CNI

30/01/2026 04:25h

Sondagem Indústria da Construção, da CNI com a CBIC, mostra que mais de 37% dos empresários do ramo apontam entraves fiscais como vilão

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Na semana em que o Comitê de Política Monetária (Copom) indicou que a taxa básica de juros pode iniciar a trajetória de queda do maior patamar das últimas duas décadas a partir de março, após a sexta reunião consecutiva de manutenção da alíquota anual de 15%, a Sondagem Indústria da Construção mostra que a elevada carga tributária nacional se tornou o principal empecilho enfrentado pelo segmento.

De acordo com o levantamento, divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), em parceria com a Câmara Brasileira de Indústria da Construção (CBIC), o entrave saltou cinco pontos percentuais entre o terceiro e quarto trimestre do ano passado, de 32,2% para 37,2%. Ultrapassa assim as taxas de juros elevadas, que passaram a ser a segunda maior preocupação dos industriais da construção (32,1%).

Segundo Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, isso é reflexo de dois fatores. “O lançamento de programas importantes para o setor, assim como a expectativa de redução da taxa Selic no futuro próximo, ajuda bastante as expectativas do setor da construção, por isso essa melhora já acontecendo desde o final do ano passado e se consolidando nesse início de 2026.”

Todos os índices de expectativas aumentaram no primeiro mês do ano, dando sequência ao otimismo observado em dezembro:

  • Novos empreendimentos e serviços (+1,8 ponto, para 52,9 pontos);
  • Número de empregados (+1,8 ponto, para 52,8 pontos);
  • Nível de atividade (+1,1 ponto, para 52,8 pontos);
  • Compras de matérias-primas (+0,8 ponto, para 52,5 pontos).

Insatisfações

Apesar das expectativas positivas, o setor ainda tem muito do que reclamar no panorama atual. O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) da Indústria da Construção registrou 48,6 pontos, enquanto a facilidade de acesso ao crédito atingiu 39 pontos no período, e o índice de satisfação com o lucro operacional caiu para 45,1, após recuo de 0,3 ponto. Todos ainda abaixo da linha satisfatória de 50 pontos.

“Quando se fala da construção, estamos falando de um produto de um ritmo de produção que envolve um período bastante longo, muitas vezes com uma necessidade muito grande de aporte de recursos em alguns momentos, muitas vezes com crédito para fazer os seus empreendimentos. À medida que o acesso ao crédito fica difícil por conta das taxas de juros bastante elevadas, isso afeta bastante o setor”, esclarece Azevedo.

Nesse cenário, o índice que mede a evolução do nível de atividade da indústria da construção fechou 2025 com 44,7 pontos. Esse é o pior resultado para o mês desde 2018. Com a atividade mais fraca, a Utilização da Capacidade Operacional se manteve estável em 67%, mesmo nível observado em dezembro de 2024, enquanto o índice do número de empregados caiu 1,2 ponto, para 45,7 pontos, ainda que acima da pontuação média para o mês (43,8 pontos).

Metodologia

A edição de dezembro de 2025 da Sondagem Indústria da Construção ouviu 315 empresas — 123 pequenas, 134 médias e 58 grandes — entre 5 e 14 de janeiro de 2026.

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27/01/2026 04:40h

Apesar de melhora das expectativas, Emprego, Utilização da Capacidade Instalada e Nível dos Estoques mostram desaceleração da atividade industrial

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O índice de evolução da produção industrial caiu 3,5 pontos e fechou com 40,9 pontos em dezembro. Esse é o pior resultado para o mês desde 2018, segundo a Sondagem Industrial, divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI)

Uma queda acentuada também foi percebida no emprego industrial. O índice de evolução do número de empregados ficou em 46,9 pontos em dezembro. Por estarem abaixo dos 50 pontos, ambos os indicadores mostram que houve queda tanto na produção quanto na quantidade de postos de trabalho no setor.

Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, destaca que retração nos marcadores é comum, mas a intensidade chama a atenção. “Os dados tomados em conjunto reforçam esse diagnóstico que a gente vem acompanhando há algum tempo, de desaceleração da indústria. Mesmo os estoques – que reduziram na passagem de novembro para dezembro, também é comum para o período –, aconteceu agora nesse ano, mas continuam acima do planejado pelas empresas. Isso reforça uma certa frustração dos empresários e uma desaceleração da demanda mais forte do que prevista”.

O desempenho da Utilização da Capacidade Instalada (UCI) reforça a percepção do empresariado industrial de desaceleração do segmento. O índice recuou 4 pontos percentuais entre novembro e dezembro, chegando aos 66%, patamar mais baixo para o mês desde 2017.

Os três principais problemas enfrentados pela indústria seguiram os mesmos nos quarto trimestre de 2025: carga tributária, juros e falta de demanda. Esses três pontos lideraram o ranking de reclamações durante todos os trimestres do ano passado. 

Finanças

O uso dos estoques, apesar de acima do ideal, minimizou o impacto no faturamento das companhias do setor. Segundo o levantamento, o índice de evolução de estoque efetivo em relação ao usual caiu 0,1 ponto, fechando o ano em 50,6 pontos. O resultado indica que ainda há excesso de estoques em relação ao planejado pelas empresas. 

Essa estratégia ajudou a trazer resultados financeiros positivos no último trimestre de 2025. O índice que mede a satisfação dos industriais com a situação financeira das empresas subiu de 48,9 pontos, no terceiro trimestre do ano passado, para 50,1 pontos no quarto trimestre. Com isso, os empresários passaram de insatisfeitos a neutros em relação ao caixa dos negócios. 

Do mesmo modo, o índice de satisfação com o lucro operacional subiu 0,9 ponto no quarto trimestre, chegando aos 44,5 pontos. O indicador continua abaixo dos 50 pontos, revelando insatisfação dos industriais com o lucro operacional das empresas, mas o avanço amenizou essa percepção negativa. 

O índice de facilidade de acesso ao crédito registrou 40,9 pontos. O indicador alcançou seu maior valor em 2025. Ainda assim, permanece bem abaixo dos 50 pontos, refletindo ainda grande dificuldade de acesso ao crédito.

Azevedo faz notar que, como os índices estão abaixo dos 50 pontos, os resultados contábeis das empresas industriais são majoritariamente decepcionantes. “Apesar da melhora, que foi pequena na passagem do terceiro para o quarto trimestre de 2025, as condições financeiras seguem bastante insatisfatórias para as empresas de uma forma geral.”

Já o índice que mede a evolução do preço médio das matérias-primas subiu 0,1 ponto, chegando aos 55,3 pontos no quarto trimestre do ano. Isso indica que os empresários apontam aumento no preço desses itens, ainda que menos intenso do que no fim de 2024, quando o indicador chegou aos 64,2 pontos. 

Expectativas positivas

Todos os índices de expectativas subiram entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026. 

  • Demanda por produtos industriais subiu de 50,2 pontos para 52,7 pontos;
  • Compra de insumos e matérias-primas passou de 49,2 pontos para 52 pontos;
  • Número de empregados passou de 49 pontos para 49,9 pontos;
  • Quantidade exportada aumentou 1,7 ponto, de 48,4 pontos para 50,1 pontos. 

Os dados mostram que os empresários esperam alta na procura por bens industriais, na compra de insumos e de matérias-primas nos próximos seis meses, enquanto as contratações e exportações devem se manter estáveis. “É um movimento comum para o período, no início do ano, aparecerem expectativas mais positivas, até porque existe um uma expectativa de aumento da produção após um pequeno freio que se tem na atividade industrial no final de cada ano”, analisa Azevedo.

A intenção de investimento, no entanto, caiu 0,2 ponto após três altas consecutivas. Com isso, o indicador abriu janeiro com 55,7 pontos, dois pontos abaixo do patamar registrado no início de 2025.

Pesquisa

A edição de dezembro de 2025 da Sondagem Industrial ouviu 1.341 empresas — 552 pequenas, 459 médias e 330 grandes — entre 5 e 14 de janeiro de 2026.

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24/01/2026 04:15h

ICEI fica abaixo de 50 pontos e reflete impacto dos juros altos

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O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) registrou em janeiro de 2026 o pior resultado para o mês desde 2016, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI). O indicador avançou apenas 0,5 ponto e atingiu 48,5 pontos, nível que indica falta de confiança, já que valores abaixo de 50 pontos refletem pessimismo entre os industriais. Há dez anos, em meio à recessão econômica, o ICEI havia marcado 36,6 pontos.

De acordo com Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, os juros elevados explicam o desempenho fraco do índice. “A confiança do empresário vem baixa desde o início do ano passado, respondendo à elevação da taxa Selic, que aconteceu a partir do fim de 2024. À medida em que a taxa de juros aumentou e os efeitos foram mais sentidos na atividade econômica, a falta de confiança se consolidou”, afirma.

Perspectivas

O Índice de Condições Atuais subiu 0,2 ponto em janeiro e atingiu 44 pontos. Por estar abaixo de 50 pontos, o resultado evidencia a avaliação dos empresários de que a economia e os próprios negócios estão piores do que há seis meses.

Já o Índice de Expectativas subiu 0,7 ponto, de 50 pontos para 50,7 pontos. A CNI avalia que, com esse movimento, “os empresários deixaram a neutralidade e voltaram a demonstrar expectativas positivas para os próximos seis meses. O otimismo, no entanto, é puxado pela expectativa positiva para o desempenho das empresas, uma vez que as perspectivas para a economia ficaram mais negativas.”

O que é o ICEI?

O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) é um indicador antecedente que reflete a percepção dos industriais sobre o cenário econômico. Realizado mensalmente pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o ICEI mede o grau de otimismo ou pessimismo dos empresários em relação à economia brasileira e às próprias empresas, funcionando como um termômetro da confiança do setor industrial.

A edição de janeiro de 2026 entrevistou 1.058 empresas entre os dias 5 e 9 de janeiro de 2026, sendo 426 pequenas, 383 médias e 249 grandes.

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20/01/2026 04:25h

Pesquisa mostra que, entre fevereiro e julho de 2025, mais da metade das empresas evitaram contratar crédito de longo prazo, enquanto 49% também deixaram de buscar operações de curto ou médio prazo

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Os empresários da indústria apontam os juros elevados como o principal entrave para acessar crédito. A constatação é referente à Sondagem Especial nº 98 – Condições de Acesso ao Crédito em 2025, realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com a Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE).

De acordo com a pesquisa, ao buscar um financiamento de curto ou médio prazo, as empresas identificaram três dificuldades

  • 80% assinalaram os juros elevados como o maior empecilho;
  • 32% destacaram as exigências de garantias reais, como bens móveis ou imóveis; e 
  • 17% sinalizaram a falta de linhas de crédito adequadas à necessidade das empresas.

A percepção é semelhante no crédito de longo prazo (acima de cinco anos):

  • 71% mencionaram os juros altos; 
  • 31% exigência de garantias reais; e 
  • 17% falta de linhas adequadas às necessidades das empresas.

Segundo a analista de Políticas e Indústria da CNI, Maria Virgínia Colusso, os resultados refletem o patamar da taxa Selic.

“A atual política monetária é bastante restritiva e encarece o crédito, uma vez que a taxa Selic está em 15% ao ano e os juros reais em torno de 10%. O crédito mais caro desincentiva o investimento em expansão da capacidade produtiva e em inovação. Com isso, a indústria perde competitividade”, avalia.

Empresas evitam buscar crédito

O levantamento evidencia que mais da metade (54%) das empresas não procurou contratar ou renovar crédito de longo prazo entre fevereiro e julho de 2025, enquanto 49% não foram atrás de crédito de curto ou médio prazo no mesmo período. Apenas 26% contrataram ou renovaram crédito de curto prazo. No longo prazo, o índice cai para 17%.

Nesse cenário, um terço dos empreendedores que tentaram a contratação ou renovação de crédito a longo prazo não tiveram sucesso, enquanto cerca de um quinto das empresas que buscaram crédito de curto ou médio prazo não tiveram êxito.

O recorte por porte empresarial mostra que as médias indústrias lideram o índice de frustração na obtenção de crédito, seguidas pelas pequenas e, por último, pelas grandes. O padrão se repete tanto para financiamentos de longo prazo quanto para operações de curto e médio prazo.

Fonte: CNI

Condições de acesso

A pesquisa destaca que 35% das empresas que renovaram crédito de curto ou médio prazo entre fevereiro e julho de 2025 afirmaram que as condições de acesso ficaram piores ou muito piores. No crédito de longo prazo, o percentual foi semelhante: 33% avaliaram piora nos requisitos. Os principais fatores citados foram:

  • taxas de juros elevadas;
  • número reduzido de parcelas;
  • menor período de carência; e 
  • exigência de garantias mais rígidas.

Para 47% das empresas que recontrataram crédito de curto ou médio prazo, não houve mudanças significativas nas condições oferecidas pelas instituições financeiras. O mesmo percentual foi registrado entre as que renovaram linhas de crédito de longo prazo.

Somente 14% das empresas relataram condições melhores ou muito melhores no crédito de curto ou médio prazo em comparação aos seis meses anteriores à pesquisa. No caso do crédito de longo prazo, o percentual cai para 12%.

Risco sacado

O levantamento também investigou a adesão ao risco sacado. Nessa operação, o fornecedor recebe antecipadamente o valor de uma venda por meio da instituição financeira. O comprador (sacado) assume o compromisso de pagar diretamente ao banco na data de vencimento acordada. Assim, o fornecedor obtém liquidez imediata, enquanto a obrigação de pagamento permanece com o comprador.

Os números revelam que a modalidade ainda é pouco difundida e pouco compreendida no setor industrial:

  • 13% das empresas afirmaram ter contratado operações desse tipo nos 12 meses anteriores à pesquisa;
  • 5% pretendiam contratar nos 12 meses seguintes;
  • 54% declarou não ter contratado nem ter intenção de contratar; e
  • 29% não souberam ou preferiram não responder.

Perfil das empresas entrevistadas

A Sondagem Especial contou com 1.789 empresas industriais, sendo:

  • 713 pequenas;
  • 637 médias; e
  • 439 grandes.

O questionário foi aplicado entre 1º e 12 de agosto de 2025.

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17/12/2025 04:55h

Desenvolvida pelo SENAI CIMATEC, na Bahia, a carne cultivada em laboratório promete reduzir impactos ambientais e ampliar as opções de proteína

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Já imaginou comer uma carne produzida em uma impressora 3D? Essa é a proposta de pesquisadores do SENAI CIMATEC, em Salvador (BA), que há dois anos desenvolvem a CELLMEAT 3D, uma carne cultivada em laboratório. O projeto venceu o Prêmio Finep Nordeste de Inovação 2025, na categoria Agroindústrias Sustentáveis, e agora concorre à etapa nacional da premiação.

Diferentemente da carne convencional, a CELLMEAT 3D é produzida a partir de células animais coletadas por biópsia, sem a necessidade de abate ou sofrimento do animal. A pesquisadora das atividades científicas do Projeto CELLMEAT 3D, Keina Dourado, explica como funciona o processo.

“Uma vez coletada, essa célula é colocada em um ambiente controlado, onde vai receber todos os nutrientes para se multiplicar. Então, vamos conseguir uma quantidade suficiente dessa célula e depois elas vão ser estimuladas a virar um tecido, que pode ser, por exemplo, músculo ou gordura”, explica.

A impressora 3D entra em cena para dar forma e textura semelhantes às da carne tradicional. Depois da impressão, o produto ainda passa por um período de maturação.

Foto: SENAI CIMATEC/Divulgação

Alternativa para a produção de proteínas

Segundo Keina Dourado, o objetivo do projeto não é substituir a carne convencional, mas ampliar as alternativas de produção de proteínas. “Sabemos que a demanda por proteínas vai aumentar significativamente nos próximos anos e, por isso, vamos ampliar essas opções com menor impacto ambiental e maior respeito ao bem-estar animal”, afirma. 

Ela ressalta ainda que a tecnologia tem potencial para, no futuro, ajustar a composição nutricional da carne, tornando o produto mais saudável e adaptado a necessidades alimentares específicas.

Apesar dos avanços e do reconhecimento, o produto ainda não está pronto para o mercado. A pesquisadora ressalta que o projeto segue em fase de desenvolvimento. “Ainda não temos dados consolidados sobre perfil nutricional ou sobre a parte sensorial, como sabor e textura deste produto. Essas análises fazem parte das próximas etapas do projeto”, explica.

Estudos conduzidos por grupos internacionais, no entanto, já indicam que a carne cultivada pode ter composição nutricional semelhante à convencional e boa aceitação do público em termos de sabor. “Em alguns países, inclusive, esse produto já está sendo comercializado em pequena escala”, observa Dourado.

Foto: SENAI CIMATEC/Divulgação Foto: SENAI CIMATEC/Divulgação

Alto custo ainda é desafio

Hoje, um dos maiores obstáculos para a produção da carne cultivada em laboratório é o alto custo da tecnologia, justamente por ainda estar em fase de desenvolvimento.

“Os nutrientes, os equipamentos e muitos desses insumos utilizados para produção ainda vêm da indústria farmacêutica. Então, ainda precisamos trabalhar no desenvolvimento de insumos mais acessíveis em termos de custo, para que o custo do produto final também seja mais compatível com o que a indústria alimentícia precisa”, explica a pesquisadora do CIMATEC.

Regulamentação no Brasil

No campo regulatório, o Brasil já deu passos importantes. Em 2024, entrou em vigor a Resolução RDC 839/2023, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que moderniza as regras para a avaliação de segurança e autorização de novos alimentos e ingredientes.

Apesar disso, Dourado afirma que ainda é necessário fazer algumas definições e ajustes na norma para regulamentar a produção e comercialização de carne cultivada em laboratório. “Existe um diálogo entre pesquisadores e órgãos reguladores para que possamos estar juntos nesse processo de construção de tudo que precisa para regulamentar a comercialização e a pesquisa da carne cultivada”, afirma.

Incentivo à ciência e à inovação

Para a pesquisadora, o prêmio Finep Nordeste de Inovação 2025 reforça a importância do projeto. “Esse reconhecimento mostra que a ciência desenvolvida aqui está alinhada com os grandes desafios globais e que temos a capacidade de desenvolver tecnologias de ponta dentro do nosso próprio ecossistema”, afirma. “Isso fortalece a confiança, tanto dos nossos parceiros, quanto da indústria e da sociedade em geral no trabalho que estamos fazendo”, conclui.

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12/12/2025 22:10h

Confederação Nacional da Indústria (CNI) projetava alta de mais de 2% para o setor; expectativa foi reduzida para 1,8%

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Em 2025, a Indústria foi penalizada pelas taxas de juros elevadas, aponta o relatório Economia Brasileira 2025-2026, divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), na quarta-feira (10). O relatório reduziu a projeção de crescimento da indústria de 2,1% para 1,8%.

Para o presidente da CNI, Ricardo Alban, a indústria é ainda mais penalizada pela taxa de juros. Alban explica que o setor tem cadeias produtivas extensas e que os juros acabam encarecendo as várias etapas do processo produtivo. Segundo o dirigente, a queda nas projeções reúne um conjunto de explicações, mas apenas a alta taxa de juros pode ser resolvida no curto prazo. “É uma combinação de fatores, mas a taxa de juros é algo que pode ser administrado de forma mais efetiva, com mais entregas imediatas, do que toda uma parte de infraestrutura, de reformas estruturais que precisamos fazer”, declarou.

Um dos destaques da revisão é a indústria de transformação. No final do ano passado, a CNI estimava crescimento de 2% para o setor; o percentual foi caindo ao longo do ano e, desde o 3º trimestre, passou para uma alta de 0,7%.

A publicação da CNI aponta que a indústria de transformação tem sido afetada, neste ano, por uma série de fatores, sobretudo o patamar elevado dos juros e a forte entrada de importados, especialmente de bens de consumo, que capturam parte relevante da demanda por bens industriais.

O diretor de Economia da CNI, Mario Sergio Telles, destacou que o tarifaço imposto pelo governo norte-americano aos produtos brasileiros também afetou o cenário. “Isso afetou muito as vendas da indústria para o mercado americano, que é o principal mercado da indústria de transformação brasileira. Mas, em parte, essa perda foi compensada pelo crescimento em outros mercados. E aí destacaria principalmente o mercado argentino, onde a economia reagiu. Também a taxa de câmbio lá se apreciou, o que beneficiou as nossas exportações para lá”, analisou Telles.

A previsão para o crescimento da construção também foi revisada para baixo: a alta do PIB do setor deveria ser de 1,8%, mas encerra 2025 em 1,5%. Na avaliação da confederação, o percentual reflete os juros altos e o menor desempenho nas vendas de materiais de construção, especialmente no 2° semestre.

Já o setor de serviços se manteve estável. Em contrapartida, a expectativa para a indústria extrativa foi revisada para cima — de 4% para 8%, impulsionada principalmente pela extração de petróleo e minério de ferro.

Para 2025, a CNI projeta crescimento de 2,5% do PIB, ligeiramente acima dos 2,4% estimados no fim do ano passado. Diferentemente de 2024, quando a expansão foi puxada pela indústria e pelos serviços, o crescimento deste ano será liderado pelo agronegócio. O setor registrou alta ao longo de todo o ano, especialmente nas safras e no abate animal. A CNI prevê alta de 9,6% na agropecuária este ano. Em 2024, a previsão era de crescimento de 4,2%.

Importações crescem, mas em ritmo menor

Até novembro, as importações brasileiras somaram US$260 bilhões, valor 7,2% superior ao registrado no mesmo período de 2024. O volume importado cresceu 6,5% no acumulado do ano até o momento, enquanto os preços caíram 1,5%. Entre os fatores que explicam a alta das importações estão a redução dos preços internacionais, os desvios de comércio gerados pelo choque tarifário dos Estados Unidos, a valorização do real e o aumento da renda disponível das famílias.

Destaca-se a importação de bens de capital, impulsionada pela compra de plataformas de exploração. Essas compras somaram US$5,2 bilhões, equivalentes a 12,7% do valor das importações de bens de capital de janeiro a novembro. 

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12/12/2025 04:55h

De acordo com a CNI, a taxa de juros real, que é calculada com base nas expectativas de inflação, deve concluir 2025 em torno de 10,5% ao ano

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A taxa básica de juros já deveria ter iniciado um ciclo de queda para evitar o agravamento da desaceleração econômica e a perda de ritmo do mercado de trabalho. A consideração é da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que criticou a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de manter a Selic em 15%.

O presidente da entidade, Ricardo Alban, defende que a permanência dos juros nesse patamar é uma medida “excessiva e prejudicial”. Na avaliação dele, isso encarece o crédito, inibe o investimento e compromete a competitividade da indústria.

Alban destaca, ainda, que o próprio Comitê entende que as consequências dos juros elevados ainda não se materializaram por completo. “Há espaço para uma mudança gradual na política monetária sem comprometer a convergência da inflação para a meta”, pontua.

Juros reais entre os maiores do mundo

De acordo com a CNI, a taxa de juros real, que é calculada com base nas expectativas de inflação, deve concluir 2025 em torno de 10,5% ao ano. O resultado corresponde a cerca de 5,5 pontos percentuais acima da taxa neutra determinada pelo Banco Central. Diante disso, o país continua entre os que contam com as maiores taxas de juros reais do mundo, atrás apenas da Turquia.

CNI: PIB deve crescer 1,8% em 2026, afetado por juros altos

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Na avaliação do diretor de Economia da CNI, Mario Sérgio Telles, de maneira geral, a desaceleração da economia é praticamente guiada pelas taxas de juros. Para ele, o quadro atual pode comprometer o desenvolvimento do país, no próximo ano, em várias frentes.

“O crescimento das concessões de crédito, que no ano passado foi mais de 10%, este ano deve ser em torno de 3,6% e o ano que vem em torno de 3%. Então, o crédito novo, para gerar consumo, está cada vez crescendo menos. Esse é um fator que faz com que o crescimento da economia seja menor, porque o consumo cresce menos. Para o ano que vem, estamos projetando um crescimento do consumo de apenas 1,8%. É uma queda muito grande, provocada por juros”, destaca.

Estimativas divulgadas pela CNI também revelam que a taxa básica de juros de equilíbrio – compatível com o controle da inflação e o pleno emprego – deveria estar em torno de 10,5% ao ano. Nesse caso, há indício de que a Selic atual está 4,5 pontos percentuais acima do nível necessário. Para a entidade, esse cenário reflete uma postura monetária conservadora do Banco Central.

Juros altos desaceleraram economia

No 3º trimestre de 2025, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro aumentou 0,1%, ou seja, foi verificada uma perda de ritmo na comparação com o 2º trimestre, quando a economia registrou um salto de 0,3%. Também houve retração em relação ao 1º trimestre, que contou com alta de 1,5%.

No que diz respeito ao setor industrial, entre janeiro e outubro deste ano, a produção aumentou apenas 0,8% em relação ao mesmo período do ano passado. Os dados constam na Pesquisa Industrial Mensal, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Impacto no mercado de trabalho e concessões de crédito

No trimestre encerrado em outubro, a quantidade de pessoas ocupadas aumentou somente 0,1%, frente ao mesmo trimestre móvel anterior, encerrado em julho. Diante de uma elevação das taxas médias de juros das operações e da alta da inadimplência, as concessões de crédito saíram de um aumento de 10,7% no acumulado em 12 meses até dezembro de 2024 para apenas 4,5% até outubro deste ano.

A CNI ressalta que o impacto dos juros elevados também se estende ao setor público, já que aumenta o custo da dívida e o déficit nominal. Informações apresentadas pelo Banco Central mostram que, com base nos dados de novembro de 2025, uma elevação de 1 ponto percentual na Selic aumenta a dívida bruta do governo geral em R$ 55,6 bilhões, ao longo de 12 meses.

Inflação retorna ao patamar de tolerância

A entidade argumenta ainda que o momento econômico do Brasil também apresenta “sinais consistentes” de que as pressões de preços começam a ceder. No caso do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de novembro, por exemplo, houve um salto de 0,18%, o que trouxe a inflação acumulada em 12 meses para 4,46%, dentro do intervalo de tolerância da meta.

Além disso, as expectativas de inflação continuam em tendência de queda. Dados do Boletim Focus mostram que a projeção para o IPCA deste ano caiu para 4,4%, enquanto as expectativas para 2026, 2027 e 2028 recuaram para 4,16%, 3,8% e 3,5%, respectivamente.
 

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12/12/2025 04:40h

Oportunidades abrangem ensino médio, técnico e superior em diversas áreas e estados

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O Instituto Euvaldo Lodi (IEL) está com mais de 1,5 mil vagas de estágio abertas em diversas regiões do Brasil. Essas são as últimas oportunidades do ano para estudantes do ensino médio, técnico e superior. As vagas estão distribuídas no Distrito Federal e nos estados de Alagoas, Bahia, Ceará, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul.

Todas as oportunidades são remuneradas, com bolsas que variam de R$ 367 a R$ 2,5 mil, além de auxílio-transporte. Há ofertas em áreas como: administração, agronomia, arquitetura e urbanismo, ciências contábeis, farmácia, fisioterapia, gastronomia, nutrição, psicologia, entre outras.

A gerente de Carreiras e Desenvolvimento Empresarial do IEL Nacional, Michelle Queiroz, destaca que o estágio é uma etapa decisiva na formação dos jovens.

“As vagas de estágio do IEL são consideradas uma ótima forma de entrada para o mercado de trabalho. O estudante que faz um estágio do IEL tem a oportunidade de ter uma experiência prática e ter essa conexão entre a teoria e a prática. Consegue desenvolver habilidades técnicas e comportamentais – as chamadas soft skills –, e ganha visibilidade no mercado de trabalho”, destaca.

Mais de 1,5 milhão de estagiários já passaram pelo IEL

Mais de 1,5 milhão de estudantes já entraram no estágio por meio do IEL. Michelle Queiroz explica que o instituto atua como uma ponte entre os alunos, as instituições de ensino e as empresas, além de preparar os jovens talentos para os desafios do ambiente corporativo. 

“O estudante recebe orientações e mentorias de carreira. Além disso, ele vai dispor de uma plataforma de aprendizagem virtual, que permite o seu aprimoramento profissional e pessoal. Com isso, ele fica muito mais preparado para o mercado de trabalho e as portas ficam mais fáceis de serem acessadas”, explica.

Os interessados podem consultar todas as vagas disponíveis no novo portal IEL Carreiras

Confira os detalhes das vagas por estado 

(Fonte: Agência de Notícias da Indústria*

Alagoas

O IEL-AL está com 23 vagas de estágio abertas para as áreas de administração, ciências contábeis, comunicação social, design, engenharia civil, gestão de recursos humanos, jornalismo, marketing digital, pedagogia, publicidade e propaganda.

Além do ensino superior, há também vagas para nível técnico. As oportunidades são para as cidades de Arapiraca, Maceió e Marechal Deodoro. As bolsas variam entre R$ 600 e R$ 1 mil. Para mais informações, acesse o site do IEL-AL.

Bahia

O IEL-BA oferece 658 vagas de estágio para diversas áreas, incluindo administração, arquitetura e urbanismo, ciências contábeis, comunicação social, design gráfico e digital, educação física, enfermagem, engenharias, farmácia, fisioterapia, gastronomia, nutrição, pedagogia, psicologia, ensino médio, técnico e vários outros. Os valores das bolsas estão entre R$ 400 e R$ 1,8 mil.

As oportunidades estão disponíveis nos municípios de Alagoinhas, Amélia Rodrigues, Barreiras, Caculé, Camaçari, Eunápolis, Feira de Santana, Guanambi, Ibicaraí, Ilhéus, Irecê, Itabuna, Itapetinga, Jacobina, Jequié, Juazeiro, Lauro de Freitas, Luís Eduardo Magalhães, Maracás, Porto Seguro, Salvador, Senhor do Bonfim, Simões Filho, Teixeira de Freitas e Vitória da Conquista. Para realizar a inscrição e mais informações estão disponíveis no site do IEL-BA.

Ceará

O IEL-CE está oferecendo 38 vagas de estágio para diversas áreas como, administração, engenharia civil, educação física, engenharia de produção, estatística, tecnologia da informação e vários outros.

Os valores das bolsas estão entre R$ 550 e R$ 2,5 mil. As oportunidades são para as cidades de Caucaia, Crato, Fortaleza, Itaitinga, Juazeiro do Norte, Maracanaú e Sobral. Para preenchimento do cadastro e mais informações, acesse o site do IEL-CE.

Distrito Federal

O IEL-DF está com 47 vagas abertas para estágio. Há oportunidades para áreas de administração, arquitetura e urbanismo, ciências contábeis, comunicação, direito, engenharia civil, engenharia de redes, farmácia, nutrição e tecnologia da informação. As bolsas que variam de R$ 700 a R$ 1,5 mil.

Para realizar o cadastro e mais informações, basta acessar o site do IEL-DF. Em caso de dúvidas, ligue para (61) 3362-6075, mensagem para (61) 99128-2294 ou envie um e-mail para estagio.iel@sistemafibra.org.br.

Goiás

O IEL-GO está oferecendo 395 vagas de estágio para diversas áreas, como administração, arquitetura e urbanismo, ciências biológicas e da saúde, ciências exatas e naturais, ciências sociais aplicadas, comunicação social, engenharias, logística e tecnologia da informação.

As oportunidades são os municípios de Anicuns, Aparecida de Goiânia, Córrego do Ouro, Goianápolis, Goiânia, Goiás, Niquelândia, Rio Verde, Senador Canedo e Trindade. Os valores das bolsas estão entre R$ 367 a R$ 1,8 mil. Para mais detalhes e cadastro, acesse o site do IEL-GO.

Mato Grosso

O IEL-MT está com 70 vagas de estágio abertas em diversas áreas, incluindo administração, agronomia, ciências contábeis, direito, economia, educação física, engenharia (da computação, ambiental, civil e química), nível técnico e médio.

As vagas são ofertadas nas cidades de Alta Floresta, Canarana, Colíder, Comodoro, Cuiabá, Pontes e Lacerda, Primavera do Leste, Rondonópolis, Sinop, Sorriso e Várzea Grande. As bolsas variam de R$ 700 a R$ 1,5 mil. Para mais informações sobre as vagas e como realizar o cadastro, acesse o site do IEL-MT.

Minas Gerais

O IEL-MG oferece 39 vagas de estágio em diversas áreas, como administração, ciências contábeis, comércio exterior, comunicação social, engenharia mecânica, jornalismo, marketing, publicidade e propaganda, tecnologia da informação e nível técnico. Os valores das bolsas variam entre R$ 525 e R$ 2 mil.

As oportunidades estão disponíveis nas cidades de Belo Horizonte, Betim, Capelinha, Cataguases, Conselheiro Lafaiete, Contagem, Itabirito, Juiz de Fora, Mariana, Timóteo, Uberaba, Uberaba, Varginha e Vespasiano. Para mais informações sobre as vagas e como realizar a inscrição, acesse o site do IEL-MG.

Paraná

O IEL-PR tem 269 vagas de estágio abertas nas áreas de administração, engenharias, mecânicas, têxtil, metalúrgica, tecnologia da informação e comércio e muito mais. As bolsas variam de R$600 a R$2,1 mil.

As oportunidades são para os municípios de Apucarana, Bandeirantes, Cascavel, Curitiba, Dois Vizinhos, Francisco Beltrão, Irati, Itapevi, Londrina, Marechal Cândido Rondon, Maringá, Paiçandu, Pato Branco, Ponta Grossa, Quatro Barras, Santa Terezinha de Itaipu, Toledo, Vitorino e Wenceslau Braz. Para mais informações e preenchimento do cadastro, acesse o site do IEL-PR.

Rio Grande do Norte

O IEL-RN está oferecendo 17 vagas de estágio para as áreas de administração, arquitetura e urbanismo, ciências contábeis, educação física, engenharia da produção, logística e nível técnico.

As oportunidades são para as cidades de Mossoró, Natal e Parnamirim. As bolsas variam entre R$ 400 a R$ 1 mil. Para mais detalhes das vagas e preenchimento do cadastro, acesse o site do IEL-RN.

Rio Grande do Sul

O IEL-RS está oferecendo 45 vagas de estágio nas cidades de Bento Gonçalves, Caxias do Sul, Erechim, Garibaldi, Gravataí, Novo Hamburgo, Portão, Porto Alegre, Santa Rosa e São Leopoldo. As bolsas variam entre R$ 600 a R$ 2,2 mil.

As oportunidades são para as áreas de administração, ciências contábeis, educação física, engenharia (ambiental, civil, de produção, elétrica e mecânica), gestão ambiental, marketing, pedagogia, publicidade e propaganda, tecnologia da informação, nível médio e técnico. Para mais detalhes das vagas e preenchimento do cadastro, acesse o site do IEL-RS.

*informações sobre o quantitativo de vagas podem passar por atualizações

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10/12/2025 18:36h

Projeções da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostram perda de ritmo na economia, impacto do crédito caro e avanço limitado nos principais setores produtivos

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O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil deve crescer 1,8% em 2026. Essa é a projeção do relatório Economia Brasileira 2025-2026, divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta quarta-feira (10). O documento apresenta as principais estimativas para a atividade econômica, emprego, inflação, juros e comércio exterior do país para este e o próximo ano.

O avanço previsto para o PIB em 2026 será impulsionado principalmente pelo setor de serviços, com alta estimada de 1,9%. A indústria deve desacelerar em relação a 2025, com expansão de 1,1%, enquanto a agropecuária deve permanecer praticamente estável (+0,0%).

O diretor de Economia da CNI, Mario Sergio Telles, destaca que o ritmo de crescimento será o mais fraco desde 2020, ano marcado pela pandemia. “Em 2024, o crescimento foi de 3,4%. Ou seja, agora é metade do crescimento de 2024”, afirma.

Juros altos freiam a economia

Segundo Telles, a desaceleração em 2026 será resultado direto da manutenção dos juros elevados. “A concessão de crédito para consumo — que em 2024 foi de mais de 10%, esse ano deve ser em torno de 3,6% e o ano que vem será em torno de 3% — está cada vez menor. Então, esse é um fator que faz com que o crescimento da economia seja menor, porque o consumo cresce menos”, explica.

Apesar disso, a queda do PIB não será maior devido a três fatores:

  • expansão fiscal, sobretudo do governo federal;
  • isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e descontos para rendas de até R$ 7.350, estimulando o consumo;
  • crescimento (apesar de modesto) do mercado de trabalho.

Durante o lançamento do relatório, na sede da CNI, em Brasília, o presidente da entidade, Ricardo Alban, defendeu a eficiência da redução da taxa de juros e a contenção dos efeitos da política monetária.

“Eu entendo que os juros são algo que pode ser administrado de forma mais efetiva, com entregas mais imediatas do que as reformas estruturais que nós precisamos fazer. Eu vejo que a política monetária precisa incorporar outras ferramentas para atingir o mesmo objetivo, que é minimizar o efeito da política expansionista.”

Selic em 12% em 2026

A CNI projeta que a taxa Selic encerrará 2026 em 12%. Mesmo com a redução prevista, o impacto vai demorar a chegar à economia real. “Entre o início do processo de redução no Banco Central e isso chegar na economia real, tem uma defasagem. Então, o ano de 2026 ainda vai ser marcado por um efeito bastante negativo da política monetária”, explica Mario Sergio Telles.

Para Ricardo Alban, manter os juros em patamar elevado prolongará a desaceleração econômica, afetando especialmente a indústria. “O impacto recai sobre a população, pois isso se reflete em menos emprego  e renda. É necessário que o Banco Central não apenas inicie o ciclo de cortes na taxa Selic o quanto antes, mas que, ao final de 2026, tenhamos juros reais menores do que as projeções indicam no momento”, avalia. 

De acordo com o relatório, a inflação deve fechar 2026 em 4,1% e os juros reais devem ficar em torno de 7,9%, ainda elevados e capazes de inibir o crescimento econômico e o investimento.

Construção tem destaque positivo

Mesmo sob pressão dos juros altos, o setor da construção deve apresentar bom desempenho em 2026. A CNI estima um crescimento de 2,5%, impulsionado pelo novo modelo de crédito imobiliário, pelo aumento do valor máximo dos imóveis financiados pelo Sistema Financeiro de Habitação (SFH) e por novas linhas de financiamento para reforma de moradias de baixa renda.

A indústria extrativa, por sua vez, deve crescer 1,6%, beneficiada pela forte extração de petróleo e minério de ferro. Já a indústria de transformação deve ter o pior desempenho entre os segmentos industriais, com expansão de apenas 0,5%, pressionada pelo crédito caro e pela queda da demanda doméstica.

“Esses dois setores — indústria de transformação e construção — estão sendo afetados pela taxa de juros muito alta, o que reduz a demanda interna por bens de consumo industriais e também torna mais caro adquirir imóveis, portanto, desestimula um setor muito dependente de crédito”, explica Telles.

Além disso, a indústria da transformação também é prejudicada pelo crescimento de 15,3% das importações em 2025. “As importações estão tomando conta do pouco que cresce a demanda interna por bens industriais no Brasil”, declara Telles.

Comércio exterior: superávit maior em 2026

A CNI projeta que as exportações alcancem US$ 355,5 bilhões em 2026, alta de 1,6% sobre 2025. O crescimento, porém, deve ser limitado por fatores como a imposição de tarifas pelos Estados Unidos, possível desaceleração da economia argentina — importante  parceiro comercial do Brasil —, safra de grãos mais modesta e menor demanda por petróleo.

No caso das importações, espera-se uma menor demanda por insumos importados e aumento das compras de bens de consumo. Com isso, as compras externas devem chegar a US$ 289,3 bilhões, 1,4% abaixo do total de 2025.

O resultado é um superávit comercial estimado em US$ 66,2 bilhões, alta de quase 17% em relação a 2025.

Mercado de trabalho perde ritmo em 2026

A exemplo do que ocorre nos últimos meses de 2025, o mercado de trabalho deve perder ritmo em 2026, com taxa de desocupação projetada em 5,6% e aumento de 3,4% na massa de rendimento real dos trabalhadores

Segundo o relatório, a manutenção de condições monetárias restritivas, somada à estabilidade dos principais indicadores de emprego e à desaceleração na criação de vagas formais no fim de 2025, indica que o dinamismo do mercado de trabalho deve seguir limitado, especialmente ao longo do primeiro semestre de 2026.

Projeções para 2025

Para 2025, a CNI projeta crescimento de 2,5% do PIB, ligeiramente acima dos 2,4% estimados no fim do ano passado. Diferentemente de 2024, quando a expansão foi puxada pela indústria e pelos serviços, o crescimento deste ano será liderado pelo agronegócio.

Já o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) — considerado a inflação oficial do país — deve fechar 2025 em 4,5%, no limite do teto da meta. Mesmo assim, a CNI avalia que o Banco Central deve manter a Selic em 15% na última reunião do ano do Comitê de Política Monetária (Copom), iniciando o ciclo de cortes apenas em 2026.

O levantamento completo está disponível no link.

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10/12/2025 04:55h

Queda em outubro atinge 2,7%; emprego, massa salarial e rendimento médio dos trabalhadores também diminuem

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O faturamento da indústria brasileira recuou 2,7% em outubro. Esse é o terceiro mês consecutivo de queda, segundo levantamento “Indicadores Industriais” da Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgado nesta terça-feira (9). Com a sequência negativa dos últimos meses, o saldo positivo em relação ao ano passado ficou menor. 

Em julho, o setor ainda exibia uma alta de 4,6% em relação a 2024. Agora, de janeiro a outubro de 2025, o crescimento acumulado do faturamento é de apenas 1,2% frente ao mesmo período do ano passado.

O gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, explica que o enfraquecimento da demanda por produtos industriais tem pressionado o desempenho do setor.

“O ano de 2024 foi muito positivo para a indústria; por isso, 2025 começou com altas significativas na comparação com o ano passado. Contudo, esses últimos resultados mais negativos da indústria fizeram com que essas altas, na comparação com o ano anterior, fossem cada vez mais fracas”, afirma.

Emprego, massa salarial e rendimento continuam a cair

O mercado de trabalho industrial também apresentou piora em outubro. O indicador de emprego recuou 0,3%. Apesar disso, no acumulado de janeiro a outubro, os postos de trabalho cresceram 1,9% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior.

Pela quarta vez seguida, a massa salarial e o rendimento médio dos trabalhadores diminuíram. A massa salarial caiu 0,5% no mês e acumula retração de 2,4% em 2025. O rendimento médio recuou 0,3%, ampliando para 4,2% a queda acumulada no ano.

Horas trabalhadas e capacidade instalada avançam

Na contramão dos demais indicadores, as horas trabalhadas na produção subiram 0,4% em outubro, segunda alta consecutiva. O motivo, segundo Azevedo, é atender a demanda típica de final de ano por produtos industriais. Nos dez primeiros meses do ano, o indicador acumula avanço de 1,1% na comparação com igual período de 2024.

A Utilização da Capacidade Instalada (UCI) também registrou leve alta, passando de 78,3% para 78,4%. Mesmo assim, a média do ano até outubro permanece 0,9 ponto percentual abaixo da verificada no mesmo período de 2024.

O gerente de Análise Econômica da CNI afirma que apesar dessas pequenas variações positivas, o quadro geral dos indicadores industriais é de desaquecimento.
“Nos últimos meses, todos [os indicadores] mostraram variações negativas ou variações muito pequenas, mostrando esse desaquecimento da indústria, de uma forma geral, e as dificuldades que a indústria vem enfrentando nesse final de ano, sobretudo por conta da queda da demanda por bens industriais, que já vem se verificando há mais tempo”, explica.

Confira o levantamento completo no site da CNI.

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