo Consultoria, lembrou que a rastreabilidade não é um problema só do ouro. Ela será exigida também para minerais críticos e terras raras, com os passaportes digitais de produtos já previstos na legislação europeia. Citou o certificado digital das baterias da Stellantis e o consumo crescente de jóias de ouro reciclado. Adriano lembrou ainda que há garimpo ilegal não apenas na Amazônia, mas também no Rio das Velhas, na Grande Belo Horizonte, ao lado das operações da AngloGold, com dragas incendiadas e populações ameaçadas. E trouxe a descarbonização como tendência: mesmo que a sociedade brasileira ainda não cobre isso, o cliente final dos produtos da mineração cobra cada vez mais. Pedro Onofre, da Core Case do Brasil, perguntou a Maia como as grandes mineradoras pretendem equilibrar produção e metas ambientais.
Leão respondeu a Camboim elogiando a cooperativa dele em Peixoto de Azevedo, que tem recuperação de áreas, viveiro de mudas e tornearia mecânica para peças de garimpo, e que ele já recomendou como modelo a garimpeiros do Pará e do Maranhão. Mas disse que a mudança precisa partir da mineração. "A mineração tem que estar disposta a fazer isso, e ela não está." Segundo ele, a maioria das grandes empresas têm medo dessas parcerias, porque o compliance enxerga risco alto de uso de cianeto ou mercúrio. A solução, defendeu, são contratos muito claros, com a ANM participando da fiscalização. Ele disse ter alertado as cooperativas de que sensoriamento remoto e gravimetria permitem verificar se o ouro saiu mesmo daquela área. "Não adianta a cooperativa se ancorar num contrato de anuência para depois fazer o ilegal, porque isso não vai durar uma semana." E comparou a situação à do Canadá, onde a mineração artesanal em lagos congelados é vista como normal e não é marginalizada. Mas reconheceu que, no Brasil, a atuação de dragas gigantescas e ilegais acaba "botando todo mundo no mesmo barco". "A palavra não é correr esse risco, mas fazer uma parceria para desenvolver o local."
Isadora complementou que o relacionamento com a comunidade ainda é visto pelas empresas como custo, e não como investimento, e que essa visão precisa mudar nas próprias políticas corporativas, considerando o contexto territorial, o desenvolvimento local e o futuro fechamento de minas.
Sobre descarbonização, Coelho explicou que eletrificar um carro-forte blindado de oito toneladas é difícil, pela autonomia. Lembrou que a frota da Brink's também transporta medicamentos oncológicos, que precisam chegar no horário e na temperatura corretos. Segundo ele, os medicamentos representam hoje 44% do valor das cargas roubadas no país. Por isso, a empresa começou pelos veículos leves, usados em serviços como a troca de bobinas em caixas eletrônicos, o que permite testar a tecnologia em menor escala. Já tem uma redução de emissões equivalente à de 30 carros-fortes rodando por dia e instalou mais de mil placas solares em suas filiais. Estudos para a transição dos carros-fortes estão em andamento.
Maia detalhou a agenda ambiental da AngloGold. A empresa se preocupa com resiliência climática, tanto das operações quanto das comunidades, diante de projeções de um verão muito chuvoso em 2026 e 2027, seguido por uma possível seca histórica em 2028, a maior dos últimos 50 anos. A empresa mantém um programa global de gestão de recursos hídricos, por entender que a água potável será tema cada vez mais central na geopolítica, com meta de recirculação interna acima de 90% na planta metalúrgica, além de recuperação de nascentes e controle da qualidade de efluentes. No campo dos coprodutos, a empresa já produz ácido sulfúrico a partir do minério sulfetado, numa unidade de negócio própria. Anunciou também uma parceria com a prefeitura de Sabará para usar rejeito na base asfáltica de uma avenida, com acompanhamento do DER para homologar o material, e estuda briquetes de ferro feitos a partir de materiais hoje depositados. Todos os rejeitos, lembrou, já são dispostos em pilhas secas.
Na descarbonização, a AngloGold é signatária do Pacto Global, com compromisso de emissões zero até 2050 e meta intermediária de redução de 30% até 2030, com base em 2021. No Brasil, a empresa já alcançou 62%, com energia elétrica 100% certificada como livre de carbono. O desafio agora é o diesel, na frota e em geradores. A empresa vem substituindo geradores e tem um pipeline de troca de frota, com carregadeiras e betoneiras de subsolo 100% elétricas.
O seminário terminou com um bate-bola sobre financiamento de projetos, com Arão Portugal da AP Consultoria, e Ivan Truzzi, da Amapá Minerals. Ele lembrou que este foi o quarto evento da revista nesse formato, dois sobre ouro, um sobre terras raras e um sobre energia renovável, sempre restritos a convidados.
Arão Portugal, que é administrador de empresas com MBA em supply chain, ex-gerente-geral de supply chain Norte e Nordeste da Vale, ex-vice-presidente de administração da Yamana Gold e ex-country manager da Yamana e da Amarillo Gold e que hoje assessora a Aclara Resources em seu projeto de terras raras em Goiás, além de ser conselheiro da Brasil Mineral, contou a história da Yamana, da qual foi um dos primeiros funcionários. Ele lembrou dos "yamanitos", como eram chamados os trainees do primeiro programa da empresa, do qual fez parte Edvaldo Amaral.
Ele narrou que, no início dos anos 2000, a Vale decidiu concentrar-se em minério de ferro, logística e, talvez, cobre, e se desfazer de outros negócios. Helcio Guerra, então diretor de ouro da Vale, acompanhou o processo. Representantes da Santa Elina, empresa brasileira com ativos em Goiás e Mato Grosso, negociaram a compra da mina Fazenda Brasileiro, na Bahia, que a Vale pretendia fechar em dezembro de 2004. Um grupo formado por Antenor Firmino, Seiti Nakamura e pelo geólogo Evandro Silva, entre outros, identificou na bolsa de Toronto uma empresa de pequeno valor, a Yamana Resources, cujo nome vinha dos yamanás, povo indígena da Patagônia, onde a empresa tinha um ativo. Avaliada em US$ 8 milhões, ela serviu de veículo. Numa rodada de apresentações a investidores, o grupo levantou US$ 50 milhões. Com o dinheiro, pagou cerca de US$ 20,9 milhões à Vale por uma mina em operação e assumiu passivos trabalhistas e ambientais estimados em US$ 3 a 4 milhões. Em agosto de 2003, a empresa passou a se chamar Yamana Gold e fez um grupamento de ações de 27 para 1.
"Essa foi a grande sacada: já entrar no mercado listada na bolsa, com operação, produzindo e gerando caixa", disse Portugal. A mensagem aos funcionários foi clara: não havia dinheiro nem para o capex de melhoria, e, se a mina não gerasse caixa, acabaria. Depois vieram os ativos de Chapada, em Goiás, hoje da Lundin, que chegou a produzir 70 mil toneladas de cobre e 100 mil onças de ouro por ano. Como a Yamana só reportava ouro ao mercado, o cobre levava o custo por onça a território negativo. Também vieram o projeto São Francisco, em Mato Grosso, perto de Pontes e Lacerda, e um pequeno projeto em Fazenda Nova. Este foi desenhado "em papel A4", com o engenheiro Seiti Nakamura, sem contratação de empresa de engenharia: uma operação de 36 mil onças anuais, sobre 200 mil onças de recurso, construída com US$ 8 milhões em 2004.
Chapada estava havia 30 anos no papel, porque o cobre valia menos de US$ 1 por libra. A obra começou com o metal em torno de US$ 1,20, foi entregue no prazo e no orçamento, e o cobre subiu para US$ 3. O investimento, previsto para ser pago em 36 meses, pagou-se em oito. Aos preços de hoje, calculou Portugal, Chapada geraria algo como US$ 1,2 bilhão. A Yamana, que valia US$ 30 milhões em dezembro de 2003, quando a onça estava entre US$ 330 e US$ 350, chegou a valer cerca de US$ 20 bilhões por volta de 2011. A ação atingiu o pico de pouco mais de US$ 20 em 8 de novembro de 2012.
Para Portugal, duas lições se destacam. A primeira é que comprar uma operação existente tornou muito mais fácil convencer investidores, que viam competência, mão de obra, conhecimento e produção, e não apenas risco. Quem duvidava que houvesse ouro numa mina que a Vale ia fechar, não levava em conta a diferença de custo entre uma júnior e uma grande empresa. A segunda é a credibilidade. "O recado que a gente dá ao investidor é: cumpra o que você promete. Não diga aquilo que você não vai cumprir." A Yamana, disse, entregou mais do que prometia até certo momento, quando outras decisões mudaram o rumo da empresa, depois da saída de Antenor, em 2010.
"O recado que a gente dá ao investidor é: cumpra o que você promete. Não diga aquilo que você não vai cumprir".— Arão Portugal, AP Consultoria
Ivan Truzzi, CEO da Amapá Minerals, autora do IPO mais recente de uma empresa com projeto no Brasil na bolsa de Toronto, é engenheiro eletricista pela USP, pós-graduado em finanças pelo Insper, diretor executivo da Starboard Partners e conselheiro da termelétrica Pampa Sul, com 11 anos de experiência em ativos especiais, turnarounds e reestruturações. Ele contou a retomada da mina de Tucano, no Amapá, que produziu cerca de 1,6 milhão de onças em 20 anos e passou por diversos donos e nomes, incluindo o grupo EBX, a Beadell e a Great Panther. A mina atingiu o pico de 166 mil onças em 2014 e produziu mais de 120 mil onças por oito anos seguidos, mas saiu de operação em 2022 e entrou em recuperação judicial.
A Starboard, fundo brasileiro especializado em ativos com bons fundamentos que não conseguem gerar valor por uma razão específica, viu ali uma oportunidade semelhante à da antiga Mineração Caraíba, hoje Ero, de cuja retomada também participou. O ativo tinha histórico de produção, cerca de 1,1 milhão de metros de sondagem e uma planta de lixiviação com carvão de 12 mil toneladas por dia, uma das maiores do país, com moinho semi autógeno, moinho de bolas e sete tanques de 2,4 mil metros cúbicos. Construir algo equivalente do zero, estimou Truzzi, custaria "muitos bilhões de dólares" e levaria pelo menos cinco anos, mesmo que tudo desse certo.
Os acionistas injetaram capital, a empresa saiu da recuperação judicial e, depois de um ano de trabalho, a planta voltou a funcionar em maio deste ano, com o primeiro ouro em muitos anos. As reservas recertificadas somam 1,1 milhão de onças apenas em lavra a céu aberto, o equivalente a cerca de dez anos de produção a 100 mil onças por ano. A mina já emprega 1.207 pessoas e caminha para 2 mil.
O IPO, explicou Truzzi, financia a segunda fase do plano. A primeira foi retomar a produção e recertificar as reservas. A segunda é desenvolver uma mina subterrânea, de teor mais alto, que pode reduzir o custo total e ampliar a vida útil, e retomar a exploração na região de Pedra Branca, no greenstone belt do Escudo das Guianas. A terceira será a exploração combinada com crescimento por aquisições. Por ser um ativo único, com uma planta e vários pits, e ter histórico de balanço alavancado, a empresa optou por financiamento via equity, e não por dívida, apesar de reconhecer que o Brasil oferece linhas de fomento com juros baixos. "Não queríamos estar pressionados por dívida. Queríamos o conforto de estar financiados por capital para desenvolver nossos projetos no tempo certo, na medida certa."
Perguntado por que escolheu Toronto, bolsa pouco usada por empresas brasileiras nos últimos anos, Truzzi apontou o apetite e o conhecimento dos investidores canadenses por mineradoras juniores, a clareza regulatória, com o NI 43-101, e o precedente da própria Ero. Na B3, disse, o processo seria mais caro e difícil, porque os investidores locais não estão acostumados a esse tipo de ativo. Em Nova York, a empresa ainda não teria porte suficiente. O NI 43-101, acrescentou, ajuda a organizar a casa, porque exige informações consistentes sobre geologia, mineração e finanças. A empresa também precisou construir do zero as áreas que não existiam na retomada, como jurídico, RH, riscos, compliance, geologia e operações.
Truzzi contou que fez, com o executivo Renan, cerca de cem reuniões com investidores de perfil técnico, que mantêm engenheiros de minas e geólogos em suas equipes. A prioridade foi atrair o que chamou de "real money": investidores de longo prazo, que conhecem mineração e ouro, e não quem compra o papel para vender logo em seguida. Não houve perguntas surpreendentes, disse, mas muitas perguntas interessantes, e cada reunião serviu de aprendizado. Ele resumiu o passo a passo em poucas etapas: montar um bom time, escolher bem os assessores, como o Mattos Filho, e o sindicato de bancos, formado por BTG e Bradesco no Brasil e Canaccord e BMO no Canadá, preparar demonstrações financeiras auditadas e construir o relatório técnico. "Depois é performar, ir a mercado e passar o chapéu." Sobre a importância das pessoas, brincou: "Por enquanto ainda são as pessoas. Daqui a uns anos, pode ser que só tenha sobrado a inteligência artificial."
A primeira conclusão do encontro é que o ciclo atual do ouro tem fundamentos mais estruturais do que conjunturais. A participação de bancos centrais e investimento na demanda subiu de 40% para cerca de 60% em 15 anos, os juros reais continuam baixos nas principais economias, o dólar perde força como reserva de valor e a relação reserva/ produção, de cerca de 20 anos, é próxima do lead time de novos projetos. Nenhum dos participantes arriscou projeções, mas a leitura predominante foi de preços sustentados por mais tempo.
A segunda conclusão é que o gargalo brasileiro não é geológico. O país tem boa parte do território pouco mapeado, o ouro lidera as análises feitas para pesquisa mineral e há exemplos de implantação rápida, como os 23 meses da G Mining em Tocantinzinho. Os limites estão na execução. Faltam profissionais: os ingressantes em Engenharia de Minas e Geologia caíram de 32 mil para 7 mil em pouco mais de uma década, centenas de operadores se aposentam nos próximos anos e seis minas subterrâneas disputam os mesmos trabalhadores. Falta maturidade de engenharia antes da decisão de construir, como mostrou o relato da Hochschild. O licenciamento é imprevisível. A legislação trabalhista do subsolo é de quase um século atrás. E o custo de capital, com a Selic de 13,75%, afasta o investidor local de projetos pré-operacionais.
A terceira conclusão diz respeito à disciplina. Da Hochschild, que segura um projeto já licenciado até a engenharia amadurecer, à PA Gold, que avalia ativos com o ouro a US$ 3.000, passando pela Pan American, que mira custos abaixo de US$ 2.000, os executivos insistiram que o preço atual não deve orientar decisões de longo prazo. O alerta de Camilo Farace sobre o ciclo em que a onça caiu de US$ 1.900 para US$ 1.050 ecoou nas falas sobre escalada de custos e salários.
A quarta conclusão é que a rota mais rápida para crescer tem sido a retomada ou a compra de ativos existentes. A história da Yamana, que nasceu comprando uma mina que a Vale ia fechar, e os casos de Jacobina, da Ero e da Amapá Minerals mostram que operações consideradas inviáveis num contexto podem ser muito rentáveis em outro. Ao mesmo tempo, a bolsa de Toronto volta a aparecer como caminho para financiar projetos brasileiros por meio de equity, diante das dificuldades do mercado local.
Por fim, o painel de ouro responsável indicou uma mudança de abordagem em relação ao garimpo, que passa a ser tratado como realidade territorial a ser formalizada por meio de parcerias com regras claras, e não apenas como ilegalidade a ser removida. O caso do Gurupi, onde o confronto travou o licenciamento por anos e a parceria destravou licenças em meses, foi o exemplo mais citado. A questão da origem, porém, segue sem uma resposta regulatória que satisfaça quem opera legalmente: o projeto de lei de rastreabilidade foi criticado por trazer custo e burocracia sem atacar as cerca de 35 toneladas que ainda deixam o país ilegalmente. E a coordenação entre empresas para formar mão de obra, defendida em quase todos os painéis, ainda está por ser construída.
Copiar o textoOs vencedores da 8ª edição do Prêmio CBMM de Ciência e Tecnologia 2026 foram o Prof. Dr. Jorge Kalil, professor titular da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e diretor do Laboratório de Imunologia do Instituto do Coração (InCor), na categoria Ciência, e a Dra. Christiane Abreu de Oliveira Paiva, pesquisadora da Embrapa Milho e Sorgo, na categoria Tecnologia.
Dr Kalil buscou compreender como o sistema imunológico responde a diferentes ameaças, o que garantiu o prêmio na categoria Ciência. “A imunologia nos ajuda a compreender um dos desafios mais complexos da biologia: como o organismo reconhece o que é próprio e o que é estranho e, a partir disso, constrói uma resposta adequada. Entender esses mecanismos é fundamental para avançarmos em áreas como transplantes, câncer, alergia, doenças autoimunes e infecciosas e desenvolvimento de vacinas. É uma satisfação receber o reconhecimento pelo Prêmio CBMM, que valoriza a ciência e sua capacidade de ampliar as fronteiras do conhecimento e gerar novas possibilidades para a sociedade”, afirma Prof. Dr. Jorge Kalil. Formado em Medicina pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Jorge Kalil realizou mestrado e doutorado em Imunologia e Imunogenética na Universidade de Paris, no laboratório de Jean Dausset, vencedor do Prêmio Nobel de Medicina de 1980. É pesquisador 1A do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), membro da Academia Brasileira de Ciências e da Academia Nacional de Medicina. Sua produção científica reúne mais de 800 registros na plataforma Web of Science e diversas patentes. Entre suas contribuições institucionais, foi fundador e primeiro presidente da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos, diretor do Instituto Butantan e presidente do InCor, além de ter ocupado posições de liderança em organizações científicas nacionais e internacionais. Sua atuação combina pesquisa, formação de novos cientistas e articulação institucional em torno do avanço da imunologia no Brasil.
Na categoria Tecnologia, a Dra. Christiane Paiva investigou como microrganismos podem contribuir para uma agricultura mais eficiente. A pesquisadora da Embrapa Milho e Sorgo na área de Microbiologia é referência no desenvolvimento de soluções biológicas para a agricultura e é a primeira mulher a vencer o prêmio. Seu trabalho é voltado ao estudo de microrganismos capazes de ampliar a disponibilidade de nutrientes para as plantas, estimular seu crescimento e auxiliar no controle de doenças, promovendo uma agricultura mais eficiente e sustentável.
A doutora liderou pesquisa que resultou no BiomaPHOS, primeiro produto biológico brasileiro para disponibilização de fósforo à base de microrganismos solubilizadores de fosfato. Esses microrganismos atuam sobre o fósforo presente no solo e o tornam mais disponível para as plantas, reduzindo a dependência de fontes minerais convencionais e ampliando as possibilidades de uso de soluções biológicas na agricultura. O trabalho amplia a aplicação de microrganismos na agricultura, utilizando mecanismos biológicos para combater doenças que afetam as plantas.
Christiane também liderou a pesquisa que deu origem ao Eficaz Control, biofungicida desenvolvido para o controle de patógenos presentes no solo e lançado comercialmente em 2025. “Quando uma descoberta sai do laboratório e chega ao campo, ela ganha uma dimensão ainda maior: passa a fazer parte da realidade de quem produz alimentos e enfrenta, todos os dias, os desafios da agricultura. O Prêmio CBMM de Ciência e Tecnologia representa um reconhecimento a esse caminho e reforça o potencial da ciência brasileira para gerar soluções para o futuro”, afirma a Dra. Christiane Abreu de Oliveira Paiva.
As trajetórias de Jorge Kalil e Christiane Paiva ajudam a traduzir dois caminhos complementares da pesquisa: a geração de conhecimento científico e sua transformação em soluções com aplicação na sociedade. É justamente essa complementaridade que está presente nas duas categorias do Prêmio CBMM de Ciência e Tecnologia. Promovido pela CBMM desde 2019, o Prêmio reconhece profissionais que contribuem para o avanço científico e tecnológico brasileiro e para a geração de impactos relevantes para a sociedade. A oitava edição teve como tema “Para quem busca o porquê das coisas”. A categoria “Ciência” é dedicada a pesquisadores cujos trabalhos ampliam as fronteiras do conhecimento e projetam o Brasil no cenário internacional. “Tecnologia” reconhece profissionais responsáveis pelo desenvolvimento de soluções inovadoras com aplicações em produtos ou métodos de uso pela sociedade. Em ambas, as candidaturas passam por uma comissão julgadora independente, formada por especialistas de reconhecida atuação nas áreas contempladas pelo prêmio.
Copiar o textoCom uma estratégia estruturada ao longo dos últimos anos e acelerada em 2025, o BNDES consolidou a agenda de minerais críticos e estratégicos (MCE) como uma de suas apostas centrais para a próxima década. O objetivo é posicionar o Brasil como fornecedor confiável, competitivo e sustentável de minerais e materiais transformados, avançando progressivamente nas etapas de maior valor agregado das cadeias globais ligadas à transição energética, à digitalização e à soberania produtiva.
"O Brasil possui uma oportunidade única de converter sua riqueza mineral em liderança industrial e tecnológica", afirma o banco em sua estratégia para o setor, uma frase que sintetiza a ambição que orienta o portfólio de iniciativas em construção.
A estratégia do BNDES não se limita a financiar minas. O banco quer empurrar a cadeia produtiva para frente e entre as prioridades estratégicas definidas pela instituição estão o apoio ao desenvolvimento da cadeia de terras raras, "inicialmente até a produção de óxidos separados e, de forma progressiva, de ligas e ímãs permanentes", o adensamento industrial da cadeia do lítio, "com foco em produtos de grau bateria", e a expansão das cadeias de valor de outros minerais críticos, com destaque para níquel, cobre, grafite, platina e seus derivados, além de minerais relacionados à segurança alimentar.
Trata-se de uma agenda de industrialização, não apenas de mineração. A lógica é que o Brasil, historicamente exportador de commodities brutas, passe a capturar as margens nos processos de refino, produção de materiais intermediários e manufatura de componentes para as grandes cadeias tecnológicas globais, que hoje ficam no exterior
A construção desse posicionamento não é de agora. O BNDES tem adotado iniciativas desde 2023, quando impulsionou linhas de crédito de longo prazo e baixo custo voltadas ao setor, por meio do Programa Mais Inovação e do Fundo Clima. Em 2024, em parceria com a Vale, o banco lançou e estruturou um Fundo de Investimento em Participação dedicado a Minerais Críticos e Estratégicos, instrumento que permite ao banco entrar como sócio em projetos, e não apenas como credor.
O ano de 2025 concentrou dois movimentos de maior envergadura. O primeiro foi o lançamento, em conjunto com a Finep, da Chamada Pública para Transformação de Minerais Estratégicos, a iniciativa de maior repercussão até o momento. O segundo foi a atualização do Regulamento Socioambiental e Climático para Mineração, com diretrizes para o apoio sustentável ao setor mineral, "consolidando as melhores práticas internacionais no tema, com destaque para ações de promoção de desenvolvimento local", conforme descrito pelo banco.
Ainda em 2025, a BNDESPAR, braço de investimento em participações da instituição, definiu os Minerais Críticos e Fertilizantes Minerais como teses prioritárias para investimento direto, abrindo mais uma frente de atuação além do crédito tradicional.
O mais recente impulso veio em agosto de 2026, já no âmbito do Plano Brasil Soberano: os minerais críticos passaram a contar com um referencial de custo financeiro de 3,0% ao ano, condição que coloca o financiamento do BNDES ao setor em patamar altamente competitivo para projetos de longa maturação.
O termômetro mais concreto do interesse do mercado na agenda é a Chamada Pública BNDES-Finep para Transformação de Minerais Estratégicos, em que foram selecionados 56 projetos, totalizando R$ 45,8 bilhões em investimentos. O portfólio abrange cadeias de terras raras, lítio, níquel, grafite, silício, platina e materiais transformados para baterias, entre outros.
O BNDES já aprovou três operações no âmbito da chamada — Weg, Piauí Níquel e Viridis — e analisa atualmente uma carteira de 12 projetos considerados mais maduros, que poderá mobilizar cerca de R$ 9 bilhões em financiamentos, "a depender das estruturas de garantias a serem oferecidas ao BNDES", conforme a instituição.
Os três aprovados já dão uma leitura da diversidade de apostas do banco: da Weg, gigante industrial gaúcha com capacidade de percorrer toda a cadeia de equipamentos para a transição energética, ao Piauí Níquel, projeto de processamento mineral no Nordeste, passando pela Viridis, voltada às terras raras.
Se o apetite do mercado está demonstrado — R$ 45,8 bilhões em projetos submetidos —, o desafio agora é de engenharia financeira. O BNDES reconhece que "a expansão dos investimentos depende da criação de estruturas mais complexas capazes de mitigar riscos geológicos, tecnológicos e de mercado típicos da mineração".
Para enfrentar esse problema, o banco avança em três frentes simultâneas: a avaliação de estruturas de cofinanciamento e compartilhamento de risco, o aprimoramento de estruturas de project finance dedicadas ao setor e a atração de outros investidores e financiadores para ampliar a oferta de capital.
A questão das garantias é central, já que projetos de mineração têm perfil de risco peculiar, pois o recurso mineral não está totalmente provado antes da lavra, as tecnologias de processamento podem apresentar variáveis inesperadas e os preços dos minerais estão sujeitos a ciclos voláteis. Estruturas tradicionais de crédito corporativo muitas vezes não se encaixam nesse esquema. Assim, o caminho que o BNDES sinaliza trilhar — o project finance com compartilhamento de riscos — é o modelo consagrado internacionalmente para viabilizar grandes projetos de infraestrutura e recursos naturais, mas exige instrumentação sofisticada, capacidade técnica dos tomadores e, frequentemente, a presença de múltiplos financiadores.
A atração de outros capitais, através de fundos internacionais, agências multilaterais, bancos de desenvolvimento estrangeiros é, portanto, parte essencial da estratégia, já que O BNDES não pode, nem pretende, carregar sozinho uma carteira dessa magnitude.
O contexto em que essa estratégia se desenvolve não é trivial. A corrida global por minerais críticos intensificou-se nos últimos anos, com Estados Unidos, União Europeia, China, Japão e Coreia do Sul disputando acesso a recursos e construindo políticas industriais agressivas para garantir suas cadeias de suprimentos para a transição energética e a soberania tecnológica. Nesse cenário, países ricos em recursos minerais, dentre os quais o Brasil está incluído de forma privilegiada, com reservas expressivas de terras raras, lítio, níquel, grafite e outros minerais, passaram a ser objeto de intensa disputa diplomática e econômica.
A resposta brasileira, da qual o BNDES é peça importante, é a de não apenas fornecer o mineral bruto, mas de agregar valor domesticamente e de usar o poder de financiamento do Estado para induzir esse salto. A definição de um custo financeiro de 3,0% ao ano para o setor, no âmbito do Plano Brasil Soberano, é um sinal político e econômico nessa direção: o governo federal está disposto a subsidiar o custo de capital para que projetos que de outra forma não conseguiriam “fechar a conta”, especialmente os de processamento e refino, que são mais intensivos em tecnologia e com payback mais longo, se tornem viáveis.
Com 12 projetos mais maduros em análise e potencial de R$ 9 bilhões em financiamentos em negociação, o BNDES deve ampliar sua carteira aprovada ainda em 2026. A evolução das estruturas de garantia será o fator determinante para o ritmo de aprovações. Quanto mais o banco conseguir desenvolver instrumentos que distribuam riscos entre múltiplos agentes, incluindo o próprio Estado, via compartilhamento de risco, mais projetos do pipeline de R$ 45,8 bilhões poderão avançar da seleção para a contratação efetiva.
O Brasil tem o recurso. A demanda internacional existe. O Pais tem, agora, uma política de financiamento com custo competitivo e uma instituição de desenvolvimento mobilizada. O que ainda está sendo construído é a engenharia financeira e institucional capaz de transformar esse potencial em projetos assinados, obras em curso e, finalmente, em cadeias industriais que retenham valor no País. Essa é a aposta do BNDES e, em larga medida, uma aposta do Brasil sobre seu próprio futuro industrial. (Redação Brasil Mineral)
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Baixar áudioOs municípios brasileiros recebem, nesta sexta-feira (9), R$ 5,4 bilhões referentes ao primeiro decêndio de outubro do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). O montante é cerca de 13% superior ao repassado no mesmo período de 2025, quando a transferência foi de R$ 4,8 bilhões.
Apesar do avanço no repasse, o especialista em orçamento público Cesar Lima avalia que ainda há incertezas sobre o comportamento das transferências aos municípios com a transição para o novo modelo tributário.
“Estamos aguardando a partir de janeiro a entrada em vigor de novas regras da reforma tributária para saber como vai ser agora, daqui por diante, esses repasses. Temos o Fundo de Compensação que foi criado para evitar qualquer perda por parte de estados e municípios. Temos um bom ano para o FPM, já estamos no último trimestre do ano e, mais para frente, estaremos aqui no cenário geral de como foi este ano”, destaca.
Os repasses do Fundo de Participação dos Municípios são feitos a cada dez dias. Quando a data prevista coincide com fim de semana ou feriado, o crédito é antecipado para o primeiro dia útil anterior.
O FPM é integrado por parcelas da arrecadação do Imposto de Renda (IR) e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Os recursos são divididos entre os municípios seguindo coeficientes definidos pelo Tribunal de Contas da União (TCU), calculados especialmente com base na população de cada cidade, conforme dados oficiais.
São Paulo concentra o maior volume de recursos neste primeiro decêndio de outubro, com aproximadamente R$ 668 milhões. Entre os municípios paulistas com os maiores repasses estão Atibaia, Santa Rita do Passa Quatro e Barueri cada um com valores superiores a R$ 2,9 milhões.
Na sequência aparece Minas Gerais, com cerca de R$ 665 milhões. No estado, Contagem, Governador Valadares e Divinópolis estão entre os municípios que recebem os maiores valores, todos acima de R$ 3 milhões.
Até o dia 6 de outubro de 2026, 15 municípios estavam impedidos de receber recursos do FPM. Confira a lista:
De acordo com o Tesouro Nacional, os bloqueios podem ocorrer por razões distintas, como a falta de recolhimento da contribuição ao Pasep, pendências previdenciárias junto ao INSS, débitos inscritos na dívida ativa da União pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e a ausência de envio de informações ao Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Saúde (SIOPS).
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“Para que os municípios que, por ventura, não recebam nesta sexta-feira (9) por motivos de bloqueio, indicamos que procure saber primeiramente quais os motivos desse bloqueio, se por pendência junto aos regimes de previdência próprio ou geral, se por não terem entregues os relatórios exigidos pela Lei de Responsabilidade Fiscal ou mesmo por não terem cumprido com obrigações pecuniárias de empréstimos contraídos com aval da União”, orienta Lima.
Os repasses ficam suspensos de forma temporária. Após a regularização da pendência pelo município, a transferência dos recursos é restabelecida. O dinheiro do FPM costuma ser utilizado no financiamento de áreas como saúde, educação, infraestrutura e pagamento de pessoal.
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Baixar áudioOs municípios brasileiros recebem nesta quarta-feira (30) a terceira parcela de setembro do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). O repasse soma mais de R$ 4,5 bilhões, cerca de 1% abaixo do valor registrado no mesmo período do ano passado, quando foram distribuídos aproximadamente R$ 4,6 bilhões.
Neste decêndio, São Paulo concentra o maior volume de recursos, com cerca de R$ 562 milhões destinados aos municípios do estado. Entre as cidades paulistas contempladas estão São Vicente e São Caetano do Sul, que recebem R$ 2,4 milhões, cada.
Na outra ponta, Roraima tem o menor volume total, de aproximadamente R$ 3,3 milhões. Entre os municípios do estado, Alto Alegre e Cantá estão entre os que recebem os maiores valores, em torno de R$ 275 mil cada.
Na avaliação do especialista em orçamento público Cesar Lima, a redução no repasse pode estar associada a um cenário de maior cautela por parte de consumidores e investidores.
“Pode denotar um compasso de espera em relação às eleições que se aproximam ou mesmo uma certa frustração do consumidor em relação à queda de juros, que, apesar de ter acontecido há duas semanas, foi uma coisa bem suave. Eu acho que o mercado esperava uma queda um pouco maior e isso tem realmente deixado uma certa retenção na hora de consumir e fazer investimentos”, considera.
No Nordeste, a Bahia aparece com mais de R$ 365 milhões. Entre os municípios do estado que recebem os maiores valores estão Porto Seguro e Vitória da Conquista, por exemplo.
No Sul, o Rio Grande do Sul recebe o maior montante, com mais de R$ 287 milhões distribuídos entre as prefeituras. Caxias do Sul e Pelotas estão entre as cidades gaúchas contempladas com os maiores repasses.
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No Centro-Oeste, Goiás lidera, com R$ 147 milhões. Anápolis, Luziânia e Rio Verde estão entre os municípios goianos que recebem os maiores valores.
Apesar de o FPM ser destinado aos municípios brasileiros, algumas prefeituras estão impedidas de receber os recursos devido a bloqueios registrados no Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (SIAFI), conforme lista atualizada até 28 de setembro. São elas:
O Fundo de Participação dos Municípios é uma transferência constitucional correspondente a 22,5% da arrecadação da União com o Imposto de Renda (IR) e o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).
A divisão dos recursos entre os municípios leva em conta a população e é atualizada anualmente a partir dos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
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Inflação acumula alta de 3,95% em 2026 e de 4,58% nos últimos 12 meses, segundo o IBGE
Dados do IBGE analisados pelo Instituto Trata Brasil mostram diferença educacional entre estudantes com e sem acesso aos serviços
Boletim InfoGripe, divulgado pela Fiocruz no último dia 8, aponta os três estados com incidência em nível de alerta, risco ou alto risco e sinal de crescimento na tendência de seis semanas; aumento é puxado por crianças e adolescentes
Boletim da Fiocruz indica redução de casos graves associados ao VSR e às influenzas A e B, mas alerta para a necessidade de vacinação e manutenção dos cuidados preventivos
Sondagem da CNI também mostra piora das expectativas dos empresários para os próximos seis meses
Pesquisa do FGV IBRE mostra que 59,3% consideram improvável ou muito improvável perder a principal ocupação; apenas 12,1% veem essa possibilidade como provável
Levantamento da Opinião Inteligência Política cruza resultado das urnas com seis pesquisas nacionais e indica vantagem do candidato; estudo mostra que Lula precisará conquistar eleitores além dos que votaram em candidatos eliminados para reverter o cenário
Iniciativa do CMEC e da CACB une parlamentares e setor produtivo para destravar projetos voltados ao financiamento de negócios liderados por mulheres, incentivo a negócios e combate à violência patrimonial
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Também houve redução nos registros de chikungunya e Zika em comparação com o mesmo período do ano passado, segundo o Ministério da Saúde
Paraná e Santa Catarina podem registrar pancadas e trovoadas; no Rio Grande do Sul, há previsão de chuva isolada e temperaturas amenas
Instabilidade atinge áreas de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal; máxima pode chegar a 36°C em Goiânia
Café arábica e robusta registram alta, enquanto milho apresenta queda de 2,61%
Boi gordo registra leve alta, enquanto carcaça suína especial tem valorização de 5,60% em São Paulo
O café arábica registra alta de um vírgula zero um por cento, com a saca de sessenta quilos cotada a mil quinhentos e quarenta e sete reais e vinte e dois centavos, em São Paulo.
O café robusta também sobe, com valorização de um vírgula zero três por cento, e é negociado a novecentos e setenta e um reais e dezoito centavos.
O açúcar cristal apresenta alta de zero vírgula cinquenta por cento na capital paulista, com a saca de cinquenta quilos cotada a cento e vinte e três reais e setenta e oito centavos.
Já em Santos, no litoral paulista, o açúcar registra aumento de quatro vírgula quinze por cento, com preço médio de cento e trinta e oito reais e cinquenta e um centavos por saca, sem impostos.
O milho segue na direção contrária, com queda de dois vírgula sessenta e um por cento. A saca de sessenta quilos é negociada a sessenta e cinco reais e cinquenta e nove centavos.
Os dados são do Cepea.
Reportagem, Viviane Bessa.
O preço do boi gordo registra leve alta de zero vírgula zero cinco por cento nesta quarta-feira. Em São Paulo, a arroba é negociada a trezentos e setenta e oito reais.
No mercado de frango, o quilo do produto congelado custa oito reais e trinta e nove centavos, enquanto o resfriado é cotado a oito reais e quarenta e um centavos, nas regiões da Grande São Paulo, São José do Rio Preto e Descalvado.
Já a carcaça suína especial apresenta valorização de cinco vírgula sessenta por cento nos atacados da Grande São Paulo, com o quilo comercializado a nove reais e noventa e nove centavos.
Entre os estados analisados, o menor preço do suíno vivo é registrado no Rio Grande do Sul, onde o animal é negociado a cinco reais e setenta e cinco centavos por quilo.
Os dados são do Cepea.
Reportagem, Viviane Bessa.
A saca de sessenta quilos da soja registra queda nesta quarta-feira. No interior do Paraná, a desvalorização é de zero vírgula vinte e dois por cento, com o produto cotado a cento e quarenta e sete reais e noventa e oito centavos.
Na região de Paranaguá, no litoral paranaense, a queda é de zero vírgula trinta e nove por cento, e a saca é negociada a cento e cinquenta e quatro reais e quinze centavos.
Já o mercado do trigo apresenta variações entre os estados. No Paraná, a tonelada do cereal é comercializada a mil quinhentos e sessenta e um reais e cinquenta e oito centavos. No Rio Grande do Sul, o produto é vendido a mil quatrocentos e setenta e dois reais e sessenta e nove centavos.
Os dados são do Cepea.
Reportagem, Viviane Bessa.