Taxa de juros

20/03/2026 04:50h

CNI avalia que a taxa básica de juros permanece em nível restritivo e acima do necessário para controlar a inflação

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Na última quarta-feira (18), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual (p.p.), atingindo 14,75% ao ano (a.a.). Foi o primeiro corte na taxa básica de juros em quase dois anos.

Apesar da redução, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) avalia que a medida ainda é insuficiente para reverter a desaceleração da atividade econômica. Segundo a entidade, o nível atual dos juros segue muito elevado para destravar investimentos e aliviar o endividamento das famílias, efeitos associados a uma política monetária excessivamente restritiva.

Com a Selic em 14,75% a.a., a taxa de juros real chega a 10,4% a.a. — 5,4 p.p. acima da taxa neutra, estimada pelo próprio Banco Central em 5% a.a. Essa taxa neutra é aquela que não estimula nem desacelera a economia. Pelos cálculos da CNI, a taxa de equilíbrio, capaz de conciliar pleno emprego e estabilidade de preços, deveria estar em torno de 10,1% a.a., o que indica que o nível atual da Selic é 4,6 p.p. mais restritivo do que o necessário para o controle da inflação.

O presidente da CNI, Ricardo Alban, afirma que o cenário inflacionário já permitiria uma redução mais intensa dos juros. Segundo ele, a inflação está em desaceleração e as expectativas de mercado permanecem dentro do intervalo de tolerância da meta.

“Se nós estivéssemos trabalhando hoje, como eu entendo que deveria ser, [com uma taxa de juros] a níveis de 9% e 10%, seriam juros razoáveis para a realidade da condição da inflação do Brasil. Nós poderíamos até entender que não houvesse nenhuma redução da taxa de juros. Mas nós estamos em 15%”, afirma.

Inflação sob controle

A inflação segue controlada e em convergência para o centro da meta. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado em 12 meses até fevereiro recuou para 3,81%, ante 4,44% no mês anterior.

As expectativas do mercado para inflação também permanecem dentro do intervalo de tolerância, apesar de pressões externas, como a recente alta do petróleo em meio ao conflito no Oriente Médio. De acordo com o Boletim Focus, as projeções são de 4,1% para 2026, 3,8% para 2027 e 3,5% para 2028.

Risco de estagflação

Mesmo com a inflação sob controle, Alban demonstra preocupação com o risco de estagflação — cenário caracterizado pela combinação de inflação persistente, baixo crescimento do PIB e aumento do desemprego.

“Nós estamos caminhando, bem como os Estados Unidos já se preocupam hoje, para a chamada estagflação. Será que não podemos ter uma estagflação muito mais séria, com a inibição que é a taxa de juros hoje para nossa economia e para capacidade de oferta? Então, uma redução de 0,25 jamais pode ser comemorado”, avalia.

Ao longo dos últimos 50 meses em que a Selic permaneceu em nível restritivo, o PIB cresceu 2,3% em 2025, segundo o IBGE — resultado menor que os 3,4% registrados em 2024 e o mais fraco desde a recessão provocada pela pandemia, em 2020. No mesmo período, o consumo das famílias desacelerou de 5,1% para 1,3%, enquanto os investimentos recuaram de 6,9% para 2,9%.

A política monetária também contribuiu para o aumento do endividamento das famílias. A parcela da renda comprometida com dívidas bancárias subiu de 47,7%, em dezembro de 2023, para 49,7%, em dezembro de 2025, segundo o Banco Central. Já a inadimplência das pessoas físicas avançou de 3,7%, em janeiro de 2024, para 5,2%, em janeiro de 2026.

Diante desse cenário, Alban defende que o Banco Central acelere o ritmo de cortes da Selic já na próxima reunião do Copom, prevista para o fim de abril. Segundo ele, uma redução mais significativa é necessária para viabilizar melhores condições de investimento, reduzir o endividamento das famílias e impulsionar o crescimento econômico.

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13/03/2026 04:50h

Para presidente da entidade, Ricardo Alban, produtividade estagnada, juros elevados, endividamento e Custo Brasil limitam mudanças estruturais

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O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, afirma que debates sobre mudanças estruturais — como a redução da jornada de trabalho — precisam considerar os principais desafios para o crescimento econômico do país, como a produtividade estagnada, os juros elevados, o aumento do endividamento e o peso do Custo Brasil.

Segundo ele, discussões desse tipo devem ser amadurecidas e não devem ocorrer de forma precipitada, especialmente em ano eleitoral.

O Brasil cresceu sua produtividade 0,5 ponto percentual ao ano de 1981 a 2023. A indústria decresceu 0,3%. É óbvio que o acesso à introdução de novas tecnologias e à inovação, como a inteligência artificial, permite um ganho de produtividade, mas nós estamos atrasados”, ressalta.

Custo Brasil

Entre os principais obstáculos ao crescimento econômico, Alban destaca o chamado Custo Brasil — conjunto de barreiras estruturais, burocráticas e econômicas que afetam o ambiente de negócios e o desenvolvimento do país.

“O grande calcanhar de Aquiles do país é o Custo Brasil, no qual está toda a carga tributária, os juros elevados, os problemas de infraestrutura e de energia, que é algo que nós precisaríamos enfrentar com vontade. Não há racionalidade no preço da nossa energia, com tantos penduricários embutidos”, afirma.

Alban também chama atenção para o nível elevado das taxas de juros. Segundo ele, o próprio Banco Central indica que a taxa neutra poderia estar entre 4% e 5%, mas o país enfrenta dificuldades para reduzir o custo do crédito. Atualmente, a taxa básica de juros (Selic) está em 15% ao ano.

Esse cenário, segundo Alban, contribui para o aumento do endividamento e da inadimplência entre famílias e empresas. Dados do Banco Central mostram que o endividamento das famílias passou de 48,4% para 49,7% entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025. Já a inadimplência das pessoas físicas no sistema financeiro subiu de 3,5% em dezembro de 2024 para 5,2% em janeiro de 2026.

Entre as empresas, a inadimplência também aumentou, passando de 2,0% para 2,6% no mesmo período.

“A inadimplência e a bola de neve dos juros sobre endividamento têm feito com que todos tenham que rolar o endividamento com novas operações sujeitas ao Imposto sobre Operações Financeiras (IOF)”, alerta.

Participação do setor produtivo nas soluções

O presidente da CNI afirma que o setor produtivo — incluindo a indústria — está disposto a colaborar na busca por soluções para os principais desafios da economia brasileira. Para isso, representantes do setor irão ao Congresso Nacional, no próximo dia 24 de março, para entregar a Agenda Legislativa da Indústria, documento que reúne propostas consideradas prioritárias para melhorar o ambiente de negócios no país.

Além disso, a CNI também pretende apresentar o projeto Brasil 2050, um conjunto de propostas estratégicas voltadas ao desenvolvimento econômico de longo prazo.
“É a visão do setor industrial sobre o que é necessário para o Brasil chegar a 2050, não mais como um país em desenvolvimento ou como um país do amanhã, mas como um país que nós queremos. E nós queremos participar de forma uníssona e contributiva, não apenas ser críticos e jogar pedra”, afirma.

Segundo Alban, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, convidou o setor industrial a apresentar as pautas da agenda judiciária da indústria.

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20/02/2026 04:45h

Os setores que apresentaram crescimento foram o Agropecuário, de 2,3%, e o de Indústria, de 0,3%; Serviços apresentou queda de 0,3%

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O Banco Central divulgou, nesta quinta-feira (19), o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) de dezembro de 2025. O indicador — entendido como uma “prévia do Produto Interno Bruto” — mostrou retração de 0,2% em relação a novembro. O resultado indicou um crescimento total de 2,5% em 2025.

Os dados representam uma desaceleração da economia brasileira durante o último ano em comparação a 2024, quando houve aumento de 3,7%. Apesar disso, o resultado de dezembro se mostrou melhor do que o esperado por alguns economistas. Segundo pesquisa da agência de notícias Reuters, a expectativa era de uma retração de 0,5% no mês.

Os setores que apresentaram crescimento em dezembro foram o Agropecuário, que cresceu 2,3%, e o de Indústria, que cresceu 0,3%. O setor de serviços apresentou queda de 0,3%. O cálculo é feito após ajuste sazonal, levando em conta condições específicas dos períodos comparados. Excluindo a agropecuária, o IBC-Br teve recuo de 0,3% no mês.

Na comparação trimestral, o IBC-Br do trimestre finalizado em dezembro mostrou alta de 0,4% frente ao terminado em setembro de 2025. Desconsiderando o ajuste sazonal, a prévia do PIB para dezembro de 2025 teve alta de 3,1% frente ao mesmo mês de 2024.

O resultado oficial do PIB do Brasil em 2025 será divulgado pelo IBGE no dia três de março. A estimativa do Ministério da Fazenda é de que o indicador tenha apresentado crescimento de 2,2% em 2025.

Medido oficialmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e atua como indicador da evolução da economia nacional. A grosso modo, um aumento do índice sinaliza um crescimento da produção e do consumo interno.

A metodologia utilizada pelo BC e pelo IBGE para calcular os índices é diferente. O IBC-Br incorpora estimativas para a agropecuária, a indústria e o setor de serviços, além dos impostos, mas não considera o lado da demanda, como faz o PIB do IBGE.

Desaceleração esperada

A diminuição do ritmo de crescimento da economia brasileira já era esperada pelo governo federal e pelo mercado financeiro. O motivo é o alto patamar da taxa de juros, a Selic, no país — mantida a 15% ao ano pelo BC durante a última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) em janeiro —, o maior em quase 20 anos

Segundo o Banco Central, a resistência em reduzir os juros tem como objetivo conter as pressões inflacionárias no Brasil. Contudo, o comitê sinalizou, na última ata, a intenção de iniciar o ciclo de cortes na Selic na próxima reunião, em março, em se confirmando o cenário esperado de sinalização da contenção da inflação.

Ainda de acordo com o BC, os cortes serão definidos a cada reunião, priorizando a “calibragem” do cenário inflacionário e da política monetária. As expectativas do mercado são a de que a Selic termine o ano em um patamar médio entre 13,5% e 14% ao ano.

Com informações do Banco Central e da Reuters

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07/02/2026 04:05h

Indicadores Industriais da CNI mostram recuo na atividade industrial no segundo semestre de 2025

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O faturamento da indústria de transformação estagnou em 2025. Após queda de 1,2% em dezembro, o indicador fechou o ano com variação de 0,1% em relação a 2024, consolidando um quadro de estabilidade. Os dados são dos Indicadores Industriais, divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta sexta-feira (6).

A atividade industrial recuou no segundo semestre de 2025, com quatro quedas de faturamento nos últimos seis meses. Até junho do ano passado, as receitas acumulavam alta de 5,7% em relação ao mesmo período de 2024, mas a sequência negativa do indicador reverteu o cenário positivo.

Larissa Nocko, especialista em Políticas e Indústria da CNI, explica que esse resultado reflete os efeitos da elevada taxa básica de juros, no maior patamar das últimas duas décadas. “A convivência com taxas de juros elevadas, o elevado custo do crédito, a desaceleração da atividade econômica, a forte entrada de bens importados, especialmente de bens de consumo, capturando uma parte importante da demanda doméstica. Todos esses elementos devem permanecer ao longo de 2026, trazendo uma perspectiva que não é das melhores para a indústria de transformação ao longo deste ano”, alerta.

Nocko aponta que o desempenho acima da média em 2024, com alta de 6,2%, melhor marca em 14 anos, é outra causa para essa estabilização do faturamento. “Por isso nós temos alguns resultados mistos. Por exemplo, o emprego e o número de horas trabalhadas na produção ainda registraram um crescimento nessa comparação do ano consolidado de 2025 contra 2024, mas outros indicadores, como o nível de utilização da capacidade instalada, a massa salarial e o rendimento médio dos trabalhadores, mostraram um recuo.”

Em dezembro, o total de horas trabalhadas na produção caiu 1% em relação a novembro, também o quarto resultado negativo no último semestre. Já a utilização da capacidade instalada (UCI) caiu 0,4 ponto percentual, passando de 77,2% para 76,8% em dezembro e fechou 2025 com média 1,2 ponto percentual inferior à registrada no ano anterior. 

Emprego

De acordo com o levantamento da CNI, o emprego caiu 0,2% entre novembro e dezembro, quarto resultado negativo consecutivo. Ainda assim, o mercado de trabalho industrial cresceu 1,6% em 2025 frente a 2024.

“É importante destacar que o momento vivido pelo mercado de trabalho ainda é de bastante aquecimento. Agora no final do ano de 2025, os indicadores relacionados ao emprego deram alguns sinais um pouco mais concretos de desaceleração, mas o mercado de trabalho segue em crescimento. No entanto, um crescimento mais fraco do que o apresentado em relação a 2024”, explica Nocko.

A massa salarial real caiu 0,3% no último mês de 2025, a quinta queda do indicador em seis meses. No último semestre do ano passado, a massa salarial subiu apenas em novembro (1,4%). O indicador fechou o ano com queda de 2,1% em relação a 2024.

O rendimento médio real registrou relativa estabilidade (+0,2%) em dezembro, depois de crescer 1,4% em novembro. No entanto, o saldo de 2025 é negativo: queda de 3,6% em relação a 2024.

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06/02/2026 04:30h

Segundo a confederação, crescimento de 0,6% da produção industrial em 2025 representa “forte desaceleração” iniciada em 2024, com o início do ciclo de aumento dos juros

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O crescimento de 0,6% da produção industrial em 2025, segundo o levantamento divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na última terça-feira (3), representa uma forte desaceleração em comparação a 2024, período em que o setor apresentou alta de 3,1%. A avaliação é da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que relaciona a perda de ritmo da atividade industrial no último ano ao alto patamar dos juros, à demanda interna insuficiente e ao aumento das importações.

A confederação argumenta que a piora no resultado foi reduzida pelo desempenho da indústria extrativista — relacionada a atividades como mineração e extração de petróleo e gás natural —, que teve crescimento de 4,9% em 2025 e ajudou a compensar a queda de 0,2% da indústria de transformação — responsável por transformar matérias-primas em produtos e que abrange a fabricação de alimentos, vestuário, veículos, eletrônicos, entre outros —, que vinha de um crescimento de 3,7% em 2024.

Mesmo assim, o cenário adverso retratado pela CNI teria impactado o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) da confederação, que teve o pior resultado para janeiro em 10 anos e completou 13 meses abaixo da linha de 50 pontos — o que caracteriza quadro persistente de falta de confiança.

A CNI reforçou que a falta de confiança já prejudica a indústria em 2026, pois leva empresários a deixar de investir, produzir e contratar, tendo impacto consequencial na economia brasileira.

 

Desaceleração acompanha aumento dos juros desde 2024

 

Segundo a CNI, a desaceleração industrial observada em 2025 teve início ainda no segundo semestre de 2024, convergindo com o período em que o Banco Central iniciou o ciclo de aumento da taxa Selic. A indústria de transformação, que cresceu 2,3% no primeiro semestre de 2024, subiu somente 1,8% no semestre seguinte e continuou a ser pressionada pelo aumento dos juros — que chegaram ao patamar atual de 15% ao ano na metade de 2025 —, caindo 0,4% no primeiro semestre e 0,8% no segundo semestre de 2025.

O diretor de Economia da CNI, Mário Sérgio Telles, explica que a manutenção da Selic em patamares “punitivos” encareceu o crédito ao setor produtivo, o que resultou na retenção de investimentos e redução do apetite dos consumidores por produtos industriais.

“O prejuízo causado pelos juros altos é enorme: em 2024, com a Selic menor, a demanda doméstica por bens da indústria de transformação cresceu quatro vezes mais do que a demanda registrada até novembro de 2025”, complementa.

A CNI reforça que esse enfraquecimento da demanda encontra respaldo nos dados da Sondagem Industrial da confederação. Empresários industriais argumentam que os estoques ficaram acima do planejado durante o segundo semestre de 2025.

Junto aos juros e à demanda enfraquecida, a CNI destaca o desafio do aumento das importações para a indústria. As compras de bens de consumo, bens de capital e bens intermediários saltaram 15,6%, 7,8% e 5,6%, respectivamente, em 2025, capturando parcela relevante do mercado interno.

As informações são da CNI.

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16/12/2025 04:15h

Agropecuária é o único setor com crescimento; é o segundo mês seguido de queda do índice

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O Banco Central divulgou, nesta segunda-feira (15), o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) de outubro de 2025. O indicador — entendido como uma “prévia do Produto Interno Bruto” do Banco Central — mostrou retração de 0,2% em relação a setembro, sendo o segundo mês seguido de queda. A última alta mensal do IBC-Br foi em agosto, quando o índice cresceu 0,4%.

O único setor a apresentar crescimento em outubro foi o agropecuário, que cresceu 3,1%. O setor de indústria e o de serviços apresentaram queda de 0,7% e 0,2%, respectivamente. O cálculo é feito após ajuste sazonal, levando em conta condições específicas dos períodos comparados. 

Desconsiderando o ajuste sazonal, a prévia do PIB para outubro de 2025 teve alta de 0,4% frente ao mesmo mês de 2024, e representou crescimento acumulado de 2,5% em um período de 12 meses. Além disso, o IBC-Br apresentou crescimento de 2,4% na comparação com os dez primeiros meses de 2024.

Medido oficialmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e atua como indicador da evolução da economia nacional. A grosso modo, um aumento do índice sinaliza um crescimento da produção e do consumo interno.

A metodologia utilizada pelo BC e pelo IBGE para calcular os índices é diferente. O IBC-Br incorpora estimativas para a agropecuária, a indústria e o setor de serviços, além dos impostos, mas não considera o lado da demanda, como faz o PIB do IBGE.

Desaceleração esperada

A diminuição do ritmo de crescimento da economia brasileira já era esperada pelo governo federal e pelo mercado financeiro. O motivo é o alto patamar da taxa de juros, a Selic, no país — mantida a 15% ao ano pelo BC durante a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) da última quarta-feira (10) —, o maior em quase 20 anos

Segundo o Banco Central, a resistência em reduzir os juros tem como objetivo conter as pressões inflacionárias no Brasil. Membros do Copom, como o presidente do BC, Gabriel Galípolo, sinalizaram que a Selic deverá ser mantida no patamar atual por um período “bastante prolongado”, o que só tende a mudar quando os indicadores inflacionários para 2025 e 2026 indicarem uma redução satisfatória

A estimativa do mercado financeiro é de um crescimento de 2,25% do PIB em 2025, aquém dos 3,4% em 2024. Analistas dos bancos esperam que cortes na Selic venham somente em 2026.

Apesar das preocupações do governo e do mercado quanto aos juros estarem “freando” o avanço da economia, o BC comunicou, após a última reunião do Copom, que o “hiato do produto” segue positivo — ou seja, que a economia continua operando acima do seu potencial de crescimento sem pressionar a inflação.

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12/12/2025 04:55h

De acordo com a CNI, a taxa de juros real, que é calculada com base nas expectativas de inflação, deve concluir 2025 em torno de 10,5% ao ano

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A taxa básica de juros já deveria ter iniciado um ciclo de queda para evitar o agravamento da desaceleração econômica e a perda de ritmo do mercado de trabalho. A consideração é da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que criticou a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de manter a Selic em 15%.

O presidente da entidade, Ricardo Alban, defende que a permanência dos juros nesse patamar é uma medida “excessiva e prejudicial”. Na avaliação dele, isso encarece o crédito, inibe o investimento e compromete a competitividade da indústria.

Alban destaca, ainda, que o próprio Comitê entende que as consequências dos juros elevados ainda não se materializaram por completo. “Há espaço para uma mudança gradual na política monetária sem comprometer a convergência da inflação para a meta”, pontua.

Juros reais entre os maiores do mundo

De acordo com a CNI, a taxa de juros real, que é calculada com base nas expectativas de inflação, deve concluir 2025 em torno de 10,5% ao ano. O resultado corresponde a cerca de 5,5 pontos percentuais acima da taxa neutra determinada pelo Banco Central. Diante disso, o país continua entre os que contam com as maiores taxas de juros reais do mundo, atrás apenas da Turquia.

CNI: PIB deve crescer 1,8% em 2026, afetado por juros altos

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Na avaliação do diretor de Economia da CNI, Mario Sérgio Telles, de maneira geral, a desaceleração da economia é praticamente guiada pelas taxas de juros. Para ele, o quadro atual pode comprometer o desenvolvimento do país, no próximo ano, em várias frentes.

“O crescimento das concessões de crédito, que no ano passado foi mais de 10%, este ano deve ser em torno de 3,6% e o ano que vem em torno de 3%. Então, o crédito novo, para gerar consumo, está cada vez crescendo menos. Esse é um fator que faz com que o crescimento da economia seja menor, porque o consumo cresce menos. Para o ano que vem, estamos projetando um crescimento do consumo de apenas 1,8%. É uma queda muito grande, provocada por juros”, destaca.

Estimativas divulgadas pela CNI também revelam que a taxa básica de juros de equilíbrio – compatível com o controle da inflação e o pleno emprego – deveria estar em torno de 10,5% ao ano. Nesse caso, há indício de que a Selic atual está 4,5 pontos percentuais acima do nível necessário. Para a entidade, esse cenário reflete uma postura monetária conservadora do Banco Central.

Juros altos desaceleraram economia

No 3º trimestre de 2025, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro aumentou 0,1%, ou seja, foi verificada uma perda de ritmo na comparação com o 2º trimestre, quando a economia registrou um salto de 0,3%. Também houve retração em relação ao 1º trimestre, que contou com alta de 1,5%.

No que diz respeito ao setor industrial, entre janeiro e outubro deste ano, a produção aumentou apenas 0,8% em relação ao mesmo período do ano passado. Os dados constam na Pesquisa Industrial Mensal, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Impacto no mercado de trabalho e concessões de crédito

No trimestre encerrado em outubro, a quantidade de pessoas ocupadas aumentou somente 0,1%, frente ao mesmo trimestre móvel anterior, encerrado em julho. Diante de uma elevação das taxas médias de juros das operações e da alta da inadimplência, as concessões de crédito saíram de um aumento de 10,7% no acumulado em 12 meses até dezembro de 2024 para apenas 4,5% até outubro deste ano.

A CNI ressalta que o impacto dos juros elevados também se estende ao setor público, já que aumenta o custo da dívida e o déficit nominal. Informações apresentadas pelo Banco Central mostram que, com base nos dados de novembro de 2025, uma elevação de 1 ponto percentual na Selic aumenta a dívida bruta do governo geral em R$ 55,6 bilhões, ao longo de 12 meses.

Inflação retorna ao patamar de tolerância

A entidade argumenta ainda que o momento econômico do Brasil também apresenta “sinais consistentes” de que as pressões de preços começam a ceder. No caso do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de novembro, por exemplo, houve um salto de 0,18%, o que trouxe a inflação acumulada em 12 meses para 4,46%, dentro do intervalo de tolerância da meta.

Além disso, as expectativas de inflação continuam em tendência de queda. Dados do Boletim Focus mostram que a projeção para o IPCA deste ano caiu para 4,4%, enquanto as expectativas para 2026, 2027 e 2028 recuaram para 4,16%, 3,8% e 3,5%, respectivamente.
 

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10/12/2025 18:36h

Projeções da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostram perda de ritmo na economia, impacto do crédito caro e avanço limitado nos principais setores produtivos

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O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil deve crescer 1,8% em 2026. Essa é a projeção do relatório Economia Brasileira 2025-2026, divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta quarta-feira (10). O documento apresenta as principais estimativas para a atividade econômica, emprego, inflação, juros e comércio exterior do país para este e o próximo ano.

O avanço previsto para o PIB em 2026 será impulsionado principalmente pelo setor de serviços, com alta estimada de 1,9%. A indústria deve desacelerar em relação a 2025, com expansão de 1,1%, enquanto a agropecuária deve permanecer praticamente estável (+0,0%).

O diretor de Economia da CNI, Mario Sergio Telles, destaca que o ritmo de crescimento será o mais fraco desde 2020, ano marcado pela pandemia. “Em 2024, o crescimento foi de 3,4%. Ou seja, agora é metade do crescimento de 2024”, afirma.

Juros altos freiam a economia

Segundo Telles, a desaceleração em 2026 será resultado direto da manutenção dos juros elevados. “A concessão de crédito para consumo — que em 2024 foi de mais de 10%, esse ano deve ser em torno de 3,6% e o ano que vem será em torno de 3% — está cada vez menor. Então, esse é um fator que faz com que o crescimento da economia seja menor, porque o consumo cresce menos”, explica.

Apesar disso, a queda do PIB não será maior devido a três fatores:

  • expansão fiscal, sobretudo do governo federal;
  • isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e descontos para rendas de até R$ 7.350, estimulando o consumo;
  • crescimento (apesar de modesto) do mercado de trabalho.

Durante o lançamento do relatório, na sede da CNI, em Brasília, o presidente da entidade, Ricardo Alban, defendeu a eficiência da redução da taxa de juros e a contenção dos efeitos da política monetária.

“Eu entendo que os juros são algo que pode ser administrado de forma mais efetiva, com entregas mais imediatas do que as reformas estruturais que nós precisamos fazer. Eu vejo que a política monetária precisa incorporar outras ferramentas para atingir o mesmo objetivo, que é minimizar o efeito da política expansionista.”

Selic em 12% em 2026

A CNI projeta que a taxa Selic encerrará 2026 em 12%. Mesmo com a redução prevista, o impacto vai demorar a chegar à economia real. “Entre o início do processo de redução no Banco Central e isso chegar na economia real, tem uma defasagem. Então, o ano de 2026 ainda vai ser marcado por um efeito bastante negativo da política monetária”, explica Mario Sergio Telles.

Para Ricardo Alban, manter os juros em patamar elevado prolongará a desaceleração econômica, afetando especialmente a indústria. “O impacto recai sobre a população, pois isso se reflete em menos emprego  e renda. É necessário que o Banco Central não apenas inicie o ciclo de cortes na taxa Selic o quanto antes, mas que, ao final de 2026, tenhamos juros reais menores do que as projeções indicam no momento”, avalia. 

De acordo com o relatório, a inflação deve fechar 2026 em 4,1% e os juros reais devem ficar em torno de 7,9%, ainda elevados e capazes de inibir o crescimento econômico e o investimento.

Construção tem destaque positivo

Mesmo sob pressão dos juros altos, o setor da construção deve apresentar bom desempenho em 2026. A CNI estima um crescimento de 2,5%, impulsionado pelo novo modelo de crédito imobiliário, pelo aumento do valor máximo dos imóveis financiados pelo Sistema Financeiro de Habitação (SFH) e por novas linhas de financiamento para reforma de moradias de baixa renda.

A indústria extrativa, por sua vez, deve crescer 1,6%, beneficiada pela forte extração de petróleo e minério de ferro. Já a indústria de transformação deve ter o pior desempenho entre os segmentos industriais, com expansão de apenas 0,5%, pressionada pelo crédito caro e pela queda da demanda doméstica.

“Esses dois setores — indústria de transformação e construção — estão sendo afetados pela taxa de juros muito alta, o que reduz a demanda interna por bens de consumo industriais e também torna mais caro adquirir imóveis, portanto, desestimula um setor muito dependente de crédito”, explica Telles.

Além disso, a indústria da transformação também é prejudicada pelo crescimento de 15,3% das importações em 2025. “As importações estão tomando conta do pouco que cresce a demanda interna por bens industriais no Brasil”, declara Telles.

Comércio exterior: superávit maior em 2026

A CNI projeta que as exportações alcancem US$ 355,5 bilhões em 2026, alta de 1,6% sobre 2025. O crescimento, porém, deve ser limitado por fatores como a imposição de tarifas pelos Estados Unidos, possível desaceleração da economia argentina — importante  parceiro comercial do Brasil —, safra de grãos mais modesta e menor demanda por petróleo.

No caso das importações, espera-se uma menor demanda por insumos importados e aumento das compras de bens de consumo. Com isso, as compras externas devem chegar a US$ 289,3 bilhões, 1,4% abaixo do total de 2025.

O resultado é um superávit comercial estimado em US$ 66,2 bilhões, alta de quase 17% em relação a 2025.

Mercado de trabalho perde ritmo em 2026

A exemplo do que ocorre nos últimos meses de 2025, o mercado de trabalho deve perder ritmo em 2026, com taxa de desocupação projetada em 5,6% e aumento de 3,4% na massa de rendimento real dos trabalhadores

Segundo o relatório, a manutenção de condições monetárias restritivas, somada à estabilidade dos principais indicadores de emprego e à desaceleração na criação de vagas formais no fim de 2025, indica que o dinamismo do mercado de trabalho deve seguir limitado, especialmente ao longo do primeiro semestre de 2026.

Projeções para 2025

Para 2025, a CNI projeta crescimento de 2,5% do PIB, ligeiramente acima dos 2,4% estimados no fim do ano passado. Diferentemente de 2024, quando a expansão foi puxada pela indústria e pelos serviços, o crescimento deste ano será liderado pelo agronegócio.

Já o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) — considerado a inflação oficial do país — deve fechar 2025 em 4,5%, no limite do teto da meta. Mesmo assim, a CNI avalia que o Banco Central deve manter a Selic em 15% na última reunião do ano do Comitê de Política Monetária (Copom), iniciando o ciclo de cortes apenas em 2026.

O levantamento completo está disponível no link.

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09/12/2025 04:45h

Impacto chega a R$ 1,7 trilhão por ano; CNI defende redução dos juros e energia mais competitiva para destravar o desenvolvimento

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A percepção de que o Custo Brasil pesa cada vez mais sobre a produção industrial segue em alta. Uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) revela que 64% dos empresários do setor acreditam que esse impacto aumentou nos últimos três anos. Outros 27% afirmam que ele permaneceu constante, enquanto apenas 6% perceberam uma redução no período.

O Custo Brasil é o conjunto de barreiras estruturais, burocráticas e econômicas que encarecem a produção, travam investimentos e afetam diretamente os preços ao consumidor. Esse custo é estimado em R$ 1,7 trilhão por ano para as empresas brasileiras, o equivalente a 20% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, segundo estudo realizado pelo Movimento Brasil Competitivo (MBC), em parceria com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Durante a abertura do Seminário Custo Brasil, realizado pela Folha de S. Paulo, com apoio da CNI, na última sexta-feira (5) na capital paulista, o diretor de Desenvolvimento Industrial, Tecnologia e Inovação da CNI, Jefferson Gomes, afirmou que o Custo Brasil é um obstáculo que precisa ser enfrentado com rapidez para que o país supere deficiências estruturais e se torne competitivo. 

“Não é apenas uma questão contábil para as empresas, mas a chave para transformar o imenso potencial do país em riquezas, empregos de melhor qualidade e bem-estar da população”, disse.

Percepção regional e por porte de empresa

A percepção de aumento do Custo Brasil nos últimos três anos varia entre as regiões:

  • Sul: 72% dos empresários relatam alta;
  • Nordeste e Sudeste: nas duas regiões, os empresários têm 63% de percepção de aumento;
  • Norte/Centro-Oeste: 53% apontam crescimento do impacto.

Por porte, 69% das médias e grandes empresas afirmam que o peso do Custo Brasil cresceu no período. Entre os pequenos negócios, o índice é de 63%.

Energia competitiva e juros menores

Segundo Gomes, mesmo que o país invista em educação e inovação, o Custo Brasil continua prejudicando o desenvolvimento, desestimulando a criação de empregos e elevando os preços para o consumidor. Para reverter esse cenário, é preciso reduzir os juros para melhorar o acesso ao crédito.

“O principal entrave nessa área [acesso ao crédito] são os juros. Todos aqui sentem a taxa Selic em torno de 15%, que trava investimentos produtivos e o consumo, que são essenciais para estimular a geração de emprego e renda”, afirmou.

Para o diretor da CNI, outro eixo considerado decisivo é a oferta de energia renovável, com potência e qualidade, a preços competitivos.

“Os insumos são fundamentais para garantir oferta abundante de energia a preços competitivos. Isso requer, entre outras ações, a redução de encargos e subsídios, que atualmente representam 26% da conta de luz”, destacou.

Ele também reforçou a necessidade de ampliar investimentos em infraestrutura e ajustar regulações para melhorar a logística nacional.

“O diagnóstico está claro e as soluções são conhecidas. Não podemos mais perder tempo repetindo análises e estudos. É hora de partir para a ação. Nossa expectativa é que o poder público continue sendo um parceiro do setor produtivo nessa agenda tão relevante para o desenvolvimento das nossas empresas e do país”, completou.

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A pesquisa completa sobre a percepção dos empresários industriais sobre o Custo Brasil está disponível no link

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02/12/2025 04:25h

Recuo da inflação e desaceleração da atividade econômica mantêm a Selic em 15%, segundo Relatório Focus

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O mercado financeiro reduziu em 0,2 ponto percentual a projeção para a inflação deste ano. Agora, a expectativa é de que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) — considerado a inflação oficial do país — encerre 2025 em 4,43%. Os dados constam no Relatório Focus, divulgado nesta segunda-feira (1º) pelo Banco Central (BC). O boletim reúne, semanalmente, as estimativas de analistas e instituições financeiras para os principais indicadores econômicos.

Para 2026, a projeção do inflação também recuou, passando de 4,18% para 4,17%. É a terceira semana consecutiva de queda. Para 2027 e 2028, as previsões se mantêm estáveis em 3,8% e 3,5%, respectivamente.

Com o novo ajuste, a previsão para 2026 volta ao intervalo da meta de inflação que deve ser perseguida pelo Banco Central. Definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta de inflação é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos — o que estabelece um limite mínimo de 1,5% e máximo de 4,5%.

Conta de luz mais barata puxou inflação para baixo

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do mês de outubro foi de 0,09%, o menor para o mês em quase 30 anos, segundo o Instituto Brasileio de Geografia e Estatística (IBGE). Com isso, a inflação acumulada nos 12 meses caiu para 4,68% — a primeira vez, em oito meses, que o patamar fica abaixo da casa de 5%.

De acordo com o IBGE, a redução na conta de luz foi um dos principais fatores que ajudaram a conter o índice, contribuindo para a queda de 0,3% no grupo Habitação.

Juros Básicos

A taxa básica de juros (Selic) — principal instrumento do Banco Central para cumprir a meta de inflação — foi mantida em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom). A decisão reflete o recuo da inflação e a desaceleração da atividade econômica, fatores que levaram à manutenção da taxa pela terceira vez consecutiva.

No entanto, o Copom não descarta a possibilidade de voltar a elevar os juros, caso considere necessário. Em nota, o BC destacou que o cenário internacional segue incerto, especialmente devido à conjuntura e à política econômica dos Estados Unidos, que afetam as condições financeiras globais. No âmbito doméstico, a autoridade monetária ressaltou que, apesar da desaceleração da atividade econômica, a inflação ainda está acima da meta — o que sinaliza que os juros vão continuar altos por bastante tempo.

Segundo estimativas do mercado, a Selic deve encerrar 2025 no atual patamar de 15% ao ano. Para 2026, a expectativa é de queda para 12% ao ano. Em 2027 e 2028, as projeções apontam novas reduções, para 10,5% e 9,5% ao ano, respectivamente.

CNI: Selic em 15% impede crescimento da economia e deixa Brasil isolado no contexto internacional de juros reais

Gastos tributários do Brasil em 2026 devem chegar a 7,1% do PIB, revela pesquisa da FGV

PIB

A projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) — a soma de todas as riquezas produzidas no país — é de 2,16% para o fechamento de 2025, patamar que se mantém estável há quatro semanas. Para 2026, a expectativa também permanece inalterada há um mês, em 1,78%.

No caso de 2027, as estimativas vêm recuando: há quatro semanas, o mercado projetava alta de 1,90% para o PIB. O índice passou para 1,88% na semana passada e voltou a cair, chegando a 1,83% na projeção mais recente. Já para 2028, a previsão de crescimento segue estável em 2,00% há quatro semanas.

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