Mineração

02/11/2026 04:20h

No Dia Nacional da Reciclagem do Alumínio, a ABAL lembra que 54% do metal consumido no Brasil em 2025 veio da reciclagem, num mercado global em déficit de oferta

A Associação Brasileira do Alumínio (ABAL) comemorou, em 28 de outubro, o Dia Nacional da Reciclagem do Alumínio, data instituída pela entidade há 23 anos para reconhecer uma das cadeias mais bem estruturadas do país. Segundo o International Aluminum Institute (IAI), a demanda global por alumínio deve crescer 40% até 2030, impulsionada pela transição energética em setores como transporte, construção civil e geração de energia, todos fortemente dependentes do metal e engajados na redução de emissões.

Para atender a esse aumento, a reciclagem será fundamental pelo fato do alumínio ser um material que pode ser reciclado infinitas vezes sem perder suas propriedades, permitindo ampliar a oferta sem depender exclusivamente da produção primária. Atualmente, o mercado global do alumínio vive momento de forte tensão entre oferta e demanda, e a reciclagem surge como uma das respostas mais eficientes para enfrentá-la. A guerra no Golfo Pérsico, região que responde por cerca de 10% da produção mundial, e a escalada tarifária promovida pelos Estados Unidos desorganizaram rotas e fluxos comerciais, pressionando ainda mais a oferta. Segundo a CRU, consultoria global de inteligência de mercado focada em commodities como mineração e metais, o déficit global de alumínio estimado alcançou 647 mil toneladas no segundo trimestre de 2026.

Nesse contexto, o Brasil ganha destaque com a reciclagem das latinhas de alumínio, que já batem recordes há mais de 15 anos, com índices de reciclagem acima de 96%, o que mantém o Brasil entre os líderes mundiais e o consolida como referência em economia circular. Em 2025, 54% de todo o alumínio consumido no país vieram da reciclagem. Além das latinhas, entram nessa conta resíduos de diferentes produtos, dos segmentos de construção civil, transporte e bens duráveis, incluindo as aparas da indústria. Essa estrutura diversificada garante segurança de suprimento como fonte complementar ao alumínio primário, no momento em que a oferta internacional está sob pressão.

Cada tonelada de alumínio reciclado economiza cerca de 95% da energia utilizada na produção primária, o que contribui diretamente para a redução de emissões de carbono e para a descarbonização das cadeias que utilizam o metal. “Em um cenário de demanda crescente, déficit de oferta e instabilidade geopolítica, a sucata de alumínio deixa de ser apenas um resíduo e se consolida como insumo estratégico. O Brasil tem uma cadeia de reciclagem eficiente e consolidada, e nosso desafio é garantir que esse diferencial continue sendo competitivo e atenda em primeiro lugar a economia nacional”, afirma Janaina Donas, presidente-executiva da ABAL.

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02/11/2026 04:10h

Proposta analisada pela CNM também indica recuo de 11,9% na compensação mineral; valores dependem de cotações e produção real

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As transferências destinadas aos municípios por conta da produção de petróleo e gás natural têm previsão de R$ 19,7 bilhões no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027. O montante representa uma queda nominal de 24,5% em relação aos R$ 26,1 bilhões da dotação atualizada de 2026 — uma diferença aproximada de R$ 6,4 bilhões.

A estimativa consta em levantamento da Confederação Nacional de Municípios (CNM), que identifica os recursos na ação orçamentária 0A53 (vinculada à Lei 9.478/1997). Essa redução na área de petróleo e gás responde por cerca de 80% de toda a queda prevista no grupo de transferências federais analisado pela entidade.

Variações nas compensações de mineração e recursos hídricos

O estudo da CNM também aponta oscilações nas demais transferências vinculadas à exploração de recursos naturais:

  • Compensação Mineral (CFEM): Previsão cai 11,9%, passando de R$ 5,9 bilhões em 2026 para R$ 5,2 bilhões em 2027;
  • Tratado de Itaipu: Estimativa recua 9,9%, caindo de R$ 1,1 bilhão para R$ 1,0 bilhão;
  • Recursos Hídricos para Energia Elétrica: Apresenta alta de 11,8%, subindo de R$ 1,6 bilhão para R$ 1,8 bilhão.

Comparação orçamentária x execução real

A CNM ressalta que essas projeções não equivalem a perdas ou ganhos já consolidados. A análise confronta a dotação atualizada de 2026 (que reflete modificações feitas ao longo do ano) com a proposta inicial para 2027, sem descontar a inflação.

VEJA MAIS:

Como receitas de royalties e compensações variam diretamente conforme preços internacionais, câmbio e volume de produção, os repasses efetivos dependerão da arrecadação real ao longo do exercício.

O levantamento da CNM não discrimina os valores por estado nem identifica os municípios beneficiários. A tramitação do PLOA 2027 pode ser acompanhada pelo portal do Orçamento no Congresso Nacional.
 

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29/10/2026 04:00h

Produto obtido em laboratório na Austrália a partir das argilas iônicas do depósito Woolrich tem 54,4% de óxidos de terras raras e teores muito baixos de urânio e tório

A Axel REE Limited anunciou com sucesso a produção de um carbonato de terras raras misto (MREC) de alta qualidade como parte do programa contínuo de testes metalúrgicos em seu depósito de elementos de terras raras iônicos Woolrich de 265 milhões de toneladas (Inferido e Indicado), dentro do Projeto Caladão, 100% de propriedade da empresa, em Minas Gerais. O teste de laboratório MREC04, realizado pela CORE Resources na Austrália, produziu 54,4% de TREO MREC, com 97% de TREO e 99% de precipitação de MREO da solução de lixiviação rica (PLS) obtida sem um estágio dedicado de remoção de impurezas no circuito MREC04.

O teste utilizou uma alimentação mista composta por soluções de lixiviação ricas dos testes de coluna CLT-03 e CLT-04, juntamente com o filtrado do teste de precipitação MREC03 anterior. Os resultados representam um importante passo em frente na avaliação das características do processamento a jusante da Woolrich e destacam o potencial para desenvolver um fluxograma simplificado de recuperação de terras raras usando lixiviação com sulfato de magnésio e precipitação com bicarbonato de magnésio. “A produção bem-sucedida de um carbonato de terras raras misto de alta qualidade é um marco importante para a Woolrich e demonstra o progresso contínuo do nosso programa de desenvolvimento metalúrgico. O que é particularmente encorajador é que alcançamos um produto com 54,4% de TREO com excelente desempenho de precipitação, sem a necessidade de uma etapa dedicada à remoção de impurezas neste circuito de teste. Esses resultados destacam as vantagens potenciais da química da solução de lixiviação da Woolrich e fornecem uma base promissora para o desenvolvimento de uma rota de processamento downstream mais simples e eficiente à medida que avançamos para testes em escala de campo”, disse Patience Mpofu, Diretora Administrativa da Axel REE. Para Mpofu, as concentrações excepcionalmente baixas de urânio e tório no produto final são particularmente significativas, pois demonstram os benefícios potenciais do regolito mineralizado naturalmente tamponado da Woolrich, que tem consistentemente mostrado mobilização limitada de impurezas durante a lixiviação com sulfato de magnésio.

Os testes laboratoriais bem-sucedidos tornam a Axel a primeira empresa conhecida em Minas Gerais a desenvolver um processo de recuperação *in situ* a partir de argilas de adsorção iônica. O carbonato misto de terras raras da Axel foi produzido por meio de um método que simula a recuperação *in situ*, sob condições de testes em coluna realizados em um laboratório independente, a CORE Resources. O método utilizou argilas de adsorção iônica (IAC) provenientes da jazida Woolrich, no Projeto Caladão — uma área que conta com infraestrutura próxima, incluindo acesso a água, energia hidrelétrica, estradas pavimentadas e instalações de transporte. A solução de lixiviação rica (PLS, na sigla em inglês) gerada oferece uma possibilidade operacional que dispensa uma etapa dedicada à remoção de impurezas — um procedimento padrão na maioria dos circuitos de processamento de terras raras, que geralmente exige um investimento de capital elevado e gera custos operacionais significativos.

A CORE Resources obteve sucesso na produção de um carbonato misto de terras raras (MREC) de alto teor, contendo 54,4% de óxidos totais de terras raras (TREO, na sigla em inglês). Esse feito representa um marco importante no programa de desenvolvimento metalúrgico da Axel para a jazida Woolrich. O teste de precipitação MREC04 resultou em 15,11 g de MREC seco, a partir de uma carga composta por soluções de lixiviação em coluna (contendo sulfato de magnésio) provenientes dos ensaios CLT-03 e CLT-04, combinadas com o filtrado do teste de precipitação anterior, MREC03. O produto foi obtido sem a necessidade de uma etapa específica para a remoção de impurezas no circuito MREC04, o que demonstra o potencial para simplificar o processamento subsequente e reduzir o número de etapas de tratamento necessárias para a recuperação de terras raras.

O MREC final apresenta 35,9% de óxidos de terras raras para ímãs em relação ao teor total de óxidos de terras raras (TREO). Esse montante inclui 34,1% de NdPr (neodímio-praseodímio) e 1,75% de DyTb (disprósio-térbio) dentro da composição total, confirmando uma contribuição expressiva dos quatro elementos de terras raras essenciais para a fabricação de ímãs permanentes de alto desempenho. O produto apresentou, ainda, concentrações muito baixas de urânio e tório — 0,78 ppm e 0,10 ppm, respectivamente —, além de baixos teores de alumínio e ferro. Altas taxas de recuperação por precipitação evidenciam potencial para simplificação do processamento de Woolrich. O teste MREC04 alcançou 97% de recuperação de TREO (óxidos de terras raras totais) e 99% de MREO (óxidos de terras raras magnéticas) por meio de precipitação com bicarbonato de magnésio, demonstrando uma eficiência elevada na precipitação de terras raras a partir de soluções provenientes da lixiviação de Woolrich, sob condições laboratoriais. O teste obteve esses resultados sem a necessidade de uma etapa específica para a remoção de impurezas no circuito MREC04. A empresa afirma que é um resultado promissor para o programa de desenvolvimento metalúrgico de Woolrich e destaca o potencial para simplificar o fluxograma de processamento subsequente.

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28/10/2026 04:40h

Análise apresentada no fórum da Project Blue, em Londres, indica que Pequim pode, no máximo, aliviar parte dos controles de exportação montados ao longo de duas décadas

O Project Blue Critical Materials Forum London 2026, realizado em 20 de outubro na capital britânica, consolidou-se como um dos principais pontos de encontro globais para analistas de mercado, traders, produtores e formuladores de políticas dedicados às cadeias de suprimentos de materiais críticos. Sob o tema central “The Shifting Critical Material World Order”, o evento apresentou um diagnóstico estrutural de como seis vetores — desenvolvimento econômico, eletrificação e segurança energética, novas tecnologias, geopolítica, reindustrialização e fluxos de capital — estão redefinindo simultaneamente a oferta e a demanda de dezenas de commodities estratégicas.

Os dados apresentados pelos analistas da Project Blue e pelo convidado Jan Giese, fundador da Critera GmbH, mostram uma bifurcação sem precedentes nos preços de terras-raras: o óxido de disprósio negociado em armazém em Rotterdam atingiu US$ 4.500/kg em 15 de outubro de 2026, contra US$ 1.265/kg no FOB China, uma diferença de 1.700% derivada dos controles de exportação chineses reintroduzidos em abril de 2025. A dependência global, embora atenuada a montante (de 97% em 2010 para 69% hoje na mineração), deslocou-se downstream: 84% do refino de ímãs de terras-raras permanece na China.

Terras-raras: ecos de 2010 e controles de 2025

O caso do óxido de disprósio (99,5% min.) ilustra com nitidez a volatilidade que define o mercado de terras-raras. Em julho de 2010, a redução das cotas de exportação chinesas — que então abasteciam cerca de 97% do mercado global — detonou um movimento de compra de pânico. Entre janeiro de 2009 e agosto de 2011, o preço subiu aproximadamente 2.500%, atingindo US$ 2.377/kg. A correção foi igualmente dramática: entre agosto de 2011 e dezembro de 2015, o preço caiu 91%, vitimando produtores ocidentais como a Molycorp, cuja falência em junho de 2015 simbolizou o colapso do modelo de negócio construído sobre o pico.

Em abril de 2025, em meio à disputa tarifária com os Estados Unidos, a China reintroduziu controles de exportação — desta vez por meio de licenciamento, sobre sete terras-raras pesadas. A expansão de outubro de 2025 (suspensa até novembro de 2026) consolidou um mercado de dois níveis: dentro da China, os preços mal se moveram; no mercado spot fora da China, o disprósio saltou para US$ 4.500/kg em 15 de outubro de 2026 — 1.700% acima do FOB China de US$ 1.265/kg.

A comparação entre 2010 e 2026 revela, contudo, diferenças estruturais importantes. A dependência a montante recuou (de 97% para 69% na mineração), mas migrou downstream: hoje 84% do refino de ímãs de terras-raras permanece na China. A reação política fora do país também foi mais forte e mais diligente — os US$ 250 milhões que o Japão aportou na Lynas em 2011 (empréstimo e participação acionária) tornaram-se US$ 400 milhões em participação acionária americana na MP Materials, com preço mínimo garantido (price floor) por 10 anos.

A China que reintroduziu os controles de exportação em 2025 não é mais a fornecedora de commodities da virada do milênio. Os dados do Banco Mundial mostram que a participação chinesa no valor adicionado da manufatura mundial subiu de 18%, em 2010, para 28%, em 2024. O peso do PIB chinês no total mundial saltou de 9% para 16% no mesmo período, e a relação PIB China/EUA passou de 41% para 63%. Esse ganho de peso muda a alavanca geopolítica de Pequim em qualquer disputa de cadeias de suprimentos.

Essa transformação reflete-se na pauta exportadora. Os planos estatais para os veículos elétricos, tratados como indústria estratégica desde 2010, funcionaram: o valor das exportações chinesas de carros de passeio (HS 8703) cresceu 50 vezes entre 2010 e 2025, saltando de US$ 1,4 bilhão para US$ 110 bilhões, com mais valor adicionado permanecendo no país.

O dado mais revelador dessa estratégia vem das estatísticas alfandegárias chinesas: em 2026 (jan-ago, anualizado) versus 2024, as exportações de ímãs permanentes cresceram 8% (atingindo 2,7 vezes o volume de 2015), enquanto as exportações de disprósio despencaram 54% e as de térbio, 78%. A China exporta o produto acabado e retém a matéria-prima — uma arquitetura que maximiza a captura de valor e minimiza a exposição a controles externos.

A consolidação do controle sobre o setor foi longa e deliberada. Em 2012, as licenças de mineração foram cortadas de 113 para 67. Em 2016, o “Big Six” consolidou a indústria. Em 2021, formou-se o China Rare Earth Group (CREG). Em fevereiro de 2024, apenas dois grupos estatais detinham cotas de mineração e fundição. Em outubro de 2024, entrou em vigor regulamento que impõe propriedade estatal, controle de volume e rastreabilidade. Os controles de exportação de 2025 não foram surpresa: foram preparados ao longo de mais de duas décadas.

Os padrões de comércio de concentrado de cobre estão se redesenhando. As rotas chinesas e não-chinesas divergem: em 2024, 39% do concentrado seguiu para um destino e 26% para outro, contra 35% e 25% anteriormente — números que refletem tanto a expansão da capacidade de fundição chinesa quanto a busca de diversificação por compradores ocidentais. A descoberta de preços, antes unificada em torno de um benchmark global liderado pela China, fragmenta-se em quatro camadas: índice global, mercado spot dominado pela China, índice de preço, mercado bilateralmente negociado e índices regionais.

A perspectiva de tarifas americanas ampliou o spread entre COMEX e LME, sustentando uma arbitragem de importação e provocando uma redistribuição anormal dos estoques globais — com estoques americanos fora da bolsa (off-exchange) crescendo enquanto estoques de outras regiões nas bolsas recuam. A reciclagem ganha espaço: 26% em 2020, 37% em 2025. Mas a política pode reverter essa tendência — a UE aprovou novas regulações de embarque de resíduos e os EUA emitiram proclamação sobre cobre de sucata, o que pode restringir 375 kt de cobre em sucata exportados da Europa para a China.

Os preços e a política têm, finalmente, apoiado novos investimentos. O fórum identificou 640 kt de capacidade em projetos estratégicos privados e 725 kt adicionais provenientes de investimento governamental direto — um sinal de que a resposta de oferta, embora lenta, está em curso. A questão colocada por Pickens é se essa resposta será rápida e geograficamente diversificada o suficiente para acompanhar a demanda de eletrificação, ou se reproduzirá a dinâmica de dois níveis já vista nas terras-raras.

Novos drivers: inteligência artificial e defesa

Jessica Roberts, da Project Blue, mapeou os novos drivers de demanda que ganharam peso desde a LME Week 2025. A inteligência artificial lidera a lista: chips, data centers, infraestrutura de energia, armazenamento e máquinas habilitadas por IA puxam, cada um, uma cesta distinta de materiais críticos.

Um dos pontos mais relevantes da apresentação foi o estudo de caso de High Purity Alumina (HPA): chips de IA exigem matérias-primas de pureza substancialmente maior do que as demandadas pela eletrônica convencional, abrindo uma janela de oportunidade para produtores capazes de atender a essas especificações. Os atrasos na conexão de data centers à rede elétrica, por sua vez, estão impulsionando a demanda por turbinas a gás aeroderivativas — e os materiais que as compõem.

A defesa emergiu como o segundo grande driver. Fuselagens e motores de aeronaves, inclusive militares, utilizam muitos dos mesmos materiais da cadeia de IA: titânio, alumínio e ligas de níquel-cobalto. O estudo de caso do tungstênio mostrou os Estados Unidos buscando ativamente garantir cadeias domésticas de suprimento — um movimento que deve se repetir para outros materiais.

Os semicondutores foram apresentados como ativos críticos de defesa nacional e segurança estratégica, e não apenas como insumos industriais. Wafers de 12 polegadas ganham participação ano a ano, consolidando uma tendência de densidade crescente. A pergunta deixada no ar — “can the West stand alone in critical minerals?” — sintetiza a tensão central: a reindustrialização pretendida pelo Ocidente depende de materiais cujas cadeias ainda passam majoritariamente pela China.

Conclusão e implicações

A análise consolidada por Jan Giese, da Critera, em colaboração com a Project Blue, concluiu que um retorno pleno às condições de mercado de 2010 é improvável. Os reflexos são os mesmos — pico de preço, medo no mercado, financiamento estatal fora da China e dependência persistente em relação à China. Mas a situação subjacente mudou em quatro dimensões críticas: o controle foi construído desde 2002; a China responde por 16,5% do PIB mundial, não mais 9%; o país exporta produtos acabados e retém matérias-primas; e os rivais pagam mais, enquanto a China captura valor downstream.

A avaliação probabilística apresentada no encerramento do fórum atribui baixa probabilidade a um retorno total ao cenário de 2010 e probabilidade possível a uma flexibilização parcial e seletiva dos controles — ou seja, Pequim pode aliviar restrições em materiais específicos quando isso atender aos seus interesses comerciais, sem desmontar a arquitetura de controle construída ao longo de duas décadas. Para produtores, consumidores e investidores, a recomendação é única: planejar explicitamente para segurança de suprimento, diversificando fontes, antecipando contratos de price floor e monitorando continuamente os sinais de política chinesa.

Para o Brasil, as implicações são duplas. De um lado, o país é parte do esforço de diversificação — com projetos em terras-raras, nióbio, lítio, grafita e cobre que se beneficiam da reindustrialização ocidental. De outro, a volatilidade dos preços de materiais críticos e a fragmentação dos mercados regionais exigem inteligência de dados sofisticada para tomar decisões de investimento e de comercialização.

A Project Blue é uma provedora de inteligência de mercado para mais de 50 cadeias de suprimentos de materiais críticos. Em 2027, promove conferências em Munique (veículos elétricos e baterias, 23 e 24 de fevereiro) e em Washington (aeroespacial e defesa, 17 e 18 de maio). A Brasil Mineral e a Project Blue mantêm parceria editorial. Mais informações em www.projectblue.com.

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27/10/2026 04:00h

Decreto leva 23 cargos para o MDIC, que vai analisar mudanças de controle de mineradoras e projetos estratégicos, mas não define quais operações passam pelo conselho

O Governo Federal criou três subsecretarias e remanejou 23 cargos e funções para estruturar o funcionamento do CIMCE (Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos), criado em setembro para coordenar a política brasileira para o setor. A medida consta de decreto assinado pelo presidente Lula em 16 de outubro e publicado no Diário Oficial da União, no dia 19 de outubro.

A nova estrutura terá como base o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), responsável pela secretaria-executiva do conselho. O colegiado, vinculado à Presidência da República, foi instituído pela Lei nº 15.506, sancionada em 16 de setembro, com o objetivo de ampliar a participação brasileira nas cadeias globais de minerais críticos, como terras raras, lítio e níquel, e estimular o processamento desses recursos no país. Entre suas atribuições estão a aprovação de projetos considerados estratégicos e a análise de determinadas operações empresariais, incluindo mudanças de controle de mineradoras, transferências de direitos minerários e acordos internacionais de fornecimento.

Uma das três novas estruturas será a Subsecretaria de Análise de Operações, responsável por receber e examinar requerimentos, elaborar relatórios técnicos e preparar propostas de decisão sobre negócios submetidos ao conselho. A área também poderá instruir a abertura de procedimentos por iniciativa do próprio governo, além de preparar propostas de medidas cautelares e acompanhar o cumprimento das condições impostas às empresas. Já a Subsecretaria de Projetos ficará encarregada de analisar pedidos de enquadramento de empreendimentos nos instrumentos da política mineral, organizar o cadastro de projetos estratégicos e monitorar sua execução. A terceira área, de Gestão e Assessoramento ao Pleno, será responsável pela organização das reuniões, preparação de documentos e acompanhamento da PNMCE (Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos).

Ao todo, o decreto remaneja 23 cargos comissionados e funções de confiança do Ministério da Gestão para o MDIC, incluindo os postos de secretário-executivo, três subsecretários, coordenadores e assessores. A medida não representa, necessariamente, a contratação de novos servidores. Pelas regras estabelecidas o conselho poderá homologar operações sem restrições, impor condições ou impedir determinados negócios envolvendo minerais críticos e estratégicos. A decisão caberá ao Comitê Executivo do CIMCE, formado por representantes de nove ministérios e presidido pelo MDIC.

O novo decreto não amplia esses poderes, mas estabelece a estrutura técnica responsável pela análise dos processos que serão submetidos ao colegiado. Apesar do avanço administrativo, a norma não apresenta novos critérios para determinar quais operações deverão passar pela análise do conselho, nem detalha as condições que poderão ser exigidas das empresas. O decreto também prevê que o regimento interno do CIMCE, responsável por disciplinar seu funcionamento, será proposto pelo Comitê Executivo. (CNN)

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24/10/2026 04:50h

Pesquisa avalia reservas, capacidade de extração e desafios industriais para orientar políticas públicas e estimular a agregação de valor à produção nacional

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Um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) busca identificar oportunidades para ampliar a participação do Brasil na cadeia produtiva de baterias elétricas, a partir de um diagnóstico da capacidade nacional de extração e processamento de minerais críticos. A análise, ainda em andamento, mapeia os segmentos em que o país já é competitivo, aqueles em que sua inserção ainda é nascente e os que enfrentam desafios estruturais mais profundos.

A pesquisa identifica as reservas minerais brasileiras e a capacidade de extração desses recursos, além de analisar os diferentes elos da cadeia produtiva de baterias, desde o fornecimento de matérias-primas até a fabricação do produto final. O levantamento também examina as políticas públicas e os instrumentos existentes para estimular o desenvolvimento do setor.

A iniciativa é resultado de um acordo de cooperação técnica entre a CNI, o Net Zero Industrial Policy Lab, da Universidade Johns Hopkins, e o Instituto E+ Transição Energética. A parceria prevê a realização de estudos e a elaboração de propostas de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento de cadeias produtivas relacionadas aos minerais críticos.

O especialista em Políticas e Indústria da CNI, Rodrigo Curi, explica que o trabalho começou com a análise de dados e o diagnóstico dos diferentes elos da cadeia produtiva de baterias no Brasil. A próxima etapa envolve entrevistas com representantes de diversos segmentos do setor.

“Essa entrevista tende a enriquecer o trabalho, porque, no final, o que se propõe é que consigamos estabelecer uma série de recomendações de políticas e instrumentos para o desenvolvimento dessa cadeia, a partir da visão dos próprios participantes dessa cadeia”, afirma.

Segundo o superintendente de Política Industrial da CNI, Fabrício Silveira, as recomendações devem considerar as capacidades reais da indústria brasileira para extrair minerais críticos e transformá-los em produtos de maior valor agregado. O objetivo é identificar oportunidades concretas abertas pela transição energética, em alinhamento com o programa Nova Indústria Brasil (NIB).

“O Brasil detém reservas relevantes a nível global de minerais críticos e terras raras, elementos centrais para diversas cadeias produtivas ligadas à digitalização e transformação ecológica, dentre elas a de baterias elétricas. Essa é uma oportunidade que se apresenta ao país”, explica.

Para Silveira, o desafio é evitar que o Brasil se limite à exportação de commodities e à importação de produtos acabados. Na avaliação do superintendente, o país precisa identificar os caminhos e as políticas necessárias para avançar nas etapas de processamento e transformação dos minerais, agregando valor à produção nacional e fornecendo insumos para o desenvolvimento de outros setores industriais.

Minerais críticos são estratégicos para a indústria

Os minerais críticos têm aplicações em setores considerados estratégicos para a economia, como transição energética, digitalização, defesa e alta tecnologia. Esses recursos são utilizados na fabricação de baterias, veículos elétricos, semicondutores, turbinas eólicas, painéis solares, entre outros equipamentos e produtos industriais.

Rodrigo Curi destaca que a importância desses minerais cresce à medida que avança a transição energética global. Segundo ele, o desenvolvimento das cadeias produtivas associadas a esses recursos pode gerar efeitos positivos em diferentes segmentos da indústria.

“Eles representam insumos para diversos equipamentos que fazem parte da transição energética, como as baterias elétricas. Então, o desenvolvimento dos diversos setores que dependem dos minerais críticos pode gerar efeitos encadeados em outros setores industriais, além de ganhos para a sociedade. Não é à toa que o mundo inteiro tem olhado para eles como importantes instrumentos para essa transformação industrial”, afirma.

Parceria busca orientar políticas industriais e investimentos

As instituições parceiras foram selecionadas pela experiência em projetos relacionados à transição energética e à política industrial. Com a cooperação, a CNI também pretende abrir novas frentes de trabalho, com o objetivo de ampliar a participação da indústria nacional nas diferentes etapas de produção, aumentando a integração entre fornecedores, fabricantes e setores consumidores.

Segundo Tim Sahay, co-diretor do Net Zero Industrial Policy Lab, a colaboração com a CNI busca oferecer uma avaliação atualizada das cadeias globais de valor de minerais críticos e baterias, caracterizadas pela elevada competitividade, além de analisar as possibilidades de inserção do Brasil nesses mercados.

“A agenda de políticas para minerais críticos no Brasil tem se concentrado na segurança do abastecimento, na capacidade de refino e processamento no país, no desenvolvimento de projetos de mineração, como terras raras, lítio, níquel, etc., e na política de transferência de tecnologia com parceiros internacionais. Nosso trabalho destina-se a servir como subsídio técnico para esse processo”, explica.

Sahay destaca que o laboratório reúne análises técnicas de cadeias de suprimentos de energia limpa e estudos de políticas industriais para estimular parcerias estratégicas entre governos e empresas.

“O laboratório apoia formuladores de políticas e empresas na elaboração de estratégias industriais ‘verdes’ inteligentes e direcionadas. Nossas ferramentas baseadas em dados ajudam a mitigar riscos, orientando esses atores a evitar investimentos ineficientes em áreas pouco competitivas ou a adesão a setores ‘da moda’ — práticas que frequentemente levam a excesso de capacidade, cancelamento de projetos e iniciativas frustradas logo no início”, destaca o pesquisador.

Já o Instituto E+ é um centro de estudos estratégicos independente que conecta governos, indústria, sociedade civil e academia. A instituição atua na promoção da transição energética e da transformação verde da indústria como vetores do desenvolvimento socioeconômico brasileiro.

A diretora-executiva do instituto, Rosana Santos, ressalta que o avanço da transição energética aumenta a demanda por minerais críticos e exige uma compreensão detalhada das cadeias produtivas associadas a cada recurso. Segundo ela, essa análise permite identificar em quais etapas o país tem melhores condições de agregar valor à produção.

“O Brasil dispõe de uma base industrial diversificada, que pode fortalecer sua posição nas negociações internacionais. Construir esse diagnóstico com dados e em parceria com a indústria é fundamental para formular políticas públicas mais robustas”, afirma.

A iniciativa também está alinhada à Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, instituída pela Lei nº 15.506/2026. A CNI integra o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE), vinculado à Presidência da República, com direito a voto como representante do setor privado.

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24/10/2026 04:00h

Evento de 12 de novembro, no Rio de Janeiro, junta pesquisa e mercado para discutir financiamento, minerais críticos e empreendedorismo científico

O Núcleo de Inovação Tecnológica do Centro de Tecnologia Mineral (NIT-CETEM), com o apoio da PUC-Rio, da Petrobras, da InovaUFRJ, da Incubadora COPPE, da FINEP e do BNDES, convida pesquisadores, bolsistas e estudantes de graduação e pós-graduação para o seminário “Inovação sem Muros: Conectando Tecnologia com o Mercado”, que será realizado no dia 12 de novembro, das 9h às 16h30, no CETEM, no Rio de Janeiro.

O evento promoverá o diálogo entre pesquisa, inovação e mercado, com discussões sobre tecnologias inovadoras para a mineração, oportunidades de financiamento, investimentos em minerais críticos, programas de conexão com empresas e empreendedorismo científico. As inscrições podem ser feitas pelo formulário on-line e a programação completa pode ser conferida no site do CETEM.

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20/10/2026 04:20h

Setor cresce 8,6% e já é responsável por mais da metade de todas as contratações na área de mineração no país

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As atividades relacionadas a Minerais Críticos e Estratégicos (MCE) somam 129.423 empregos no Brasil, o equivalente a 57% dos 226.634 postos da indústria extrativa mineral. Os dados, referentes a 2025, estão no Portal de Minerais Críticos e Estratégicos da Agência Nacional de Mineração (ANM), lançado na última quarta-feira (14).

O mercado de trabalho ligado aos MCE cresceu 8,6% entre 2023 e 2025. Do total de empregos do segmento, 51.714 são de mão de obra qualificada, o que representa 23% de todos os postos da indústria extrativa mineral do país. Os trabalhadores com ensino superior somam 30.707, ou 14% do total da indústria extrativa.

Entre os trabalhadores do segmento, as mulheres ocupam 28.658 postos, o equivalente a 22% dos empregos relacionados aos MCE. Os homens respondem por 100.765 postos, ou 78%.

Remuneração e localidades

Em 2025, as remunerações medianas dos trabalhadores com ensino fundamental, médio e superior foram, respectivamente, de R$ 3.218,08, R$ 4.142,24 e R$ 11.856,16.

Os empregos estão distribuídos por diferentes estados e municípios. Entre as cidades com mais trabalhadores em atividades relacionadas aos MCE estão Parauapebas (PA), com 8.234 empregos; Nova Lima (MG), com 8.218; e Congonhas (MG), com 7.114.

Em Parauapebas, 71,4% dos trabalhadores são homens e 28,6% mulheres, e 1.851 têm nível superior. Em Nova Lima, a divisão é de 63,3% de homens e 36,7% de mulheres, e 4.776 dos 8.218 empregados possuem ensino superior. Em Congonhas, 73,2% são homens e 26,8% mulheres, e 1.234 trabalhadores têm nível superior.

Potencial

Dentro da categoria de minerais críticos estão as terras raras. Com cerca de 21 milhões de toneladas passíveis de extração, segundo o Serviço Geológico Braileiro (SGB), o Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, atrás apenas da China. Esses minérios são bastante demandados especialmente pelas indústrias de defesa e de alta tecnologia, para produção de semicondutores e baterias de última geração.

A maior parte das reservas brasileiras de terras raras, nióbio, lítio e outros minerais estratégicos, se concentra nos estados de Goiás e Minas Gerais.

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18/10/2026 04:00h

Repasse da ANM inclui mais de R$ 93 milhões para estados e Distrito Federal e R$ 372 milhões para municípios

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Estados, Distrito Federal e municípios produtores minerários receberam mais de R$ 465 milhões em royalties do setor. O repasse, realizado pela Agência Nacional de Mineração (ANM) na quinta-feira (15), corresponde à Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM) arrecadada em setembro.

Desse montante, mais de R$ 93 milhões são destinados aos estados e ao Distrito Federal, enquanto os municípios ficam com mais de R$ 372 milhões.

Para o especialista em orçamento público, Cesar Lima, esses recursos são fundamentais para melhorar a qualidade de vida da população que vive em áreas dos municípios produtores minerários. 

“São recursos que certamente poderão ser usados para alguma melhoria, algum custeio. Como são recursos livres, não há uma amarração para esses recursos, mas com certeza serão usados com sabedoria para a melhoria da qualidade de vida da população desses municípios”, avalia.

Este é o segundo repasse feito pela ANM por meio da ferramenta de distribuição da Plataforma de Gestão de Recursos Minerais (PGRM). A plataforma passou a operar a arrecadação da CFEM em 7 de julho de 2026 e respondeu por 99,62% do total arrecadado.

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Somente em relação aos repasses previstos via PGRM, Minas Gerais e Pará contam com os maiores valores entre os estados, com cerca de R$ 39 milhões e R$ 36 milhões, respectivamente. 

CFEM: regras para utilizar os recursos

A aplicação dos valores recebidos da CFEM deve respeitar as normas legais. Os entes beneficiados não podem usar os recursos para pagar dívidas, exceto aquelas com a União ou seus órgãos. Também é proibido custear despesas fixas com pessoal.

Há uma exceção para os gastos com educação. Os recursos podem ser destinados a essa área, inclusive ao pagamento de salários de professores da rede pública, especialmente na educação básica em tempo integral.

A legislação prevê ainda que, preferencialmente, pelo menos 20% dos valores sejam destinados a iniciativas de diversificação da economia, exploração mineral sustentável e pesquisa científica e tecnológica.

Transparência na aplicação do dinheiro

Os estados e os municípios que recebem a CFEM devem divulgar anualmente como utilizaram os recursos, conforme as regras da Lei de Acesso à Informação (Lei nº 12.527/2011).

Para consultar os dados, os interessados podem acessar, no site da ANM, a seção “Compensação Financeira pela Exploração Mineral – CFEM”. No site do Banco do Brasil, é possível verificar a data em que os valores foram creditados na conta bancária de cada ente federativo.

Os valores destinados aos estados e municípios podem ser consultados em relatórios da ANM, que contemplam tanto o sistema anterior, chamado de sistema legado, quanto a nova Plataforma de Gestão de Recursos Minerais (PGRM).
 

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16/10/2026 04:00h

Alta de 23,5% foi puxada pelo cobre, cujas vendas externas cresceram 75,3%; a mineração respondeu por 66,7% de tudo o que o estado exportou, segundo o Simineral

Segundo números do Panorama da Mineração do Estado do Pará – 1º Semestre de 2026, divulgado pelo Sindicato das Indústrias Minerais do Estado do Pará (SIMINERAL), a mineração paraense exportou US$ 8,67 bilhões em produtos minerais na primeira metade do ano, um aumento de 23,5% em relação ao mesmo período de 2025. O resultado foi superior ao crescimento das exportações totais do estado, que ficou em torno de 18%. Com isso, a mineração passou a representar 66,7% de tudo o que o Pará vendeu para outros países. O estado também respondeu por 34,6% das exportações minerais de todo o Brasil. O levantamento reúne dados oficiais da Agência Nacional de Mineração (ANM), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e do Ministério do Trabalho e Emprego. “Esses números mostram a importância que a mineração tem para o Pará e para o Brasil. É uma atividade que gera empregos, movimenta a economia, fortalece empresas fornecedoras e contribui diretamente para a arrecadação dos municípios e do estado. O crescimento do cobre também mostra que a mineração paraense está avançando e ganhando ainda mais espaço no mercado”, afirma Emerson Rocha, presidente executivo do SIMINERAL.

O Pará registrou R$ 1,49 bilhão em arrecadação de royalties da mineração (CFEM), alta de 3,7%, e gerou 960 novos empregos formais no semestre, saldo 61,6% superior ao obtido no mesmo período de 2025. Além disso, o estado teve 30.238 trabalhadores com carteira assinada na indústria extrativa mineral em junho. O cobre foi um dos grandes destaques da mineração paraense no primeiro semestre de 2026, com as vendas externas de cobre e concentrados crescendo 75,3%, alcançando US$ 2,68 bilhões, impulsionadas tanto pelo aumento da quantidade exportada, de 20,3%, quanto pela valorização do mineral no mercado internacional, com alta de 45,7% no preço médio. O crescimento reforça a importância do Pará no mercado nacional e internacional do cobre, um dos minerais críticos e empregado na indústria para a fabricação de equipamentos elétricos e o desenvolvimento de tecnologias ligadas à transição energética.

Mesmo com o forte crescimento do cobre, o minério de ferro continua sendo o principal produto da mineração paraense. No primeiro semestre, ele representou 58,9% das exportações minerais do estado e 68,7% da arrecadação de royalties da mineração. O Pará respondeu por 43,1% das exportações brasileiras de minério de ferro não aglomerado, ficando atrás apenas de Minas Gerais, com 45,5%. Embora a quantidade exportada tenha diminuído 2,3%, o aumento de 5,8% no preço médio garantiu crescimento de 3,4% no valor das vendas.

A arrecadação ligada ao cobre cresceu 45,8%, chegando a R$ 325,9 milhões, enquanto a do minério de ferro apresentou queda de 5%. Entre os municípios, Canaã dos Carajás liderou a arrecadação, com R$ 660,4 milhões, seguido por Parauapebas, com R$ 384,6 milhões, e Marabá, com R$ 227,2 milhões. Esses recursos são destinados ao poder público e podem contribuir para investimentos em infraestrutura, saúde, educação e melhoria dos serviços oferecidos à população, respeitadas as regras de aplicação da CFEM.

Entre janeiro e junho, a indústria extrativa mineral registrou 3.057 contratações e 2.097 desligamentos, com saldo de 960 novos postos de trabalho. O resultado foi 61,6% superior ao do primeiro semestre de 2025. Ao final de junho, o setor empregava 30.238 trabalhadores com carteira assinada no Pará. Mas o impacto da mineração na geração de empregos vai muito além desse número. Segundo estimativas setoriais divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), para cada emprego direto na atividade mineral, cerca de dez outros postos de trabalho podem ser movimentados ao longo da cadeia produtiva. São oportunidades em áreas como transporte, comércio, alimentação, manutenção, construção civil e prestação de serviços.

Além dos resultados do primeiro semestre, o Panorama mostra que o Pará lidera a produção nacional de três importantes minerais. O estado respondeu por 92,7% da produção beneficiada de bauxita, utilizada principalmente na fabricação de alumínio; 75% da produção de caulim, empregado nas indústrias de papel, cerâmica e outros produtos; e 73,5% da produção de cobre. O Pará também foi responsável por 58,4% da produção brasileira de manganês e 36,9% da produção de minério de ferro. Os números reforçam a importância da mineração paraense no fornecimento de matérias-primas utilizadas em diferentes setores da indústria brasileira e mundial.

Mineração fortalece a economia e amplia oportunidades no Pará

“A mineração já tem uma contribuição muito importante para o desenvolvimento do Pará. Além dos empregos e da arrecadação, ela movimenta o comércio, contrata serviços, gera oportunidades para fornecedores e ajuda a desenvolver as regiões onde está presente. O que queremos é fortalecer cada vez mais esse trabalho, ampliar os resultados e fazer com que mais pessoas e empresas possam aproveitar as oportunidades que a mineração oferece”, destaca Emerson Rocha.

Segundo ele, o avanço também passa pelo diálogo e pelo trabalho conjunto entre empresas, governos e sociedade. “O SIMINERAL trabalha justamente para aproximar esses setores, buscar soluções e contribuir para que a mineração continue crescendo de forma responsável. Temos uma atividade forte, que já entrega resultados importantes, e queremos ampliar ainda mais sua contribuição para o desenvolvimento do Pará e para a qualidade de vida da nossa população”, conclui.

O relatório completo está disponível aqui.

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