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Baixar áudioO cidadão que se encontra em situação de vulnerabilidade ou risco social tem o direito de ser amparado pelo Sistema Único de Assistência Social (SUAS). Essa política pública, vinculada ao Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), é responsável por organizar e executar os serviços de acolhimento social em todo o país.
Os Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) são a principal porta de entrada para o SUAS e atuam na orientação, acolhimento e encaminhamento da população às ações ofertadas pelo sistema. Em 2024, os CRAS realizaram cerca de 40 milhões de atendimentos e contabilizaram aproximadamente 220 mil pessoas acolhidas institucionalmente, conforme dados da Pasta.
O SUAS está presente em cerca de 99% dos municípios brasileiros, com ao menos uma unidade do CRAS em funcionamento. Segundo o MDS, existem mais de 8 mil centros distribuídos pelo país. Para facilitar a localização dessas unidades, o ministério disponibiliza o Mapa Social, uma ferramenta pública e interativa que reúne informações sobre os principais locais da rede socioassistencial em todo o território nacional.
| UFs | Quantidade de CRAS | % do total |
|---|---|---|
| Acre | 29 | 0,3% |
| Alagoas | 141 | 1,6% |
| Amazonas | 96 | 1,1% |
| Amapá | 22 | 0,3% |
| Bahia | 652 | 7,6% |
| Ceará | 408 | 4,8% |
| Distrito Federal | 32 | 0,4% |
| Espírito Santo | 156 | 1,8% |
| Goiás | 281 | 3,3% |
| Maranhão | 322 | 3,8% |
| Minas Gerais | 1.190 | 13,9% |
| Mato Grosso do Sul | 134 | 1,6% |
| Mato Grosso | 164 | 1,9% |
| Pará | 269 | 3,1% |
| Paraíba | 271 | 3,2% |
| Pernambuco | 348 | 4,1% |
| Piauí | 274 | 3,2% |
| Paraná | 570 | 6,7% |
| Rio de Janeiro | 478 | 5,6% |
| Rio Grande do Norte | 222 | 2,6% |
| Rondônia | 62 | 0,7% |
| Roraima | 22 | 0,3% |
| Rio Grande do Sul | 564 | 6,6% |
| Santa Catarina | 394 | 4,6% |
| Sergipe | 107 | 1,3% |
| São Paulo | 1.185 | 13,9% |
| Tocantins | 153 | 1,8% |
Nos CRAS, a população é atendida pelo Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família (PAIF), que consiste em um trabalho social continuado com as famílias, com o objetivo de:
Além de acolher, orientar e realizar o acompanhamento das famílias, os centros operacionalizam o registro do Cadastro Único (CadÚnico), instrumento que garante o acesso a programas sociais como o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC). No CRAS, também é possível:
De acordo com Rosilene Rocha, gerente de projeto da Secretaria Nacional de Assistência Social (SNAS), “o CRAS faz uma espécie de prevenção e mobilização: mobilização para as situações de risco e prevenção para que não se instalem vulnerabilidades nas famílias e comunidades”.
A gestora reforça que todo e qualquer cidadão brasileiro pode acessar o SUAS. Segundo ela, é comum que a assistência social seja confundida apenas com o atendimento à população de baixa renda. No entanto, a política atende tanto às pessoas em situação de pobreza quanto àquelas que se encontram em diferentes contextos de vulnerabilidade social. “Quem demandar, a porta tem que estar aberta”, destaca.
Rocha acrescenta que, embora haja priorização das famílias de baixa renda, em razão do elevado nível de desigualdade social existente no Brasil, a vulnerabilidade social é distinta da pobreza. “Há, por exemplo, mulheres de classe média que sofrem violência doméstica, situação que as coloca em vulnerabilidade”, explica.
No Brasil há oito anos, a imigrante venezuelana Zuleika Del Valle Viloria, de 34 anos, moradora de São José dos Pinhais (PR), acessou os serviços do CRAS após enfrentar uma situação de vulnerabilidade social, sem rede de apoio familiar e com dificuldades de inserção no mercado de trabalho.
Beneficiária do Bolsa Família, Zuleika relata que o atendimento recebido foi fundamental para garantir proteção ao filho de 10 anos. “A minha vida tem um antes e um depois de ter conhecido a assistência social”, afirma.
A partir do acompanhamento pelo SUAS, ela passou a participar de atividades culturais e socioeducativas e a integrar os espaços de controle social da política de assistência. Zuleika foi eleita delegada dos usuários e, posteriormente, tornou-se a primeira usuária escolhida para representar São José dos Pinhais no Conselho Estadual de Assistência Social do Paraná, com apoio majoritário de pessoas em situação de rua.
Atualmente, segue como usuária da rede socioassistencial, atua como cantora em eventos públicos e se prepara para retomar a graduação em Jornalismo. Segundo Zuleika, a assistência social é um caminho de apoio para quem enfrenta situações de vulnerabilidade: “aos adolescentes e às pessoas que enfrentam problemas com bebida ou drogas, que ainda têm a esperança de sair dessa situação ou que precisam de alguém, procurem o CRAS. Lá, vocês vão receber o encaminhamento necessário e vão perceber que não estão sozinhos”.
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Baixar áudioEm situações de vulnerabilidade, risco social ou violação de direitos, o acesso a uma rede pública pode ser decisivo para garantir acolhimento, orientação e proteção. Há duas décadas, esse papel é desempenhado pelo Sistema Único de Assistência Social (SUAS), política pública responsável por organizar e executar os serviços de assistência social no Brasil.
Presente em todos os estados e em 5.520 municípios, o SUAS atua tanto em situações individuais quanto em emergências que afetam coletivamente a sociedade. O sistema pode ser acionado em diversos contextos, como:
De acordo com Rosilene Rocha, gerente de projeto da Secretaria Nacional de Assistência Social (SNAS), a criação do sistema foi fundamental para estruturar a área como política pública. “O sistema traduz a assistência social como um direito do cidadão, previsto na Política Nacional de Assistência Social e garantido pela Constituição”, afirma.
Rocha destaca ainda que a assistência integra o tripé da seguridade social brasileira, ao lado da saúde e da previdência. “A saúde é universal, a previdência é contributiva e a assistência social é para quem dela precisar”, explica.
As ações do SUAS são organizadas em dois níveis de proteção. A Proteção Social Básica tem caráter preventivo e é voltada a indivíduos e famílias em situação de vulnerabilidade social, por meio de programas, projetos, serviços e benefícios. Já a Proteção Social Especial atende pessoas que vivenciam situações de risco e tiveram direitos violados, como nos casos de abandono, maus-tratos, abuso sexual, uso de drogas e violência.
Conforme o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), os serviços são ofertados antes, durante e após situações de crise, com o objetivo de reduzir danos sociais e apoiar a reconstrução das condições de vida das famílias atendidas.
Embora a política priorize a população de baixa renda, qualquer cidadão pode procurar o SUAS ao enfrentar uma situação de vulnerabilidade ou risco social. “Uma mulher de classe média em situação de violência doméstica está vulnerável. Uma pessoa com deficiência, mesmo trabalhando, está vulnerável em uma sociedade sem acessibilidade”, ressalta.
“A porta tem que estar aberta. Todo cidadão brasileiro tem direito à assistência social quando dela necessitar”, complementa a gestora.
A política de assistência social atende diferentes faixas etárias e contextos econômicos. Entre os serviços ofertados estão o acompanhamento de adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas em meio aberto, o atendimento à população em situação de rua, os serviços de acolhimento institucional e o cofinanciamento das Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs). Há ainda serviços de atendimento domiciliar para idosos e pessoas com deficiência, com o objetivo de garantir o direito à convivência comunitária e à participação social.
O envelhecimento da população tem ampliado a demanda por esses serviços, inclusive entre famílias de classe média. “Muitas famílias procuram o SUAS porque não conseguem mais cuidar sozinhas de seus idosos, não por abandono, mas por mudanças na dinâmica social e no mercado de trabalho”, observa Rocha.
Já em situações de calamidade, como enchentes e desastres naturais, o SUAS atua logo após a retirada das famílias das áreas de risco. “Depois da Defesa Civil, quem chega primeiro é a assistência social, para garantir abrigo, alimentação e acolhimento”, esclarece.
Nesses casos, o sistema conta com a Força de Proteção do SUAS (FORSUAS), que reúne equipes técnicas de diferentes entes federados, com recursos extraordinários, capacitação e presença direta nos territórios afetados. A exemplo do que ocorreu no ano passado, quando foram repassados R$ 25,6 milhões aos municípios atingidos pelo rompimento da barragem de Fundão, em Minas Gerais e no Espírito Santo.
A assistência social também esteve na linha de frente durante os desastres ocasionados pelas chuvas no Rio Grande do Sul, em 2024. Segundo balanço divulgado pelo MDS, neste período foram aprovados R$ 101 milhões em crédito extraordinário para o SUAS, com o objetivo de acolher e dar suporte à população afetada. Desse montante, foram destinados R$ 36 milhões à criação e manutenção de 1.089 alojamentos provisórios em 101 municípios.
A estrutura do SUAS está organizada em uma rede de unidades distribuídas por todo o país, cada uma destinada ao atendimento de públicos específicos em situação de vulnerabilidade.
O CRAS é o principal ponto de acesso, responsável pelo atendimento às famílias e pela operacionalização do Cadastro Único (CadÚnico) para Programas Sociais do Governo Federal, como o Bolsa Família. Atualmente, os municípios contam com pelo menos uma unidade, de acordo com o MDS.
| Unidade | Público atendido | Quantidade no Brasil |
|---|---|---|
| CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) | Famílias em situação de vulnerabilidade com acompanhamento social e acesso ao CadÚnico | 8088 |
| CREAS | Pessoas e famílias em risco social ou com direitos violados | 2372 |
| Centro-Dia | Jovens e adultos com deficiência sem autonomia além de apoio e orientação às famílias | 1600 |
| Centro POP | População em situação de rua | 215 |
| Unidades de Acolhimento | Crianças adolescentes idosos pessoas com deficiência e população em situação de rua em situação de desabrigo | 5184 |
Para localizar os serviços e centros do SUAS em cada município, basta acessar o Mapa Social, sistema público e interativo que reúne informações sobre as principais unidades da rede em todo o país.
Em capitais e cidades de grande porte, o atendimento também pode ser realizado nas unidades regionais das secretarias de assistência social.
Além da rede de unidades espalhadas pelo país, o SUAS coordena a Secretaria Nacional de Benefícios Assistenciais (SNBA), que gerencia as iniciativas ofertadas pelo sistema. Segundo o MDS, as principais ações são:
Um dos debates recorrentes sobre a assistência social diz respeito à suposta dependência gerada pelos serviços e benefícios ofertados. No entanto, dados do mercado de trabalho formal indicam que a maioria das novas vagas tem sido ocupada por pessoas registradas no CadÚnico.
Entre janeiro e novembro de 2025, 88,2% dos empregos formais gerados no país — cerca de 1,67 milhão de vagas — foram preenchidos por pessoas inscritas no CadÚnico. O levantamento evidencia que o acesso à assistência social não impede a inserção no mercado de trabalho. O MDS destaca ainda que, ao longo da vida, os usuários transitam entre períodos de vulnerabilidade e autonomia econômica.
Fernanda Raquel Rodrigues de Abreu, 37 anos, moradora de Guaíba (RS), relata como a assistência social pode ir além do acesso a benefícios e contribuir para a autonomia e a participação cidadã. Com o apoio do CRAS, Fernanda retomou os estudos após mais de 20 anos, concluiu o ensino médio e hoje se prepara para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), com o objetivo de ingressar no curso de Serviço Social. “Eles me incentivaram a voltar a estudar com o apoio de uma assistente social e me ajudaram a aprender informática, algo a que eu não tinha acesso, nem computador”, conta.
Para ela, ampliar o acesso à informação é fundamental para fortalecer o SUAS. “O serviço social é uma parte muito importante na vida dos usuários. Para mim, foi essencial. Antes eu achava que o CRAS servia apenas para ajudar na parte dos benefícios. Mas o CRAS tem muito mais a oferecer. Se tivermos mais acesso à informação, mais pessoas vão se interessar em conhecer, porque eles falam sobre direito de autonomia”.
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Copiar o textoICEI fica abaixo de 50 pontos e reflete impacto dos juros altos
Baixar áudioO Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) registrou em janeiro de 2026 o pior resultado para o mês desde 2016, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI). O indicador avançou apenas 0,5 ponto e atingiu 48,5 pontos, nível que indica falta de confiança, já que valores abaixo de 50 pontos refletem pessimismo entre os industriais. Há dez anos, em meio à recessão econômica, o ICEI havia marcado 36,6 pontos.
De acordo com Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, os juros elevados explicam o desempenho fraco do índice. “A confiança do empresário vem baixa desde o início do ano passado, respondendo à elevação da taxa Selic, que aconteceu a partir do fim de 2024. À medida em que a taxa de juros aumentou e os efeitos foram mais sentidos na atividade econômica, a falta de confiança se consolidou”, afirma.
O Índice de Condições Atuais subiu 0,2 ponto em janeiro e atingiu 44 pontos. Por estar abaixo de 50 pontos, o resultado evidencia a avaliação dos empresários de que a economia e os próprios negócios estão piores do que há seis meses.
Já o Índice de Expectativas subiu 0,7 ponto, de 50 pontos para 50,7 pontos. A CNI avalia que, com esse movimento, “os empresários deixaram a neutralidade e voltaram a demonstrar expectativas positivas para os próximos seis meses. O otimismo, no entanto, é puxado pela expectativa positiva para o desempenho das empresas, uma vez que as perspectivas para a economia ficaram mais negativas.”
O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) é um indicador antecedente que reflete a percepção dos industriais sobre o cenário econômico. Realizado mensalmente pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o ICEI mede o grau de otimismo ou pessimismo dos empresários em relação à economia brasileira e às próprias empresas, funcionando como um termômetro da confiança do setor industrial.
A edição de janeiro de 2026 entrevistou 1.058 empresas entre os dias 5 e 9 de janeiro de 2026, sendo 426 pequenas, 383 médias e 249 grandes.
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Copiar o textoAvaliação dos cursos de medicina aponta deficiências na formação; entidades divergem sobre medidas
Baixar áudioO Conselho Federal de Medicina (CFM) avalia utilizar as notas do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) como critério para conceder registro profissional aos recém-formados. O resultado da avaliação foi debatido pela plenária do conselho na terça-feira (20) e, segundo a entidade, os números refletem “um problema estrutural gravíssimo” na formação médica.
A proposta, ainda em estudo, prevê que estudantes com desempenho insuficiente, níveis 1 e 2, não recebam autorização para atuar. Para viabilizar a medida, o CFM solicitou ao Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pela aplicação da prova, os microdados com identificação dos candidatos. Até o momento, o instituto não respondeu.
Em nota, a Associação Médica Brasileira (AMB) também demonstrou “extrema preocupação” com os resultados do exame. O documento ressalta que, atualmente, basta o diploma de graduação para que o profissional obtenha registro junto ao Conselho Regional de Medicina e comece a atuar.
“Nestas circunstâncias, equivale dizer que esses 13 mil médicos apontados pelo Enamed como não proficientes podem, de acordo com a legislação atual, atender pacientes em nosso país. Isso nos permite afirmar, sem sombra de dúvidas, que a nossa população atendida por esse contingente de médicos não proficientes ficará exposta há um risco incalculável de má prática médica”, complementa o texto da associação.
Para o presidente do CFM, José Hiram Gallo, os resultados do Enamed reforçam a necessidade de um exame de proficiência médica como requisito para o exercício da profissão, nos moldes do exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
A AMB também apoia a criação de uma prova obrigatória. “Esta não é uma medida contra o egresso de medicina. É uma medida com finalidade voltada única e exclusivamente à boa prática da medicina e à segurança dos pacientes”, argumenta.
Atualmente, dois projetos de lei que tratam da criação do exame estão em tramitação avançada no Congresso Nacional, um na Câmara dos Deputados e outro no Senado.
A associação critica ainda a “expansão desordenada” de cursos de medicina sem infraestrutura adequada, corpo docente qualificado ou programas de residência. De acordo com a AMB, isso fica evidente com os resultados do Enamed, já que os piores resultados foram apresentados por alunos de faculdades municipais e privadas com fins lucrativos.
Para Gallo, abrir escolas sem hospital universitário é inviável. “Se você vai abrir uma escola e não tem um hospital universitário preparado para esses futuros médicos atuarem, não tem que autorizar essa faculdade. Não tem como você formar um médico se não tiver um hospital-escola, não tem como você fazer medicina se não tiver um leito ao lado”, defende o presidente da CFM.
Na direção oposta, a Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) alerta para o “uso punitivo” do exame. A entidade alega que o Enamed avalia apenas conteúdos das Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs), sem medir aptidão profissional.
“Conforme estabelecido pelo MEC, o Enamed tem como finalidade avaliar o desempenho dos estudantes em relação aos conteúdos e competências previstas nas DCNs. O exame não avalia aptidão profissional, não habilita nem desabilita médicos e não substitui os mecanismos legais para o exercício da profissão”, afirmou em nota.
A ABMES também ressalta que os estudantes não foram previamente informados sobre o corte mínimo de 60 pontos e que muitos ainda estavam no 11º semestre, “com seis meses de prática pela frente”. Apesar disso, 70% dos alunos atingiram o nível de proficiência, o que, segundo a associação, demonstra padrão de qualidade relevante.
O diretor-presidente da ABMES, Janguiê Diniz, classificou a declaração do CFM como “preocupante, embora sem validade legal”, e afirmou que o discurso atende a “interesses corporativistas, em detrimento das reais necessidades da população”.
Criado em 2025, o Enamed é obrigatório para estudantes no fim da graduação e recém-formados. O exame avalia a formação médica e pode ser usado como referência no Exame Nacional de Residência (Enare).
Embora não seja requisito para o exercício da profissão, a primeira edição revelou que cerca de um terço dos cursos de medicina apresentou desempenho insatisfatório, sobretudo instituições municipais e privadas com fins lucrativos.
Com informações da Agência Brasil
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Baixar áudioAs plataformas digitais do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) apresentaram instabilidades pelo terceiro dia consecutivo. Beneficiários relataram, nas redes sociais, dificuldades para acessar o site e o aplicativo Meu INSS nesta quarta-feira (21).
Segundo dados do Downdetector, o pico de notificações ocorreu entre 9h e 10h da manhã. Do total de registros, 46% dos usuários apontaram falhas no aplicativo, 33% no site e 24% especificamente no processo de login.
A Dataprev, empresa responsável pelo suporte tecnológico do INSS, confirmou, em nota, que a instabilidade registrada no Meu INSS foi provocada por um “aumento atípico no volume de acessos, com impacto no tempo de resposta do sistema”.
Em média, a plataforma recebe cerca de 3,5 milhões de consultas por dia. Nos últimos dias, porém, os números dispararam: na segunda-feira (19), foram 10,6 milhões de acessos, alta de 202,9%; na terça-feira (20), 10,8 milhões, crescimento de 208,6%; e até as 13h desta quarta-feira, já haviam sido contabilizados 5,9 milhões de acessos, um aumento de 68,6%.
Desde o início da instabilidade, a empresa afirma acompanhar o caso com prioridade. Entre as medidas adotadas estão a redistribuição do tráfego, que permitiu a emissão de mais de 864 mil extratos de benefícios na segunda-feira e mais de 1 milhão na terça. Até o início da tarde desta quarta, mais de 310 mil usuários conseguiram realizar o serviço.
A estatal atribui a alta demanda a três fatores:
O INSS anunciou que os serviços digitais (site, aplicativo e Central 135) e presenciais ficarão indisponíveis entre os dias 27 e 31 de janeiro, a partir das 19h, para modernização tecnológica da Dataprev.
O Meu INSS é a plataforma oficial para acesso a serviços da Previdência Social, o login é realizado pela conta Gov.br. Pelo aplicativo e site, os beneficiários conseguem:
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Baixar áudioOs resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) 2025 foram divulgados nesta segunda-feira (19) pelos ministérios da Educação (MEC) e da Saúde (MS). Dos 351 cursos avaliados, 107 foram considerados insatisfatórios por não atingirem o nível mínimo de proficiência exigido.
O Enamed, modalidade específica do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) para cursos de medicina, avalia o desempenho dos estudantes concluintes e funciona como critério de classificação nos processos seletivos de residência médica.
A escala de conceitos do exame varia de 1 a 5, sendo a faixa 1 o menor índice de desempenho. De acordo com a análise:
Os piores desempenhos se concentraram em instituições privadas e municipais, enquanto universidades públicas federais e estaduais lideraram os melhores resultados.
Diante dos resultados, o MEC determinou medidas de supervisão imediata para os cursos que obtiveram conceitos 1 e 2. Do total de faculdades com desempenho insatisfatório, apenas 99 terão ações aplicadas, já que universidades estaduais e municipais não estão sob a gestão direta da Pasta.
A aplicação ocorrerá de forma escalonada, conforme o percentual de concluintes considerados proficientes, sob responsabilidade da Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior (Seres). As medidas incluem:
Faixa 1
Faixa 2
Além disso, os três primeiros grupos estão impedidos de ampliar vagas e terão suspensa a participação no Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e em outros programas federais. As ações permanecem até a divulgação do próximo Conceito Enade, em 2026.
Segundo levantamento do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), o Enamed avaliou 89.024 estudantes e profissionais de medicina, dos quais 75% demonstraram proficiência. Entre os 39.258 concluintes de cursos de medicina, apenas 67% atingiram o nível adequado, enquanto cerca de 13 mil ficaram abaixo do mínimo exigido.
O exame analisou competências em áreas fundamentais da prática médica, como clínica, cirurgia, pediatria, ginecologia e obstetrícia, além de medicina de família e comunidade. No público geral, que inclui médicos já formados e inscritos no Exame Nacional de Residência (Enare), o índice de proficiência foi de 81%.
Além de ser um instrumento de regulação da qualidade das instituições, o Enamed tem papel central na carreira médica:
Para o ministro da Educação, Camilo Santana, o exame é uma ferramenta para o aperfeiçoamento das instituições de ensino. “É um instrumento para que possamos identificar correções necessárias e garantir um ensino de qualidade. Trata-se de uma forma de monitoramento com o único objetivo de melhorar o ensino”, afirmou.
Copiar o textoRelatório da SSP-GO aponta redução de homicídios, roubos e crimes violentos entre 2018 e 2025
Baixar áudioGoiás (GO) apresentou queda nos principais índices de criminalidade pelo sétimo ano consecutivo, de acordo com dados divulgados pela Secretaria de Segurança Pública (SSP-GO) nesta segunda-feira (19). O relatório contempla números do período de 2018 a 2025 e destaca o comparativo entre 2024 e 2025.
As autoridades estaduais atribuem a redução dos indicadores criminais aos investimentos em equipamentos, tecnologia, formação das polícias e trabalho integrado, além de políticas voltadas ao combate ao crime organizado.
O secretário de Segurança Pública, coronel Renato Brum, destacou que os resultados refletem “muito trabalho, integração, inteligência, investimento e controle do tráfico”, ao enfatizar que as quedas registradas são fruto de ações contínuas e articuladas.
Para o governador do estado, Ronaldo Caiado, “os resultados são surpreendentes do ponto de vista do avanço da segurança pública”.
Em 2018, Goiás registrou mais de 2,1 mil homicídios dolosos, número que caiu para 808 em 2025. Os latrocínios passaram de 104 para 19, enquanto as lesões seguidas de morte reduziram de 61 para 28. Já as tentativas de homicídio foram de aproximadamente 2,1 mil para 1,5 mil.
Os roubos de carga caíram 97%, os de veículos 95%, os a transeuntes 92% e os em comércio 91%. A modalidade conhecida como “Novo Cangaço”, que envolve ataques a instituições financeiras, não teve nenhum registro nos últimos anos.
Segundo o balanço, em 2025, 109 municípios goianos não registraram homicídios consumados, o que representa 44,4% do total.
Entre os destaques do comparativo entre 2024 e 2025 estão:
A Polícia Militar informou que, em média, 21 foragidos foram recapturados por dia e 10 armas de fogo retiradas de circulação. A corporação também apreendeu 54 toneladas de drogas.
Já a Polícia Civil realizou 7.942 operações, um aumento de 9% em relação a 2024, e alcançou índice de 92% de elucidação de homicídios.
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Baixar áudioOs empresários da indústria apontam os juros elevados como o principal entrave para acessar crédito. A constatação é referente à Sondagem Especial nº 98 – Condições de Acesso ao Crédito em 2025, realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com a Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE).
De acordo com a pesquisa, ao buscar um financiamento de curto ou médio prazo, as empresas identificaram três dificuldades:
A percepção é semelhante no crédito de longo prazo (acima de cinco anos):
Segundo a analista de Políticas e Indústria da CNI, Maria Virgínia Colusso, os resultados refletem o patamar da taxa Selic.
“A atual política monetária é bastante restritiva e encarece o crédito, uma vez que a taxa Selic está em 15% ao ano e os juros reais em torno de 10%. O crédito mais caro desincentiva o investimento em expansão da capacidade produtiva e em inovação. Com isso, a indústria perde competitividade”, avalia.
O levantamento evidencia que mais da metade (54%) das empresas não procurou contratar ou renovar crédito de longo prazo entre fevereiro e julho de 2025, enquanto 49% não foram atrás de crédito de curto ou médio prazo no mesmo período. Apenas 26% contrataram ou renovaram crédito de curto prazo. No longo prazo, o índice cai para 17%.
Nesse cenário, um terço dos empreendedores que tentaram a contratação ou renovação de crédito a longo prazo não tiveram sucesso, enquanto cerca de um quinto das empresas que buscaram crédito de curto ou médio prazo não tiveram êxito.
O recorte por porte empresarial mostra que as médias indústrias lideram o índice de frustração na obtenção de crédito, seguidas pelas pequenas e, por último, pelas grandes. O padrão se repete tanto para financiamentos de longo prazo quanto para operações de curto e médio prazo.

A pesquisa destaca que 35% das empresas que renovaram crédito de curto ou médio prazo entre fevereiro e julho de 2025 afirmaram que as condições de acesso ficaram piores ou muito piores. No crédito de longo prazo, o percentual foi semelhante: 33% avaliaram piora nos requisitos. Os principais fatores citados foram:
Para 47% das empresas que recontrataram crédito de curto ou médio prazo, não houve mudanças significativas nas condições oferecidas pelas instituições financeiras. O mesmo percentual foi registrado entre as que renovaram linhas de crédito de longo prazo.
Somente 14% das empresas relataram condições melhores ou muito melhores no crédito de curto ou médio prazo em comparação aos seis meses anteriores à pesquisa. No caso do crédito de longo prazo, o percentual cai para 12%.
O levantamento também investigou a adesão ao risco sacado. Nessa operação, o fornecedor recebe antecipadamente o valor de uma venda por meio da instituição financeira. O comprador (sacado) assume o compromisso de pagar diretamente ao banco na data de vencimento acordada. Assim, o fornecedor obtém liquidez imediata, enquanto a obrigação de pagamento permanece com o comprador.
Os números revelam que a modalidade ainda é pouco difundida e pouco compreendida no setor industrial:
A Sondagem Especial contou com 1.789 empresas industriais, sendo:
O questionário foi aplicado entre 1º e 12 de agosto de 2025.
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Baixar áudioO número de pessoas em situação de rua segue em crescimento no Brasil. De acordo com levantamento do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua (OBPopRua/Polos-UFMG), o país registrava 365.822 pessoas nessa condição no final de 2025, contra 327.925 em dezembro de 2024.
Os dados foram obtidos a partir do Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico), que reúne beneficiários de políticas sociais, como o Bolsa Família, e serve de referência para repasses do governo federal aos municípios.
Entre 2020 e 2021, durante a pandemia de covid-19, houve queda no número de pessoas em situação de rua, que passou de 194.824 para 158.191. A partir de 2022, o índice voltou a subir e desde então o crescimento se mantém constante.
A maior concentração dessa população está na Região Sudeste, que reúne 222.311 pessoas, o equivalente a 61% do total nacional. Em seguida aparece a Região Nordeste, com 54.801 pessoas.
Entre os estados, São Paulo concentra o maior número de pessoas em situação de rua, com 150.958, seguido pelo Rio de Janeiro (33.656), e Minas Gerais (33.139). Já o Amapá apresenta o menor número, com 292 pessoas.
Segundo os pesquisadores do Observatório, quatro fatores explicam esse aumento:
Com informações da Agência Brasil
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Baixar áudioA Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) confirmou o segundo caso de mpox, causado pela nova cepa do vírus (MPXV), denominada clado Ib, no estado.
De acordo com a nota divulgada pela pasta, trata-se de um caso importado. O paciente é um homem de 39 anos, residente em Portugal, que apresentou sintomas no fim de dezembro de 2025, enquanto estava na capital paulista. Ao procurar atendimento no Instituto de Infectologia Emílio Ribas, ele foi internado, recebeu alta no dia seguinte e retornou ao exterior.
Ainda conforme a SES-SP, “até o momento não há registro de pessoas com sintomas entre os contatos identificados no local de hospedagem do paciente”.
Em março do ano passado, o estado já havia registrado o primeiro caso dessa mesma cepa em uma mulher de 29 anos, que teve contato com um familiar vindo da República Democrática do Congo, país onde o clado Ib é endêmico e responsável por um surto em 2025.
Em 2026, segundo dados atualizados do portal do Núcleo de Informações Estratégicas em Saúde (NIES), São Paulo já soma 33 notificações de mpox, sem registro de óbitos associados.
A mpox, anteriormente conhecida como “varíola dos macacos”, é uma doença zoonótica viral (transmitida aos seres humanos a partir de animais) causada pelo Orthopoxvirus, da mesma família da varíola. O vírus possui dois grandes grupos genéticos:
Entre 2022 e 2023, o mundo enfrentou um surto global provocado pela cepa do clado IIb, que se espalhou para mais de 120 países e resultou em mais de 100 mil casos.
Até julho de 2025, data da última atualização, o Brasil registrou 14.118 casos de mpox, conforme dados do Centro Nacional de Inteligência Epidemiológica e Vigilância Genômica do Ministério da Saúde (MS). A maior parte das notificações concentrou-se nesse período, o que colocou o país entre os mais impactados pela doença em nível mundial.
Segundo o MS, os sintomas da mpox incluem:
A transmissão ocorre principalmente por:
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