Imigrantes

18/01/2026 04:30h

Comunidade venezuelana no Brasil demonstra otimismo com o futuro e desejo de regressar ao país de origem

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O fluxo de migrantes e refugiados na fronteira entre o Brasil e a Venezuela, em Roraima, caiu pela metade no início de 2026. Nos primeiros 13 dias do ano, a redução foi superior a 50% em relação ao mesmo período dos anos anteriores, segundo dados da Operação Acolhida, coordenada pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS).

De acordo com o monitoramento, 1.014 venezuelanos entraram no Brasil por Pacaraima neste começo de ano. Em 2025, no mesmo intervalo, foram registradas 2.121 entradas. Já em 2024, o número chegou a 2.161.

Apesar dos conflitos políticos na Venezuela, o governo federal afirma que, até o momento, não foi necessário intensificar as ações da Operação Acolhida. Na última quarta-feira (14), o ministro Wellington Dias visitou o posto de acolhimento de migrantes em Roraima e garantiu que o Brasil segue atento à situação no país vizinho.

Segundo o MDS, há um plano estratégico preparado para eventual aumento do fluxo migratório, que envolve áreas como saúde, abrigo, segurança e proteção social básica e especial, em articulação com estados e municípios. Em Boa Vista, estão disponíveis cerca de 30% das vagas nos três abrigos indígenas. Nos abrigos para não indígenas, a taxa chega a quase 38%, enquanto em Pacaraima alcança 65%.

O titular do MDS destaca a política de acolhimento e interiorização adotada pelo país. “Para você ter uma ideia, foram cerca de 150 mil imigrantes que por aqui passaram e foram interiorizados. Como garantir que a gente possa dar passos, com programas aqui do governo do estado, voltados para o emprego e o empreendedorismo, ressalta Wellington Dias.

Retorno ao país de origem

A comunidade venezuelana no Brasil manifesta desejo de retornar ao país de origem futuramente, diante da expectativa de mudanças após a captura do presidente Nicolás Maduro, em 3 de janeiro. Em entrevista ao Brasil 61, o diretor de relações institucionais da Casa Venezuela, Tomás Alejandro Guzmán, afirma que muitos migrantes têm procurado a entidade para expressar esperança de transformação política e econômica no país natal.

“Todos os venezuelanos que saíram da Venezuela não saíram porque queriam, saíram porque já não tinham outra opção. E para todos os venezuelanos no exterior, o responsável era o Nicolás Maduro”, afirma. “Se esse é o começo de uma transformação, quando você começar a ver melhorias na economia, liberação de presos políticos, o salário mínimo deixar de ser 15 reais e passar a ser um número considerável, as pessoas terão sim disposição para voltar”, explica.

Segundo a professora de direito internacional no Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB), Carolina Claro, diante da incerteza política, econômica e de segurança na Venezuela, ainda não há sinais concretos de um retorno de venezuelanos em larga escala.

Precisamos considerar que o retorno ainda não é seguro, diante dos fatos acontecidos; a situação ainda é bastante instável, política, social, institucional e economicamente. Pode haver, sim, retornos pontuais, mas o retorno só deve ocorrer quando o país se reestabelecer e essas pessoas encontrarem segurança física e jurídica, em relação às instituições, e [oportunidades de] mercado de trabalho”, explica.

Apesar das avaliações de que o retorno ainda não é seguro, Tomás Guzmán afirma que não recebeu, até o momento, relatos de medo ou apreensão entre os venezuelanos atendidos pela Casa Venezuela no Brasil em relação aos acontecimentos recentes.

Migrantes atendidos pela Casa Venezuela - Foto: Casa Venezuela/Divulgação

Venezuelanos no Brasil

Dados da Polícia Federal indicam que, entre 2018 e dezembro de 2025, cerca de 1,4 milhão de venezuelanos migraram para o Brasil. Desse total, aproximadamente 654 mil deixaram o país posteriormente, enquanto cerca de 743 mil permanecem em território brasileiro.

Segundo Guzmán, muitos já estão estabelecidos e não pretendem retornar definitivamente, embora mantenham laços com familiares na Venezuela. 

“Essas pessoas que estão estabelecidas no Brasil, que hoje têm que mandar remessas [de dinheiro] para os seus familiares que estão lá, estariam muito mais felizes se seus familiares não tivessem a necessidade de esperar dinheiro para poder comprar um alimento. Então, saber que sua família na Venezuela está bem, te permite também estar bem no Brasil”, destaca.

Operação Acolhida

Criada pela Lei nº 13.684/2018, a Operação Acolhida é a principal resposta humanitária do governo federal ao fluxo de venezuelanos na fronteira e atua em três eixos:

  • Ordenamento da fronteira: organização da entrada de migrantes de forma segura e regular;
  • Abrigamento: oferta de acolhimento temporário, alimentação e itens essenciais;
  • Interiorização e integração socioeconômica: realocação voluntária para outros estados, com apoio para inserção no mercado de trabalho.

Saiba mais no portal do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome.

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06/01/2026 04:20h

Polícia Militar e Ministério da Defesa afirmam que o fluxo segue tranquilo, com reforço na segurança em Pacaraima

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A fronteira entre o Brasil e a Venezuela, no município de Pacaraima, em Roraima, permanece aberta nos dois sentidos e não há previsão de suspensão do fluxo de pessoas. A informação foi confirmada pela Polícia Militar de Roraima (PMRR), em nota divulgada após a invasão dos Estados Unidos ao território venezuelano e a captura do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, no último sábado (3).

Ainda no sábado, após reunião coordenada por videoconferência pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Brasília, o ministro da Defesa, José Múcio, afirmou que a fronteira segue sob monitoramento constante. Nesta segunda-feira (5), a assessoria da pasta reiterou que a fronteira permanece aberta.

De acordo com a 1ª Companhia Independente de Polícia Militar de Fronteira, houve uma leve redução no fluxo de imigrantes, apesar dos acontecimentos recentes no país vizinho. “O trânsito na linha internacional ocorre de forma tranquila, com a Polícia Militar mantendo policiamento ostensivo e monitoramento permanente na região”, informa a corporação.

O ministro da Defesa também destacou que não há registro de movimentação atípica na fronteira entre Brasil e Venezuela, que segue sendo monitorada. Segundo ele, o governo federal está em contato direto com o governador de Roraima, Antonio Denarium.

Segundo a PMRR, o reforço no policiamento permanece ativo, com a mobilização de viaturas especializadas do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), atuando de forma preventiva para garantir a ordem pública, a segurança da população e a normalidade no lado brasileiro da fronteira.

José Múcio informou ainda que o Brasil mantém cerca de 10 mil militares na Região Amazônica, sendo aproximadamente 2.300 em Roraima.

Governo de Roraima monitora cenário regional

Em nota, o Governo de Roraima informou que acompanha com atenção os acontecimentos recentes na Venezuela e eventuais impactos na estabilidade regional, reafirmando o compromisso com a paz, a ordem pública e a segurança da população roraimense.

Segundo o comunicado, as autoridades estaduais mantêm contato permanente com os órgãos competentes da União para monitorar possíveis desdobramentos que possam afetar a rotina da população. Os órgãos de segurança pública do estado seguem preparados e articulados, mantendo suas atividades regulares, com foco na garantia da paz, da proteção e da continuidade dos serviços essenciais à população de Roraima.

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17/03/2021 00:00h

Iniciativa ocorre em parceria com a OIM e a Enap. As inscrições estão abertas e são gratuitas para qualquer pessoa

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Estão abertas as inscrições para o curso online “Proteção socioassistencial a migrantes em situação de vulnerabilidade ou violação a direitos”. A iniciativa é do Ministério da Cidadania em parceria com a Escola Nacional de Administração Pública (EVG/Enap) e a Organização Internacional para as Migrações (OIM). 
 
Além dos profissionais do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), a capacitação tem como alvo organizações da sociedade civil e servidores que realizam atendimento a migrantes. Qualquer pessoa interessada pode participar e não há necessidade de comprovar vínculo com alguma instituição. 
 
O curso vai durar 30 horas e começa com uma introdução ao fenômeno migratório e aborda os direitos dos migrantes no Brasil. Depois, trata de questões específicas do atendimento socioassistencial a esse público. As inscrições podem ser feitas pelo site: escolavirtual.gov.br/curso/383

Ministério da Cidadania lança diretrizes para assistência social em contextos de emergência

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19/02/2021 11:00h

Objetivo é evitar a entrada de estrangeiros e aliviar a tensão na divisa entre os países

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Estado do Acre vai receber apoio da Força Nacional de Segurança nas atividades de bloqueio excepcional e temporário da entrada de estrangeiros no País. A medida, publicada na Portaria n° 62 do Diário Oficial da União, foi autorizada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública e tem duração de 60 dias, podendo ser prorrogada.

A tensão nas fronteiras com o Peru aumentou no último domingo (14), quando um grupo de 400 imigrantes, a maioria haitianos, deixou os abrigos da cidade acreana de Assis Brasil e forçaram entrada no país vizinho. A fronteira com o Peru está fechada desde o ano passado, por conta da pandemia. A prefeitura da cidade chegou a decretar estado de calamidade pública para enfrentamento da Crise Migratória e da Pandemia da Covid-19. Além disso, o estado do Acre enfrenta um surto de dengue, cheia dos rios e lotação dos leitos para pacientes com coronavírus.

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Segundo a portaria, o governo estadual deverá prover o apoio logístico necessário para a operação. O contingente deverá seguir o planejamento da Diretoria da Força Nacional de Segurança Pública.

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